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Diário de Notícias

DN.

Taxas de juros têm firme alta na sessão com pessimismo sobre fim da guerra

Os juros futuros negociados na B3 percorreram o pregão desta segunda-feira, 11, em firme alta, renovando máximas intradia em toda a extensão da curva a termo. A abertura, que chegou a superar 16 pontos-base em trechos intermediários e longos, foi acentuada após notícias de que os Estados Unidos, diante do impasse nas negociações de paz com o Irã, consideram retomar ações militares contra o país. Teerã, por sua vez, respondeu por meio do presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que alertou que o país persa está "pronto com todas as opções de resposta a qualquer agressão".

O pessimismo em relação ao fim da guerra - que parece cada vez mais distante e, portanto, deve seguir bloqueando o fluxo de navegação no Estreito de Ormuz - levou os contratos futuros do petróleo a avançarem quase 3% na sessão. O barril do Brent para julho, que serve de referência para a Petrobras, fechou em US$ 104,21. A aversão ao risco pressionou as curvas de juros globais, contaminando também o mercado de renda fixa local.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 14,049% no ajuste de sexta-feira para 14,105%. O DI para janeiro de 2029 saltou a 13,695%, vindo de 13,525% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2031 fechou em 13,765%, de 13,605% no ajuste.

Os mercados de renda fixa já abriram a primeira sessão da semana em tom bastante negativo, reagindo à recusa do presidente dos EUA, Donald Trump, à proposta do Irã para encerrar o confronto no Oriente Médio, ocorrida no domingo. Trump classificou a proposição dos iranianos como "totalmente inaceitável", ao passo que o chanceler do país persa, Esmail Baghaei, disse que Teerã não está "preocupado com a satisfação de outros".

Em relatório de Jim Reid, head global de pesquisa macro e estratégia temática, o Deutsche Bank aponta que a incerteza sobre quem detém autoridade para negociar no Irã pode estar complicando o avanço de um acordo e postergando tempos mais difíceis à frente. "Continua sendo um conflito incomum, com pouca ação há um mês. Em termos simples, porém, enquanto o Estreito de Ormuz permanecer fechado, os mercados seguem no fio da navalha", avalia a instituição.

"Está todo mundo esperando a 'semana que vem' de Trump", afirma Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, referindo-se a declarações que se tornaram comuns do republicano de que uma solução para o conflito será alcançada na próxima semana. "Mas ela nunca chega, e quanto mais tempo o conflito dura, piores as expectativas vão ficando", apontou. Segundo Almeida, a deterioração da curva futura, mais uma vez, foi determinada pela piora do ambiente externo, que aumenta o desafio para o Banco Central dar prosseguimento ao ciclo de calibração dos juros.

Embora haja uma ala de economistas que defenda que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem alguma gordura, porque mantém a taxa de juros acima do patamar neutro há muito tempo, a tendência é que, com o conflito perdurando, o BC seja mais cauteloso nas próximas reuniões do colegiado, diz o especialista da Suno.

A ampla maioria do mercado espera corte de 25 pontos-base da Selic no encontro de junho do Copom, mas a probabilidade desse cenário apontada pela curva futura recuou de 84% para 76% entre o fechamento de sexta-feira e o final da tarde desta segunda. Já a Selic terminal precificada para o final de 2026 passou de 13,85% para 13,95%, aponta Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG.

No boletim Focus, a mediana de analistas para a taxa terminal deste ano permanece em 13%, mas subiu para o final de 2027, a 11,25%, vindo de 11% na semana anterior.

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