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Sem volante e sem pedais: conheça o robotáxi que a Tesla prepara para as ruas

Sem volante e sem pedais: conheça o robotáxi que a Tesla prepara para as ruas

Imagine entrar em um carro que não tem volante, não tem pedais, não tem retrovisores externos nem vidro traseiro. As portas se abrem sozinhas, em estilo borboleta, e por dentro há apenas dois assentos, uma tela e som. Esse é o Cybercab, o robotáxi que a Tesla apresentou em outubro de 2024 e que começou a circular publicamente em Austin, no Texas, nesta quinta-feira, 3 de setembro. O carro tem cerca de 1,4 tonelada, motor único de 219 cavalos, bateria de 48 kWh e autonomia estimada entre 450 e 670 quilômetros. Não tem nem porta de recarga: a bateria é abastecida por indução, sem fio. E, ao contrário de concorrentes como a Waymo, ele não usa lidar nem radar — enxerga o mundo apenas por câmeras, rodando o mesmo software de direção autônoma já usado nos demais carros da marca.

O estágio atual do projeto merece uma leitura cuidadosa, porque promessa e realidade andam separadas aqui. A produção começou de fato em fevereiro de 2026, na fábrica da Tesla em Austin, e imagens aéreas mostraram entre 200 e 250 unidades no pátio em julho. Até o início de setembro, havia 45 Cybercabs registrados no Texas. Elon Musk fala em capacidade de 2 milhões de unidades por ano e chegou a prometer, em 2024, um preço abaixo de US$ 30 mil. Nada disso se concretizou: o carro não está à venda ao público, funciona apenas dentro de áreas delimitadas por software da Tesla, e a distância entre algumas centenas de unidades e milhões por ano é enorme. Vale lembrar que outras metas do mesmo anúncio de 2024 também não foram cumpridas — como a de operar robotáxis para "metade da população dos Estados Unidos" até o fim de 2025.

O serviço de robotáxi da Tesla existe hoje em sete regiões metropolitanas: Austin, Dallas, Houston, Miami, Orlando, Tampa e a Bay Area, na Califórnia. Mas a frota é dominada pelo Model Y, não pelo Cybercab, e o tamanho real é modesto — dezenas de veículos rodando sem supervisão humana a bordo, contra cerca de 3 mil da Waymo. Na Califórnia, a operação da Tesla ainda ocorre com motorista humano ao volante: a empresa não obteve autorização do órgão regulador estadual para transporte autônomo de passageiros. Em milhagem acumulada sem motorista, a diferença é ainda mais expressiva: a Tesla anunciou a marca de 1 milhão de milhas, enquanto a Waymo já ultrapassou 220 milhões.

O ponto mais delicado, porém, é regulatório — e explodiu justamente nesta sexta-feira. Empresas que colocam nas ruas veículos sem volante e pedais, como a Zoox, da Amazon, costumam pedir uma isenção formal às normas federais de segurança dos Estados Unidos, o que vem acompanhado de um teto de 2.500 veículos por ano. A Tesla optou por caminho diferente: alegou que o Cybercab cumpre todas as normas aplicáveis e usou autocertificação, o mesmo procedimento de um carro comum. Nesta sexta-feira, 4 de setembro, horas depois do lançamento, a NHTSA, agência federal de segurança rodoviária, abriu uma auditoria sobre cerca de mil Cybercabs, justamente para examinar os dados técnicos em que a montadora se baseou para certificar o veículo. A empresa já responde a outras investigações abertas sobre falhas do sistema de direção autônoma, e análises independentes apontaram, no início deste ano, taxa de acidentes por milha acima da média de motoristas humanos — número que especialistas relativizam, já que a frota é pequena demais para conclusões estatísticas firmes.

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