O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz teve uma queda acentuada desde a retomada de bombardeios entre Estados Unidos e Irã, segundo levantamentos da mídia internacional.
Cruzaram o estreito ontem 14 navios carregados com commodities, conforme a Bloomberg, frente a uma média diária 34 embarcações desde que o cessar-fogo começou em junho. O Irã, por outro lado, acelerou a saída de cinco superpetroleiros e um navio Suezmax carregando quase 11 milhões de barris de petróleo nas últimas 24 horas, sob ameaças de novo bloqueio dos EUA contra portos iranianos.
Já a Reuters aponta que a navegação está praticamente estagnada e que somente dois petroleiros conseguiram atravessar Ormuz nas primeiras horas desta quinta-feira. Um deles, o petroleiro Berg 1, contém produtos iranianos da Ilha de Kharg e está sujeito a sanções americanas, de acordo com a Kpler. Fontes da indústria de fretes também revelaram à agência que navios estão cada vez mais desativando seus dispositivos de localização para dificultar o monitoramento da passagem pela rota marítima - estratégia conhecida como modo "sombra".
Analista sênior de Compliance e Riscos para a Lloyd's List Intelligence, Bridget Diakun alerta que a situação continua volátil e que a passagem em "sombra" exige uma revisão dos números de navegação. Segundo os dados da empresa de dados marítimos, 576 trânsitos pelo Estreito de Ormuz foram registrados em junho - acima dos 233 de maio, mas bem abaixo dos 3.131 no mesmo período do ano passado. Conforme a Bloomberg, dados da Kpler mostram que a navegação chegou a atingir um pico diário de 58 navios em 24 de junho.
Dentre os trânsitos de junho, 264 eram navios saindo do estreito e 137 entravam na rota marítima, com uma divisão equilibrada entre as embarcações em modo "sombra" e aquelas que mantiveram localização online, aponta a Lloyd's List. Os navios de saída incluíam graneleiros e petroleiros, enquanto os de entrada eram petroleiros, transportadores de granéis e transportadores de gás.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO, na sigla em inglês), da Marinha britânica, observa que o tráfego em Ormuz continua em níveis reduzidos e com trânsito nas duas rotas controladas ao norte do Irã e no corredor sul de Omã, refletindo cautela dos operadores. O trânsito assistido pelos EUA também continua a acontecer sem interrupções, apesar do ambiente tenso e do contínuo monitoramento da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC).
O UKMTO também alerta que minas explosivas continuam ativas na região, gerando riscos para embarcações que devem evitar essas áreas delineadas. Outra regiões marítimas do Oriente Médio - como o Golfo Pérsico, Golfo de Omã e o Mar Arábico - não tiveram alterações de recomendação e registram trânsito calmo, embora com ressalvas para navegar em alerta.
O alerta do UKMTO para ameaças nas regiões marítimas do Oriente Médio é majoritariamente "moderado", com exceção de Ormuz ("severo"), Golfo de Áden ("substancial") e Mediterrâneo Oriental ("baixo").
Segundo a Bloomberg, a queda no trânsito pelo Estreito de Ormuz está provocando uma forte queda na busca de seguros. Duas corretoras de seguros marítimos de guerra e dois subscritores disseram que observaram menos pedidos de cotações desde que o cessar-fogo no Oriente Médio praticamente se desfez esta semana.
*Com informações da Associated Press
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