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Diário de Notícias

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Um biscoitinho feito em forno a lenha no interior do Tocantins chegou ao Guia Michelin — e a história por trás disso é incrível

Imagine um biscoito com formato de coroinha, feito à mão com polvilho, leite de coco, manteiga e açúcar, assado em forno a lenha por doceiras do interior do Brasil há mais de cem anos. Agora imagine esse mesmo biscoito sendo servido em um prato assinado por um chef internacional, na cerimônia do Guia Michelin 2026, realizada no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Pois foi exatamente isso que aconteceu no dia 13 de abril.

O biscoito Amor Perfeito, produzido artesanalmente na cidade de Natividade, no interior do Tocantins, foi o ingrediente escolhido pelo chef Nello Cassese para compor um de seus pratos na noite mais importante da gastronomia brasileira — o lançamento do Guia Michelin Rio de Janeiro e São Paulo 2026.

A história do biscoito é tão bonita quanto o nome. A receita foi preservada ao longo de gerações por doceiras tradicionais da cidade, com destaque para Ana Benedita de Cerqueira e Silva, a famosa Tia Naninha, a mulher responsável por difundir o produto e manter viva a tradição. O biscoito já é oficialmente Patrimônio Cultural e Gastronômico do Tocantins — e agora ganhou o mundo.

A chegada do Amor Perfeito ao Michelin não foi por acaso. Ele integra uma iniciativa chamada "Do Brasil à Mesa", plataforma que conecta pequenos produtores artesanais a chefs e ambientes de alta gastronomia, apostando na valorização da identidade, da origem e da rastreabilidade — atributos cada vez mais valorizados no cenário gastronômico internacional.

O que torna a notícia tão curiosa e emocionante é o contraste: de um lado, um forno a lenha numa cidade pequena do cerrado brasileiro. Do outro, o tapete vermelho do Copacabana Palace e o mais famoso guia gastronômico do mundo. A cozinha brasileira continua mostrando que sua grandeza mora nos detalhes mais simples e mais autênticos. 

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