O Brasil acaba de ganhar um novo habitante pré-histórico, e a história por trás dele é de dar arrepios.
Durante as obras de um terminal rodoferroviário na cidade de Davinópolis, no Maranhão, operários encontraram algo que ninguém esperava: os fósseis de um dinossauro colossal que viveu há aproximadamente 120 milhões de anos. O animal foi batizado de Dasosaurus tocantinensis — nome que homenageia tanto as florestas da região ("daso" significa floresta em grego, referência ao "maranhão" que os portugueses usavam para descrever o emaranhado de matas) quanto o rio Tocantins, próximo ao local da escavação.
O tamanho impressiona: a partir de um único fêmur de 1,5 metro encontrado no solo, os pesquisadores estimaram que o animal media cerca de 20 metros de comprimento — o equivalente a dois ônibus urbanos enfileirados. "Hoje sabemos que o Dasosaurus está entre os maiores dinossauros já encontrados no Brasil", afirmou o paleontólogo Leonardo Kerber, da Universidade Federal de Santa Maria, que chegou a se deitar ao lado dos fósseis para mostrar a dimensão gigantesca do animal.
Mas o detalhe mais surpreendente não é o tamanho — é a origem. As análises genéticas e morfológicas revelaram que o parente vivo mais próximo desse dinossauro maranhense é o Garumbatitan morellensis, uma espécie descrita na Espanha. Isso significa que, há entre 130 e 140 milhões de anos, quando os continentes ainda estavam ligados pelo supercontinente Gondwana, ancestrais desse dinossauro saíram da Europa, cruzaram pelo norte da África e chegaram ao que hoje é o Brasil — antes mesmo de o Oceano Atlântico existir.
A descoberta foi publicada na revista científica Journal of Systematic Palaeontology e foi liderada pelo pesquisador Elver Mayer, da Universidade Federal do Vale do São Francisco. As análises da microestrutura dos ossos também revelaram padrões de crescimento nunca antes vistos nesse grupo, sugerindo que certas adaptações que permitiram aos dinossauros atingir tamanhos extremos evoluíram muito antes do que se imaginava.
E há um detalhe irônico que resume bem o estado da paleontologia brasileira: os fósseis só foram encontrados porque uma obra de infraestrutura estava acontecendo. Sem as escavações do terminal, aquele gigante de 120 milhões de anos continuaria enterrado no chão do Maranhão, sem que ninguém soubesse que ele existiu.
Em resumo: o Brasil acaba de provar que seu solo guarda segredos imensos — literalmente. E a conexão de um dinossauro nordestino com um primo espanhol conta uma história sobre como o mundo era completamente diferente quando esses animais caminhavam pela Terra.
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