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Wagner Moura na capa da Time: o baiano que virou ícone global e a história por trás disso

Em abril deste ano, o mundo virou os olhos para um ator nascido em Salvador. O ator Wagner Moura foi incluído na lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2026, divulgada pela revista norte-americana Time. O nome do baiano aparece ao lado de figuras como Zoe Saldaña, Nikki Glaser e Luke Combs.

Mas o mais curioso é como ele chegou até lá — e que tipo de frase a própria Time escolheu para defini-lo.

A frase que resume tudo

No perfil dedicado ao artista, intitulado "Eu falo as coisas. Não tenho medo", a revista destaca o posicionamento político do ator, que não teria medo de dizer o que pensa. Em entrevista, Moura foi direto: "Eu sou muito franco. Eu falo o que penso. Não tenho medo. Nunca tive medo de dizer o que acredito, porque é assim que eu sou."

O filme que mudou tudo

O caminho até a capa da Time passou por um thriller político rodado em Recife. O filme "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, estreou no Festival de Cannes em maio de 2025, onde venceu os prêmios de Interpretação Masculina para Wagner Moura e Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho, além do Prêmio FIPRESCI da competição oficial.

A história é ambientada na ditadura militar brasileira — e a Time destacou que o filme tem "ressoado com espectadores em todo o mundo, especialmente nos EUA".

O filme recebeu quatro indicações ao Oscar 2026: Melhor Ator, Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Direção de Elenco. Uma conquista histórica.

O detalhe que ninguém esquece

Após o filme receber as quatro indicações ao Oscar, o diretor Kleber Mendonça Filho contou onde Wagner Moura estava no momento do anúncio: "Quero agradecer ao Wagner Moura, que estava num avião quando soube que está indicado ao Oscar de Melhor Ator." Ele ficou sabendo enquanto cruzava os céus.

O Brasil que aparece junto

Outros dois brasileiros aparecem na mesma lista: a pesquisadora Mariangela Hungria da Cunha, da Embrapa, cujas inovações científicas ajudaram agricultores brasileiros a economizar cerca de US$ 25 bilhões por ano, e o pesquisador Luciano Moreira, reconhecido pelo desenvolvimento de uma técnica que usa mosquitos modificados para impedir a transmissão de dengue, zika e outras doenças.


O que torna tudo isso tão fascinante é que a ascensão de Wagner Moura ao centro do cenário cultural global veio não de um blockbuster americano, mas de um filme brasileiro em preto e branco, falado em português, ambientado na Recife de 1977 — e que tocou o mundo exatamente por isso. A crítica da Time o descreveu como um "antídoto analógico" em um mundo cada vez mais digital, com um estilo que remete à velha Hollywood. Um baiano, num filme pernambucano, numa capa nova-iorquina. A cultura nacional nunca esteve tão grande.

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