O que antes era um trabalho de quase dois anos para cientistas, agora pode ser feito em questão de semanas — e a responsável por essa virada é a Amazon.
A Amazon Web Services lançou ontem, terça-feira 14, o Amazon Bio Discovery, uma aplicação de inteligência artificial projetada para acelerar a fase inicial da descoberta de medicamentos, permitindo que pesquisadores executem fluxos de trabalho computacionais complexos de forma intuitiva, sem precisar escrever uma única linha de código.
O número que impressiona está na boca do próprio vice-presidente da AWS: Rajiv Chopra afirmou que "cientistas levavam cerca de 18 meses para chegar a 300 potenciais candidatos a medicamentos. Agora, eles podem criar esses mesmos 300 candidatos em poucas semanas".
E isso já foi testado na prática, com resultados de dar boca aberta: em uma colaboração com o Memorial Sloan Kettering Cancer Center, os pesquisadores geraram quase 300 mil moléculas de anticorpos inéditas usando a plataforma. Desse volume gigante, o sistema filtrou automaticamente as 100 mil melhores candidatas para testes em laboratório físico — um processo que normalmente consumiria meses de trabalho manual.
O funcionamento é quase mágico para quem conhece o setor: o Amazon Bio Discovery dá aos pesquisadores acesso a uma biblioteca de modelos especializados de base biológica, que podem gerar e avaliar possíveis moléculas de medicamentos, junto com um agente de IA que ajuda a selecionar modelos, definir parâmetros e interpretar resultados. Os pesquisadores podem então enviar os candidatos selecionados para laboratórios parceiros integrados para síntese e testes, com os resultados voltando automaticamente ao sistema para orientar a próxima rodada.
Os primeiros a embarcar na tecnologia já são nomes pesados: Bayer, Broad Institute e Voyager Therapeutics estão entre os primeiros a adotar a plataforma, e 19 das 20 maiores empresas farmacêuticas do mundo já usam os serviços de computação da AWS.
A Amazon entrou de cabeça na corrida para criar remédios com IA — e o que mais chama atenção não é apenas a velocidade, mas o fato de que qualquer cientista de laboratório, mesmo sem saber programar, já pode usar essa tecnologia hoje. O futuro da medicina pode estar sendo escrito não por humanos, mas por algoritmos que trabalham enquanto a gente dorme.
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