O assessor técnico da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), Paulo Cesar Domingues, defendeu para 2027 um leilão para reserva de capacidade de potência, com projetos de Sistemas de Armazenamentos Hidráulicos (SAH), também chamadas de usinas reversíveis. Se houver tal certame, os projetos poderiam ser entregues a partir de 2030. Ele falou durante evento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), chamado de "3ª Semana Regulatória - Diálogo com o Setor".
Como a Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, mostrou em julho, grandes empresas geradoras do País já trataram do tema junto ao governo federal. Técnicos do Executivo, no entanto, disseram que a estruturação de um certame desse tipo ainda não ocorreu. O indicativo é que as conversas são iniciais.
No fim de junho, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) definiu as primeiras regras para projetos de armazenamento de energia no Brasil e incluiu, nesse pacote, as usinas hidrelétricas reversíveis de ciclo fechado - modelo que opera com dois reservatórios localizados um acima do outro. Neste sistema, quando não há geração de energia, a água é bombeada do tanque inferior para o superior e em períodos de necessidade de energia, o processo é invertido, com a geração por turbinas e despacho de eletricidade para o sistema.
Já em abril, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou uma resolução com diretrizes para a contratação de usinas reversíveis. Na época, o conselho informou que a remuneração dos empreendimentos deve estar vinculada à disponibilidade de potência e ao desempenho operacional, assegurando previsibilidade de receita e, consequentemente, a viabilidade econômica dos projetos.
O Conselho também determinou que a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) realizasse estudos de inventário hidrelétrico para a identificação e desenvolvimento de projetos com capacidade de armazenamento. A realização do leilão sob a modalidade da reserva de capacidade depende essencialmente da necessidade do sistema, com verificação feita pela EPE e pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A contratação de potência elétrica, nessa modalidade, visa garantir que o sistema consiga atender plenamente à demanda nos momentos de pico no consumo ou crises no setor. É uma espécie de "seguro contratado".
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