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Dívida pública supera 81% do PIB — especialistas alertam para risco fiscal crescente

Dívida pública supera 81% do PIB — especialistas alertam para risco fiscal crescente

A trajetória da dívida pública brasileira voltou ao centro do debate econômico. Segundo os dados mais recentes do Banco Central, a Dívida Bruta do Governo Geral alcançou 81,9% do Produto Interno Bruto em junho, ante 81,1% em maio e 80,4% em abril. Em valores absolutos, o estoque chegou a R$ 10,8 trilhões. A Dívida Líquida do Setor Público, indicador que desconta os ativos do governo, ficou em 68,5% do PIB, também em alta na comparação mensal.

O ritmo de crescimento preocupa mais do que o nível. O indicador acumula avanço de 10,2 pontos percentuais desde o início do atual mandato presidencial, movimento sustentado por uma combinação de juros altos, despesas obrigatórias em expansão e resultados primários insuficientes para estabilizar o endividamento. Em junho, o setor público consolidado registrou déficit de R$ 55,3 bilhões, número que dá a dimensão do desafio de curto prazo.

O componente financeiro pesa de forma decisiva. Com a taxa básica em patamar restritivo por um período prolongado, o custo de rolagem da dívida consome parcela crescente do orçamento e cria um efeito de bola de neve: mesmo que o governo entregue superávits primários modestos, a conta de juros anula o esforço. A isso se soma a rigidez do gasto público brasileiro, em que a maior parte das despesas é vinculada por lei ou pela Constituição e escapa ao ajuste discricionário.

As projeções de médio prazo reforçam o alerta. A Instituição Fiscal Independente calcula que, mantida a trajetória atual, a relação entre dívida e PIB poderia se aproximar de 115% até 2036. Analistas de mercado avaliam que a reversão exige uma agenda de contenção estrutural de despesas, e não apenas medidas de arrecadação, sob pena de o país conviver com prêmios de risco mais altos, câmbio pressionado e juros persistentemente elevados.

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