O Brasil registrou 40.775 vítimas de mortes violentas intencionais em 2025, queda de 8,2% em relação a 2024 e a menor taxa desde 2012, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, aponta uma taxa de 19,1 mortes por 100 mil habitantes e mostra que o País alcançou dois anos antes do previsto a meta de redução estabelecida para 2027.
Apesar do avanço, o retrato permanece grave: foram 139 mortes por dia ao longo do ano e sete unidades da federação registraram alta no indicador. O perfil das vítimas segue praticamente inalterado — 90,8% são homens, 41,6% têm entre 18 e 29 anos e 79,7% são negros. Os feminicídios, na contramão, subiram 4%, com 1.571 vítimas.
O contraste fica por conta da criminalidade digital. Foram 2.261.055 registros de estelionato em 2025, alta de 2,7% sobre o ano anterior e crescimento acumulado de 429,8% desde 2018 — uma média de 258 golpes por hora. O crime se consolidou como o principal delito patrimonial do País, mas a resposta do Estado não acompanha o volume: foram 63.771 processos penais e 4.819 pessoas presas no período.
A percepção da população acompanha essa mudança de perfil. O medo de fraude financeira pela internet atinge 83,2% dos brasileiros, superando o receio de ter o celular roubado, citado por 78,8%. Para os pesquisadores, o dado indica que o combate ao crime organizado precisa incorporar de forma estruturada a dimensão digital, hoje tratada de maneira fragmentada pelas polícias.
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