Um dia após se tornar o primeiro não europeu a apitar a Supercopa da Uefa, o somali Omar Artan celebrou o feito fazendo menção à Copa do Mundo. Escalado para o Mundial, ele foi deportado nos Estados Unidos e não pôde participar do torneio.
"Foi minha Copa do Mundo", escreveu Artan, junto do uniforme oficial do torneio, os cartões vermelho e amarelo e a medalha que recebeu diretamente de Aleksander Ceferin, presidente da Uefa.
A nomeação de Artan para a partida, vencida pelo PSG sobre o Aston Villa, foi feita poucos dias após a deportação. A Uefa não relacionou o fato com o que aconteceu nos Estados Unidos, mas justificou com o acordo de cooperação que mantém com a Confederação Africana de Futebol (CAF).
O movimento, porém, não deixa de ser uma sutil oposição à Fifa. Na época em que Artan foi deportado, o presidente Gianni Infantino disse que a entidade nada podia fazer diante da soberania de cada país. A Uefa já antagonizava com o ítalo-suíço, algo que se agravou após o Mundial, com a proposta comercial que ele apresentou e, posteriormente, retirou.
Artan, ainda antes da Supercopa, admitiu o baque com o impedimento de apitar na Copa. "Foi um período muito difícil", disse ao site da Uefa. "Muitas pessoas têm compaixão por mim, porque, quando alguém trabalha muitos anos e deveria fazer algo, e de repente não consegue, é muito desafiador. Agradeço muito o apoio que recebi em todo o mundo; sou muito grato", completou.
O juiz foi incorporado ao quadro da Fifa em 2018 e se tornou o primeiro somali a apitar na Copa Africana de Nações em 2024. Após ter sido barrado no Mundial, Artan voltou a trabalhar em jogos na Somália e atuou na decisão do título da Premier League do Kuwait.
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