O Banco Central afirma que o choque nos preços do petróleo por conta da guerra no Irã favorece a balança comercial brasileira, mas em um patamar menor do que uma análise simplificada poderia estimar. As projeções foram divulgadas nesta quinta-feira, 25, no Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre.
"Observa-se impacto inicial positivo nos primeiros dados mensais disponíveis após o conflito, embora de magnitude mais moderada do que uma análise simplificada baseada nos dados de 2025 poderia sugerir. Isso porque a elevação dos preços do petróleo exportado foi inferior à observada nos produtos importados, especialmente no diesel, cujo encarecimento refletiu, entre outros fatores, a ampliação das margens de refino", escreveu o BC.
De acordo com o relatório, o saldo da balança de petróleo e derivados do Brasil ficava em torno de US$ 2 bilhões ao longo de 2025 e US$ 2,4 bilhões no segundo trimestre do ano passado. No trimestre correspondente de 2026, entretanto, esse valor subiu para US$ 3,1 bilhões, com impacto mais significativo no início do período.
"Esse aumento mensal médio de US$ 0,7 bilhão equivaleria a US$ 9,0 bilhões em doze meses, abaixo do sugerido pela conta simplificada", completa.
Nas exportações brasileiras para o Oriente Médio, também já há impactos da guerra, mas que tendem a ser limitados pela baixa relevância em relação ao volume vendido à região em relação ao total exportado pelo País, representando apenas 4,6% do total exportado em 2025, e 0,7% do PIB.
O BC analisa que um efeito mais negativo poderá ser sentido a partir do segundo semestre, quando se intensificam as importações de fertilizantes daquela área e a safra de milho - que é exportada em grande medida para o Oriente Médio - tende a ser escoada.
A autoridade monetária pondera, entretanto, que "os efeitos descritos no boxe são preliminares e sujeitos a revisão conforme evoluam os desdobramentos do conflito, podendo ser atenuados ou revertidos em caso de distensão, ou mesmo intensificados no cenário oposto".
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