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Diário de Notícias

DN.

El Niño: mais de 500 cidades do RS e de SC estão em alerta vermelho para tempestades

O El Niño já tem reflexos no Rio Grande do Sul, com ocorrência de chuva acima da média, tempestades e episódios de tempo severo. Diante desse cenário, a MetSul Metereologia e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiram alertas nesta segunda-feira, 28, para tempestades intensas e chuvas volumosas.

O Inmet emitiu um alerta de vermelho de tempestade para 549 municípios entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. O aviso, classificado como de grande perigo, prevê chuva superior a 100 mm por dia e ventos com velocidade superior a 100 km/h e tem validade até 12h de quarta-feira, 29.

As áreas afetadas estão concentradas principalmente nas regiões norte do Rio Grande do Sul e sul de Santa Catarina. "Em caso de situação de grande perigo confirmada: procure abrigo, evite permanecer ao ar livre", diz o Inmet.

A MetSul emitiu um alerta para um quadro de tempo severo no Rio Grande do Sul entre o fim desta terça-feira, 28, e a madrugada de quarta-feira, 29. A previsão indica possibilidade de tempestades intensas, chuva forte, ventos capazes de provocar danos e queda de granizo.

De acordo com a empresa, uma frente quente permanece praticamente estacionária sobre o Estado, favorecendo a ocorrência de chuva volumosa e temporais. Além disso, o cenário deve se agravar com a atuação de um centro de baixa pressão, que tende a intensificar a instabilidade atmosférica e aumentar o risco de tempestades, algumas com potencial destrutivo.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul divulgou nesta segunda-feira que há indicação de risco de inundação para algumas cidades do Estado. Veja os principais rios que receberam alerta de inundação:

- Jacuí, entre os municípios de Dona Francisca e Cachoeira do Sul;

- Taquari, entre Encantado e Taquari;

- Caí, entre São Sebastião do Caí e Montenegro;

- Sinos, entre Campo Bom e São Leopoldo;

- Gravataí, entre Gravataí e Cachoeirinha.

Impacto do El Niño

O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, que modifica a circulação atmosférica e altera padrões de chuva e temperatura no planeta.

No Brasil, ele intensifica uma corrente de vento localizada nos baixos níveis da atmosfera, responsável por transportar a umidade dos oceanos mais quentes para o Sul do País. Com isso, aumenta a quantidade de vapor d'água na atmosfera, afirma a meteorologista e sócia-diretora da MetSul, Estael Siás.

"A umidade na atmosfera fica muito mais alta do que o normal e se transforma em chuva para onde os ventos levarem essa umidade. Em anos de El Niño, ele se converge na direção Sul do Brasil e, por isso, através de frentes frias e quentes e ciclones, a chuva acaba sendo mais frequente e acima da média nesse Estado", diz.

Ainda segundo Estael, o Rio Grande do Sul deve encerrar julho com acumulados de chuva entre duas e três vezes acima da média histórica em razão dos impactos do El Niño. A meteorologista afirma que a tendência é de continuação desse cenário nos próximos meses. "Os modelos, a maioria deles, concentra o período crítico entre outubro e dezembro, que tem como agravante o calor e o ar quente que vai produzir mais tempestades com vento, raios granizo", explica.

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