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Brasil já tem 2 milhões de trabalhadores que dependem de aplicativos, aponta IBGE

O Brasil chegou a 2 milhões de pessoas que usam aplicativos e plataformas digitais como principal meio de conseguir trabalho, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgado nesta semana, com dados referentes a 2025. O contingente equivale a 1,9% de toda a população ocupada do país e vem crescendo de forma consistente: considerando apenas quem tem nessa atividade a ocupação principal, o número passou de 1,3 milhão em 2022 para 1,8 milhão em 2025, um avanço de 36,8% em três anos.

O grupo é bastante concentrado em algumas atividades. O transporte de passageiros responde pela maior fatia, com 1,2 milhão de trabalhadores, ou 58,9% do total — a maior parte deles em plataformas como Uber e 99, e outros 232 mil em aplicativos de táxi. A entrega de alimentos e mercadorias reúne 376 mil pessoas (19,2%), e outros 313 mil (16%) atuam em serviços gerais e profissionais intermediados por plataformas. O perfil também é marcado: 84,4% são homens e cerca de 47% têm entre 25 e 39 anos.

Os dados sobre jornada ajudam a entender o debate que se formou em torno dessas atividades. Quem trabalha por aplicativo cumpre, em média, 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas dos demais ocupados — uma diferença de 5,4 horas por semana. O rendimento mensal é parecido entre os dois grupos, em torno de R$ 3.147, mas, justamente porque a jornada é maior, o ganho por hora fica menor: R$ 16,20 para o trabalhador de plataforma, contra R$ 18,40 dos demais, uma defasagem de aproximadamente 12%.

O levantamento também mostra por que o tema segue no centro da discussão sobre proteção social. Entre os trabalhadores de aplicativos, 86,8% se declaram por conta própria, 72,1% estão na informalidade e apenas 34% contribuem para a Previdência — o que significa que a maioria fica sem cobertura em casos de acidente, doença ou aposentadoria. É essa combinação de crescimento acelerado, jornada mais longa, remuneração horária menor e baixa proteção previdenciária que alimenta as propostas de regulamentação em discussão no país, com posições distintas entre plataformas, entidades de trabalhadores e governo sobre o formato ideal das regras.

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