O Ministério da Fazenda autorizou a União a contratar uma operação de crédito externo de até US$ 1 bilhão junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 4 de setembro e teve como base o artigo 40 da Lei de Responsabilidade Fiscal, além de resoluções anteriores do Senado Federal, que já havia autorizado a operação. Vale a ressalva: trata-se de uma autorização para formalizar o contrato, e não de recursos já recebidos pelo país.
Os recursos são destinados ao Eco Invest Brasil, programa criado no âmbito do Plano de Transformação Ecológica. A ideia central do programa não é substituir o investimento privado, mas destravá-lo. O desenho segue a lógica do chamado blended finance, ou financiamento misto: recursos públicos e de instituições dispostas a assumir mais risco entram primeiro, absorvendo parte das incertezas que costumam afastar investidores tradicionais, e assim viabilizam projetos que sozinhos não sairiam do papel.
Um dos instrumentos centrais é a proteção cambial, o hedge. Projetos de longo prazo no Brasil costumam ser financiados em dólar, mas geram receita em reais — uma oscilação forte do câmbio pode inviabilizar o negócio no meio do caminho. Ao oferecer mecanismos que reduzem esse risco, o programa tenta tornar mais atrativa a entrada de capital estrangeiro em áreas como transição energética, economia de baixo carbono, economia circular, infraestrutura sustentável e adaptação climática.
Entre os projetos ligados ao esforço de transformação ecológica citados pelo governo estão uma biorrefinaria na Bahia, com capacidade prevista para mais de 20 mil barris diários de diesel renovável e combustível sustentável de aviação (SAF), e obras de modernização de redes elétricas na Bahia, em São Paulo e no Mato Grosso do Sul, incluindo a proteção de linhas mais vulneráveis a eventos climáticos extremos. O impacto efetivo, no entanto, dependerá da assinatura do contrato com o BID, do cronograma de desembolsos e do volume de capital privado que o programa conseguir de fato mobilizar.
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