Em pouco mais de vinte e quatro horas, o Brasil viu partirem duas mulheres que ajudaram a construir a linguagem da teledramaturgia nacional. Laura Cardoso morreu na noite de segunda-feira, 17, aos 98 anos, em sua casa em São Paulo, de causas naturais, segundo confirmou a família. Na tarde da terça-feira, 18, foi a vez de Glória Menezes, que morreu aos 91 anos, também de causas naturais, no apartamento onde vivia no Rio de Janeiro. Duas mortes separadas por menos de um dia, duas trajetórias que atravessaram praticamente toda a história da televisão brasileira.
Laura Cardoso construiu uma carreira de oito décadas que começou no rádio e passou por mais de cem trabalhos entre novelas, filmes e peças. Seu velório foi realizado na manhã de terça-feira, das 8h às 14h, na Bela Vista, região central de São Paulo, reunindo colegas de profissão, admiradores e vizinhos que acompanharam sua rotina discreta no bairro. Longeva e incansável, ela seguiu em atividade até idade avançada, sustentando a reputação de atriz que nunca recusou um bom papel: fosse a matriarca severa, a empregada de fala afiada ou a beata de interior.
Glória Menezes, nascida Nilcedes Soares de Magalhães em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 1934, estreou na TV em 1959 depois de passar pela Escola de Arte Dramática da USP. Foram mais de quarenta novelas na Globo, entre elas Irmãos Coragem, Rainha da Sucata e Torre de Babel, além do cinema: participou de O Pagador de Promessas, único filme brasileiro a vencer a Palma de Ouro em Cannes. Casada por 59 anos com Tarcísio Meira, morto em 2021, formou com ele o casal mais duradouro e reconhecível da dramaturgia do país. Menos de uma semana antes de morrer, no dia 12, havia recebido uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo.
As homenagens começaram ainda na terça e se estenderam por esta quarta-feira, 19. A Globo anunciou tributos especiais para as duas atrizes, com um programa dedicado a Glória Menezes previsto para ir ao ar por volta das 16h, logo após a edição especial de Além do Tempo. Nas redes sociais, atores, diretores e autores dividiram lembranças de bastidores e trechos de cenas que já pertencem à memória afetiva de várias gerações. Duas carreiras que somadas ultrapassam 150 anos de palco, estúdio e set, e que terminam na mesma semana, deixando um vazio difícil de medir.
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