O varejo brasileiro enfrenta um período de maior pressão financeira em 2026, marcado pela combinação de juros elevados, crédito caro, consumo mais cauteloso e aumento das dificuldades enfrentadas por empresas do setor. Entre junho de 2025 e junho deste ano, o número de varejistas em recuperação judicial avançou 20,4%, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira, 18.
O cenário ganhou ainda mais atenção após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, envolvendo cerca de R$ 17,3 bilhões em dívidas. Embora grandes redes tenham maior capacidade de recorrer à Justiça para reorganizar seus passivos, pequenos e médios comerciantes muitas vezes encerram as atividades antes de chegar a esse estágio, diante da dificuldade de renegociar dívidas e obter novos financiamentos.
A taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, permanece entre os principais fatores de pressão sobre o comércio. Os juros elevados aumentam o custo do capital para as empresas, encarecem financiamentos ao consumidor e dificultam a rolagem de dívidas. Ao mesmo tempo, o varejo tradicional enfrenta a crescente concorrência dos marketplaces e de operações digitais com estruturas de custos mais enxutas.
A desaceleração da economia reforça o quadro de cautela. Dados do Banco Central mostram que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recuou 0,64% em junho. Apesar disso, o varejo apresentou avanço de 0,5% no período, indicando alguma resistência do consumo diante da perda de ritmo observada em outros segmentos da atividade econômica.
Para os próximos meses, o desempenho do comércio deverá depender principalmente da trajetória dos juros, da inflação e da renda das famílias. Uma redução mais consistente da Selic poderia aliviar o custo do crédito e favorecer o consumo, mas, enquanto as condições financeiras permanecerem restritivas, empresas mais endividadas deverão continuar enfrentando dificuldades para equilibrar caixa, investimentos e vendas.
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