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Diário de Notícias

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Eventos literários se firmam como espaços de encontro e visibilidade no Brasil

Os festivais literários deixaram de ser vitrine de lançamento para se tornar, em boa parte do país, a principal porta de entrada do escritor no mercado. Espalhados por cidades do interior e por capitais fora do eixo Rio-São Paulo, esses encontros aproximam autores e leitores em formatos que a livraria tradicional não oferece: rodas de conversa, sessões de autógrafos, contação de histórias e oficinas em que o público acompanha o processo criativo por trás do livro.

Um exemplo em curso é o III Festival Internacional do Leitor Quindim, realizado em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, até domingo (23). Ao longo de 12 dias de programação, o evento oferece mais de 170 atividades sob o tema O encontro nos faz existir e projeta receber 80 mil pessoas. Uma das frentes do festival, a Caravana do Leitor Quindim, leva 900 estudantes da rede pública para encontros presenciais com escritores convidados — para muitos deles, o primeiro contato direto com um autor de carne e osso.

Idealizador do festival, Volnei Canônica avalia que a proposta nasceu justamente da intenção de interiorizar o debate sobre literatura, tirando-o da concentração histórica nos grandes centros do Sudeste. A lógica é descentralizadora e tem efeito prático sobre quem escreve longe dos escritórios das grandes editoras. A escritora Maya Falks relata a dificuldade de acessar esses circuitos e afirma nunca ter tido oportunidade de participar de festivais de grande porte — os eventos locais, nesse cenário, funcionam como a única passarela disponível.

Para a escritora Elaine Cavion, o valor desses encontros está em fortalecer as redes de leitura e permitir que o público conheça a origem criativa das obras. É um argumento que ajuda a explicar por que o calendário literário brasileiro não parou de crescer, somando bienais, festas literárias regionais, feiras municipais e festivais temáticos ao longo de todo o ano. Em um país onde os índices de leitura seguem em queda, essas iniciativas têm assumido um papel que vai além da venda de livros: criar hábito, formar público e dar visibilidade a vozes que o mercado editorial ainda não alcança.

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