A guerra que opõe Estados Unidos e Israel ao Irã completou seis meses em 28 de agosto, sem sinal de encerramento. O conflito começou em 28 de fevereiro deste ano com uma ofensiva americana batizada pelo Pentágono de Fury Epic, acompanhada de ataques israelenses nas primeiras semanas que atingiram parte da liderança iraniana. À época, a previsão manifestada publicamente pelo presidente Donald Trump era de um confronto de poucas semanas.
O período foi marcado por dois acordos que não saíram do papel. Um cessar-fogo foi alcançado em abril, seguido pela assinatura de um memorando de paz em junho. Nenhum dos dois chegou a ser plenamente implementado, e ataques esporádicos continuam ocorrendo, concentrados sobretudo em áreas marítimas. O Estreito de Ormuz, por onde passa parcela significativa do petróleo comercializado no mundo, permanece majoritariamente fechado por decisão iraniana. O tráfego na região despencou de cerca de 130 navios por dia antes da guerra para 24 embarcações em alguns dias recentes.
Os custos acumulados são expressivos para ambos os lados. Os Estados Unidos já gastaram mais de US$ 37,5 bilhões na operação e enfrentam redução nos estoques de munições. O Irã contabiliza aproximadamente US$ 270 bilhões em danos diretos e indiretos. Washington mantém bloqueio econômico aos portos iranianos, restringindo inclusive a importação de combustíveis. Trump afirmou não buscar reunião ou diálogo com Teerã, sustentando que os militares iranianos estão devastados e que o bloqueio funciona.
Do lado iraniano, o chanceler Abbas Araghchi declarou que retomar a diplomacia não é impossível, mas condicionou o movimento ao reconhecimento, por parte dos Estados Unidos, de que a estratégia de pressão não produz resultados. O Irã exige o cumprimento do memorando de junho, que prevê o fim das sanções econômicas e do bloqueio portuário. Paquistão e Catar atuam como mediadores, e Teerã negocia com Omã taxas de trânsito para navegação. O vice-comandante Esmail Kowsari advertiu que, sem o cumprimento dos compromissos, o Estreito de Ormuz seguirá fechado e o país se prepara para operações ofensivas.
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