O Ibovespa encerrou maio acumulando perda de 7,22% no mês, o que reduz o ganho do ano a 7,86%. Em 14 de abril, quando o índice renovou máxima de fechamento pela 18ª vez apenas em 2026, o avanço chegava a 23,29%. Nesta sexta-feira, oscilou entre mínima de 172.686,36, menor nível intradia desde 22 de janeiro, e máxima de 175.064,44 pontos, correspondente à abertura. Ao fim, marcava 173.787,49 pontos, em baixa de 0,73%, na mínima de encerramento desde 21 de janeiro. Com giro financeiro muito reforçado, a R$ 46,7 bilhões nesta sexta-feira, o Ibovespa colheu a quarta sessão consecutiva no negativo. Na semana, cedeu 1,37%.
Foi a sétima semana negativa para o índice, em série iniciada logo após a renovação de recordes intradia e de fechamento em 14 de abril, que o aproximava então do limiar também inédito de 200 mil pontos. Desde 15 de abril, foram 31 sessões e o Ibovespa subiu em apenas 9 delas - ou seja, em menos de um terço do intervalo. Em maio, colheu também a terceira perda mensal consecutiva, interrompendo a série vitoriosa que se estendeu de agosto passado a fevereiro. O desempenho de maio foi o pior para o Ibovespa desde fevereiro de 2023 (-7,49%).
Enquanto parte importante da série ganhadora de sete meses havia sido induzida pela rotação global de ativos a partir, em especial, do setor de tecnologia dos Estados Unidos, o que se vê agora é uma reversão desse movimento - e não apenas em retorno a Nova York, mas também direcionado a outros mercados com exposição a tecnologia, como Seul.
O "trade" que favorecia emergentes perdeu força e, mesmo com a resiliência inicial mostrada pelo Ibovespa em razão da importância de Petrobras e do setor de energia e commodities, o índice começa agora a mostrar uma vulnerabilidade maior à mudança de direção do capital estrangeiro, fundamental para a série de recordes que vem ainda de 2025.
Em paralelo, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq voltaram a renovar recordes. Na sessão, subiram, pela ordem, 0,72%, 0,22% e 0,20%, acumulando ganhos de até 8,36% (Nasdaq) no mês. O amplo S&P 500 subiu 5,15% em maio.
"Se nas semanas anteriores o mercado alternou entre esperança e frustração com as negociações no Oriente Médio, esta semana o roteiro foi semelhante, mas com um elemento adicional: o conflito completou três meses sem resolução definitiva, e o mercado começa a incorporar de forma mais clara a ideia de que o cenário de incerteza pode perdurar", diz Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.
Nesse contexto de relativa "normalização" da incerteza geopolítica, as últimas sessões da semana foram favorecidas por percepção de que Estados Unidos e Irã possam, de fato, estar mais próximos de um entendimento preliminar, o que descomprime o petróleo: no mês, o Brent cedeu 17,4% e o WTI, 16,8%.
Com o dólar a R$ 4,95 no fim de abril, e agora quase 10 centavos de real acima no fechamento de maio, a R$ 5,04, e o Ibovespa saindo da casa de 187 mil então para a de 173 mil agora, o índice da B3 na moeda norte-americana sai de 37.821,31 pontos para 34.461,81 pontos agora. No fim de março, estava em 36.199,32 pontos e, no fechamento de fevereiro, em 36.771,90 pontos.
Para Rachel de Sá, estrategista de investimentos do Research da XP, a semana trouxe ainda muito "vai e vem" com relação è expectativa de acordo no terreno geopolítico. "Uma normalização rápida não vai acontecer", o que começa a ser precificado pelo mercado, observa Rachel. "Mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto, haverá um tempo para que as coisas voltem à situação que se tinha antes" da guerra. "Altas de juros começam a ser precificadas também", em razão das pressões inflacionárias derivadas do choque de oferta no petróleo.
"Dado do PIB de hoje, referente ao primeiro trimestre no Brasil, veio ainda forte, mas pode ser considerado no retrovisor", acrescenta a estrategista. Ela destaca a resiliência do setor de serviços e certa retomada de protagonismo do consumo das famílias, refletindo o mercado de trabalho com nível de desocupação ainda baixo, apesar do relativo enfraquecimento nos dados do Caged de abril, divulgados nesta semana. "Tom do Copom com relação à política monetária deve vir ainda duro nas próximas reuniões, com cautela que tende a se refletir na curva de juros."
Em outro desdobramento negativo - embora com efeito "limitado" sobre o pregão da Bolsa, inclusive para o setor financeiro, o potencialmente mais prejudicado pelos efeitos da decisão -, a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos EUA é mais um "ruído" com consequências domésticas, assim como a disputa eleitoral de outubro, aponta Rachel. "Ambas as questões continuarão se ser monitoradas de perto" pelo mercado, acrescenta ela.
Na B3, as ações dos maiores bancos mostraram variação entre -1,50% (Banco do Brasil ON) e +0,10% (Santander Unit) no fechamento desta sexta-feira. Dentre os principais segmentos, o metálico concentrou as maiores perdas da sessão, com Metalúrgica Gerdau (PN -4,11%) à frente. Principal papel do Ibovespa, Vale ON caiu 1,36% na sessão, mas no ano ainda sobe 15,09%, com o agregado positivo de 2,02% no mês. Petrobras ON e PN, pela ordem, cederam hoje 1,70% e 1,20%, e foram muito pressionadas pela correção do petróleo no mês: em maio, a ordinária recuou 14,62% e a preferencial, 14,43%; no ano, ainda sobem 45,03% e 37,84%, respectivamente.
Na ponta ganhadora do Ibovespa na sessão, Totvs (+4,16%), Usiminas (+4,04%) e Eneva (+2,52%). No lado oposto, Minerva (-7,05%), Braskem (-6,02%) e Magazine Luiza (-5,83%).
As apostas majoritárias de valorização do Ibovespa para a semana seguinte reapareceram após seis semanas. A última vez em que a metade (50%) dos agentes do mercado previa alta do índice havia sido na pesquisa do Termômetro Broadcast Bolsa referente à semana de 20 a 24 de abril. Na edição desta sexta, com projeções para 1º a 5 de junho, 57,14% esperam alta, contra 28,57% que projetam queda. Os que veem estabilidade somam 14,29%.
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