O eleitorado brasileiro está mais velho. Levantamento da Nexus - Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em informações oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de brasileiros de 16 a 24 anos aptos a votar caiu 22% desde 2010. Em 16 anos, o contingente passou de 24,7 milhões para 19,2 milhões de eleitores, uma redução de 5,5 milhões.
A queda ocorre em sentido oposto ao movimento do eleitorado como um todo. No mesmo período, o número de brasileiros aptos a participar das eleições aumentou 17%, de 135,8 milhões para 158,8 milhões. Os dados considerados no levantamento foram coletados após o encerramento do prazo para o cadastro eleitoral para as eleições de 2026, em 6 de maio.
Com a redução da participação dos mais jovens, a parcela de eleitores de 16 a 24 anos no eleitorado nacional também encolheu. Em 2010, essa faixa etária correspondia a 18,2% dos brasileiros aptos a votar. Agora, representa 12,5%.
O movimento acompanha o envelhecimento da população brasileira e altera a composição do eleitorado. "Ao passo que a população brasileira envelhece, o contingente de eleitores de 16 a 24 anos diminui", afirma Marcelo Tokarski, CEO da Nexus. Segundo ele, a mudança ganha relevância em eleições disputadas, nas quais pequenas diferenças no número de votos podem definir o resultado.
Jovens que não são obrigados a votar tiveram maior presença nas urnas
Apesar da redução no número de eleitores jovens, os dados de comparecimento mostram uma participação expressiva dessa faixa etária nas eleições gerais de 2022.
Dos 21,5 milhões de brasileiros da Geração Z que tinham entre 16 e 24 anos naquele ano, cerca de 17 milhões compareceram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 78,9% do eleitorado dessa faixa etária.
Entre os jovens de 18 a 24 anos, para os quais o voto é obrigatório, o comparecimento foi de 78,5%. Já entre os adolescentes de 16 e 17 anos, cujo voto é facultativo, a participação foi ainda maior: 82,9%.
O índice ficou próximo da média registrada entre todos os eleitores. No primeiro turno de 2022, 79,1% do eleitorado apto a votar compareceu às urnas.
Os números indicam, portanto, que a redução do peso demográfico dos jovens no eleitorado não se traduz, necessariamente, em baixa participação daqueles que estão aptos a votar. Nas eleições de 2022, os adolescentes que não tinham obrigação legal de comparecer foram justamente os que apresentaram a maior taxa de presença entre os grupos analisados.
Sul e Sudeste têm menor proporção de jovens entre eleitores
A distribuição etária do eleitorado também varia significativamente entre os Estados. As regiões Sul e Sudeste, que concentram alguns dos maiores colégios eleitorais do País, estão entre as que apresentam a menor proporção de eleitores de 16 a 24 anos.
No Rio Grande do Sul, os jovens representam 9% do eleitorado. O Estado é seguido pelo Rio de Janeiro, com 10%, e por São Paulo, Santa Catarina, Espírito Santo, Minas Gerais e Paraná, todos com 11%.
Na outra extremidade estão Estados das regiões Norte e Nordeste. Roraima, Acre, Amapá e Amazonas registram a maior participação proporcional dos jovens, com 18% do eleitorado em cada unidade da Federação. Maranhão aparece na sequência, com 17%, enquanto Pará e Tocantins têm 16%.
Eleitores com mais de 60 anos já são quase o dobro dos jovens
Segundo o levantamento, o número de eleitores com mais de 60 anos ultrapassou o contingente de jovens entre 2010 e 2014. A diferença aumentou nas eleições seguintes e chegou a um novo patamar em 2026.
Neste ano, 36,8 milhões de brasileiros com 60 anos ou mais estão aptos a votar, contra 19,2 milhões de eleitores entre 16 e 24 anos. O grupo mais velho, portanto, reúne quase o dobro do contingente jovem.
A distância também aparece na participação proporcional de cada faixa etária no eleitorado. Em 2010, os jovens de 16 a 24 anos correspondiam a 18,2% dos eleitores, enquanto atualmente representam 12,5%. Já os brasileiros com 60 anos ou mais respondem por 23,2% do eleitorado em 2026.
O levantamento da Nexus foi elaborado a partir de dados disponíveis no Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A análise considera informações sobre o cadastro eleitoral, comparecimento e abstenção entre 2010 e 2026.
Os dados utilizados foram coletados pela Nexus em 1º de julho de 2026, após o encerramento do prazo para o cadastramento eleitoral para as eleições deste ano.
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