A Justiça de São Paulo marcou para o próximo dia 25, uma segunda-feira, a primeira audiência do caso de Tainara Souza Santos, jovem de 31 anos que morreu no fim do ano passado após ser atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pela Marginal Tietê, em São Paulo.
Como mostrou o Estadão na época, a vítima, mãe de dois filhos, chegou ter as duas pernas amputadas após o atropelamento, mas não resistiu aos ferimentos - faleceu no dia 24 de dezembro, véspera de Natal.
Douglas Alves da Silva, de 26 anos, condutor do veículo, é réu por feminicídio no caso. Preso desde 30 de novembro, um dia após o crime, ele também irá responder por tentativa de homicídio contra um homem que acompanhava Tainara.
Ao Estadão, a defesa de Douglas afirmou, por meio de nota, que a audiência ocorre "em momento prematuro, considerando que laudos técnicos ainda estão sendo finalizados e pontos relevantes da investigação permanecem pendentes de esclarecimento".
Disse ainda que, até o momento, não há "elementos probatórios concretos capazes de sustentar a figura do feminicídio, especialmente diante da ausência de provas de relacionamento entre Douglas e Tainara".
Os advogados da Tainara afirmam que ela e Douglas tiveram um breve relacionamento no passado, e que o condutor do veículo a agrediu por ciúmes, por ela estar acompanhada de outro rapaz. Versão parecida foi dada pelo amigo de Douglas, que o acompanhava no carro. A defesa de Douglas, porém, nega que eles tenham se relacionado.
Nesta quarta-feira, 13, os advogados da família de Tainara se manifestaram nas redes sociais. "Confiamos que a Justiça será feita e seguimos atentos ao processo, prestando todo apoio necessário à família", disseram.
Os defensores reforçaram também que, embora ainda seja uma fase inicial, a audiência pode determinar se Douglas será ou não submetido a júri popular. Testemunhas e réu devem ser ouvidos. O processo está sob segredo de Justiça.
Relembre o caso
O crime aconteceu por volta das 6h do dia 29 de novembro. Segundo advogados da família, Tainara estava em frente a um bar na região da Vila Maria, quando o Douglas, com quem ela já teria se relacionado, se aproximou. Na sequência, Douglas teria começado a brigar com o homem que a acompanhava.
Como mostrou o Estadão na época, o amigo que acompanhava Douglas no momento em que ele atropelou e arrastou Tainara afirmou, em depoimento à Polícia Civil, que Douglas teve a intenção de atropelar a jovem e puxou o freio de mão do veículo para aumentar a força de atrito sobre o corpo.
Na época, Marcos Leal, advogado de Douglas, afirmou que o jovem se arrependia pelos atos e que responderia "na medida de sua culpabilidade e na forma da lei, com base em provas e na investigação, não sob a ótica do ódio". A defesa não comentou o depoimento do amigo.
Douglas foi preso um dia depois do crime, em um hotel da Vila Prudente, zona leste de São Paulo. De acordo com o boletim de ocorrência, ele teria entrado em luta corporal com um agente durante a abordagem e sofrido um tiro no braço. A Polícia Civil suspeitava que Douglas pretendia fugir para o Ceará.
Mãe de dois filhos pequenos - um menino de 12 anos e uma garota de 7 -, Tainara trabalhava como vendedora autônoma em uma plataforma de comércio online e, segundo conhecidos, se esforçava muito para sustentar as crianças.
Em fevereiro deste ano, uma amiga e vizinha de Tainara - Priscila Versão, de 22 anos - morreu após ser vítima de feminicídio, desta vez na Brasilândia, zona norte da capital. O principal suspeito do crime é o marido, Deivit Bezerra Pereira, de 36 anos, preso pela Polícia Militar. Procurada na ocasião, a defesa dele não foi localizada.
São Paulo Paulo teve alta de 41% nos casos de feminicídio no primeiro trimestre deste ano, segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP). A modalidade está em alta também em outros Estados.
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