Lucas Pinheiro Braathen representa o Brasil há pouco mais de dois anos em competições de esqui alpino e já tem um ouro olímpico e um globo de cristal, ambos no slalom gigante e conquistados em 2026. Na Noruega, país de seu pai e o qual representava anteriormente, seu sucesso é visto com um misto de tristeza e celebração, como disse o próprio esquiador em conversa com jornalistas nesta quarta-feira, em São Paulo.
"Você vai encontrar contrastes. Vai encontrar as pessoas que estão tristes que eu decidi representar o Brasil, que eu segui meu próprio caminho. Mas tem muita gente se alegrando com o que estou fazendo, mostrando para a nova geração que tem outros caminhos para seguir, o efeito de ter coragem de ser quem você é. No fim das contas, sou brasileiro e norueguês."
A última grande conquista de Braathen foi no mês de março, justamente em seu país natal, especificamente na cidade de Lillehammer, onde aconteceu a última etapa da Copa do Mundo 2025/2026. Ao vencer a prova do slalom gigante, garantiu a primeira colocação da classificação geral desta disciplina e sagrou-se campeão da temporada, celebrado por noruegueses que estavam presentes.
Pouco antes, em fevereiro, o brasileiro venceu o ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno, na mesma modalidade. "É um pouco frustrante que ele não seja atleta norueguês", afirmou, à época, o ex-esquiador e comentarista Kjetil André Aamodt, da emissora NRK.
O Brasil já foi levado ao topo do esqui, mas pode ir ainda mais longe se o esquiador alcançar seus novos objetivos na próxima temporada. Lucas Pinheiro Braathen volta a competir em outubro, durante a etapa da Áustria da Copa do Mundo. Na famosa vila austríaca de Solden, começa nova jornada rumo ao sonho de se tornar o campeão geral da série de competições.
Para alcançar essa honraria e erguer o globo de cristal geral, tem de ser o melhor na soma do desempenho das quatro modalidades que englobam a Copa: downhill, super-G, slalom gigante e slalom. Em 2023, quando ainda competia pela Noruegua, foi campeão específico do slalom.
O maior desafio é desbancar a hegemonia de Marco Odermatt, campeão geral de forma consecutiva em 2021/2022, 2022/2023, 2023/2024, 2024/2025 e 2025/2026. "Para poder entrar nessa luta com ele, eu tenho que começar a ganhar pontos em uma terceira disciplina também", afirmou Braathen.
Outra missão é vencer o Campeonato Mundial, que é disputado a cada dois anos. Em 2024, já representando o Brasil, foi 13º lugar no slalom e em 14º no slalom gigante. A próxima edição será em fevereiro de 2027, em Crans-Montana, na Suíça, entre as etapas da Copa do Mundo, que vai de outubro de 2026 a março de 2027.
A disciplina em que o esquiador brasileiro pretende aprimorar suas habilidades é o super-G, que mistura a alta velocidade do downhill com as curvas técnicas do slalom gigante. Nos próximos dias, em pré-temporada, após um período em Ushuaia, na Argentina, ele viaja para as regiões do Valle Nevado, Portillo e El Dorado, no Chile, onde as condições são propícias para a prática dessa modalidade.
"Essas montanhas são todas 3.000 m de altitude. E isso muda tudo, né? As condições da neve. A neve fica muito mais seca. Então ela vira o que a gente chama de agressivo. A neve é agressiva. Então a neve é seca e ela responde muito rápido, ao contrário da neve que é muito escorregadia", explicou.
"A demanda física é muito pesada. Esquiar em mais do que 3.000 m de altitude. A demanda de respiração não dá para comparar. Isso é um aspecto do crescimento físico que a gente está buscando. Porque a nossa primeira competição na Áustria é num glaciar, a gente começa a competição nos 3.000 m de altitude", concluiu.
Antes dos primeiros passos da pré-temporada na Argentina, Braathen focou apenas no condicionamento físico, de abril a agosto, no Rio, cidade em que mora agora. Embora a parte brasileira da família more em Campinas, interior de São Paulo, ele tem muito apreço pela capital fluminense, onde vive a cultura brasileira profundamente, ao lado da atriz global Isadora Cruz, sua namorada, e até estuda dança como parte da preparação.
"Durante a minha pré-temporada, estou pedalando, correndo, surfando, na academia, andando de patins, dançando no estúdio de dança. Busco o aquecimento em muitos lugares fora das pistas, para ganhar crescimento. E o Brasil oferece exatamente isso", afirmou.
"Eu sou uma pessoa que tem uma família no interior de São Paulo. Aí a minha namorada é nordestina, mas a gente mora no Rio de Janeiro. Então, é uma confusão gigantesca, né? Enfim, mas é quem eu sou", finalizou.
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