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Diário de Notícias

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O remédio que virou o produto mais vendido do Brasil e o que isso diz sobre o nosso consumo

A notícia de mercado e consumo mais reveladora e curiosa desta semana não vem do supermercado nem das lojas de roupa. Vem das farmácias — e ela diz muito sobre como o brasileiro está gastando seu dinheiro em 2026.

Em 2026, oito dos dez produtos mais vendidos em toda a cadeia farmacêutica brasileira pertencem à categoria de emagrecedores injetáveis, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. Nunca antes na história do consumo nacional um único tipo de produto dominou o topo das vendas com tanta força.

Os números do mercado explicam por quê: o segmento brasileiro de medicamentos à base de GLP-1 deve movimentar perto de R$ 20 bilhões em 2026 — quase o dobro dos R$ 11 bilhões registrados em 2025.

E o grande gatilho para essa virada foi uma data específica: a patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, expirou no dia 20 de março de 2026, abrindo caminho para versões genéricas e similares mais baratas chegarem ao mercado.

O contraste com o restante do consumo é impressionante. Enquanto as farmácias explodem em vendas, mesmo com um PIB em alta de 2,3%, crescimento da renda de 3,8% e desemprego em apenas 5,2%, o consumo das famílias brasileiras avançou apenas 1,3% — o que evidencia um orçamento doméstico cada vez mais pressionado. A participação dos produtos de abastecimento do lar no orçamento familiar caiu de 23,2% em 2023 para 21,9% em 2025, enquanto dívidas e gastos secundários cresceram.

O retrato final é curioso e contraditório: o brasileiro está comprando menos comida, menos roupa, menos eletrodoméstico — mas está gastando cada vez mais com um remédio que promete fazê-lo comer menos. O consumo de 2026 tem cara de injeção.

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