A OpenAI anunciou em 27 de agosto a abertura de sua operação comercial no Brasil, com escritório em São Paulo. Trata-se da primeira sede da empresa no continente americano fora dos Estados Unidos, uma decisão justificada pelo desempenho do país nos indicadores de uso do ChatGPT. O Brasil é hoje o terceiro maior mercado global do assistente em usuários ativos semanais.
Os números apresentados pela companhia ajudam a explicar o movimento. Os usuários brasileiros enviam cerca de 215 milhões de mensagens por dia à ferramenta, e a base de usuários praticamente dobrou nos últimos doze meses. O perfil de uso também se destaca: 35% das mensagens têm relação com trabalho, acima da média global de 30%. Entre essas, mais da metade pede execução de tarefas ou a entrega de algum resultado concreto, e não apenas informação. O país lidera ainda o ranking mundial de uso da geração de imagens e está entre os cinco maiores em recursos de voz e ditado.
O ecossistema de desenvolvedores é outro pilar da estratégia. O Brasil ocupa a segunda posição mundial em número de programadores que usam a API da OpenAI e é o maior mercado latino-americano do Codex, ferramenta de programação assistida da empresa. Desde o início de 2026, os usuários semanais do Codex no país cresceram onze vezes, enquanto as interações diárias aumentaram quase trinta vezes. No segmento corporativo, as licenças do ChatGPT Enterprise quintuplicaram em um ano, colocando o Brasil entre os dez principais mercados empresariais da companhia.
Junto ao anúncio, a OpenAI divulgou uma série de parcerias institucionais. O ITA passará a oferecer o ChatGPT Edu a alunos, professores e funcionários; o IMPA conduzirá pesquisas sobre transformação institucional com inteligência artificial; e o Hospital das Clínicas da USP desenvolverá um protótipo de infraestrutura de informação clínica. Há ainda acordos com a ENTER, para um programa nacional de letramento em IA voltado a profissionais do direito, com a Estímulo, para capacitação gratuita de micro e pequenos empreendedores, e com a Prefeitura de São Paulo, por meio da Prodam, para uso da tecnologia na administração municipal. Um estudo independente do RegLab citado pela empresa projeta que a inteligência artificial pode adicionar cerca de R$ 1 trilhão à economia brasileira até 2030.
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