O petróleo voltou a subir nesta quarta-feira, 19, e o barril do Brent operou na casa dos US$ 91,60, em alta de cerca de 0,7% e na quarta sessão consecutiva de valorização. O movimento é alimentado pela ausência de qualquer avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado desde fevereiro. No acumulado de doze meses, a commodity já sobe mais de 37%, e só no último mês avançou perto de 3%.
Os estoques americanos deram pouco alívio: houve queda de 328 mil barris na semana mais recente, depois de um salto de 9,07 milhões de barris na semana anterior. Com a oferta condicionada a um desfecho diplomático que não chega, o mercado segue precificando risco geopolítico. Projeções apontam para uma média em torno de US$ 90 no terceiro trimestre, com cenários de doze meses que chegam à casa dos US$ 104.
Nas bolsas asiáticas, o dia foi de perdas generalizadas. O sul-coreano Kospi despencou 5,80%, aos 6.471,17 pontos, no pior desempenho da região. O japonês Nikkei recuou 3,16%, aos 65.326,42 pontos, e o Xangai Composto caiu 2,40%, aos 3.894,42. Shenzhen perdeu 4,86%, o Taiex cedeu 1,30% e o australiano S&P/ASX 200 fechou praticamente estável, em queda de 0,18%. O Hang Seng, em Hong Kong, foi a exceção, com alta marginal de 0,09%.
A combinação que derrubou os índices vai além do petróleo. Wall Street encadeou três pregões de perdas em meio à renovada desconfiança sobre as avaliações das empresas ligadas a inteligência artificial, e o efeito se propagou para a Ásia. No Japão, os juros dos títulos públicos se aproximaram das máximas em três décadas, acima de 2,9%, refletindo a aposta de que o Banco do Japão precisará elevar mais os juros para conter a inflação, pressionada, entre outros fatores, justamente pela energia mais cara.
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