O tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, decidiu contar, em livro, o que viveu entre abril de 2021 e janeiro de 2023, no comando da Força Aérea Brasileira.
O tenente brigadeiro foi uma das testemunhas de acusação no processo em que Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Baptista Júnior o comando da FAB em meio a uma crise institucional nos comandos militares.
Durante as investigações, o tenente brigadeiro confirmou à Polícia Federal (PF) que o então presidente apresentou aos comandantes militares o esboço de um decreto para impor um estado de exceção no País.
No Livro Eu Disse Não: Uma Trincheira Antigolpista (ed. Autêntica, 242 pág), que será lançado em setembro, ele conta que só entre 3 de outubro e 14 de dezembro, os comandantes das três Forças foram chamados doze vezes ao Ministério da Defesa. Os chefes das três Forças tiveram seus afazeres desviados da caserna para discutir a eleição durante todo aquele ano.
A estratégia do brigadeiro e do então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, era ganhar tempo diante das pressões para que embarcassem em uma aventura golpista.
Piloto de caça com mais de 4.500 horas de voo e quase cinco décadas de carreira na Força Aérea, que iniciou em 1975, Baptista Junior narra com a segurança e autoridade de quem esteve na sala de decisão - não como espectador, mas como um dos atores que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.
O testemunho do oficial foi crucial nos autos da ação penal 2668, no Supremo Tribunal Federal, que impôs ao ex-presidente a pena de 27 anos e três meses de reclusão. O julgamento foi concluído em setembro do ano passado.
Baptista Júnior é filho de Carlos de Almeida Baptista, tenente brigadeiro que comandou a Aeronáutica entre 1999 e 2003. O oficial da reserva ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em 1975, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epscar). Até assumir o comando da Força, acumulou quatro mil horas de voo, com especialidade em ações de reconhecimento e caça.
Baptista Júnior assumiu o comando da Aeronáutica em abril de 2021, após uma crise deflagrada pela demissão do então ministro da Defesa Fernando Azevedo. A saída do ministro provocou uma debandada no comando das três Forças.
Foi a única vez desde a redemocratização que os três comandantes militares deixaram seus postos ao mesmo tempo, sem que houvesse uma mudança de gestão no governo federal.
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