O SUS passou a contar com sua primeira central de monitoramento remoto de leitos de terapia intensiva. Instalada no Núcleo de Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, na zona oeste de São Paulo, a estrutura acompanha 24 horas por dia os sinais de pacientes internados em UTIs de seis capitais. Nesta primeira etapa, são 60 leitos conectados, e o projeto funciona desde o fim de julho deste ano.
Os hospitais participantes estão em Manaus (Hospital Delphina Rinaldi Abdel Aziz), Recife (Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira), Brasília (Hospital Universitário de Brasília), Belo Horizonte (Hospital das Clínicas da UFMG), Rio de Janeiro (Hospital Universitário Clementino Fraga Filho) e Porto Alegre (Hospital Nossa Senhora da Conceição). A iniciativa é resultado de uma articulação entre o Ministério da Saúde, o governo de São Paulo e a USP, com execução do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI).
Na prática, a equipe da central acompanha indicadores previamente definidos, como pressão arterial, oximetria, frequência cardíaca e parâmetros da ventilação mecânica. Quando algum desses sinais foge do padrão esperado, os profissionais checam outros dados do paciente e acionam a UTI de origem por telefone ou videoconferência para sinalizar o que observaram. Um ponto que o projeto faz questão de reforçar: a central não substitui a equipe local nem prescreve condutas. A decisão sobre o que fazer permanece com quem está à beira do leito, no hospital onde o paciente está internado.
Os planos de expansão são ambiciosos. A previsão é chegar a 280 leitos conectados até o fim de 2026 e a cerca de mil leitos em 2027, com a entrada de cidades como Curitiba, Salvador, Fortaleza, Belém e Dourados (MS). Segundo os responsáveis pelo projeto — coordenado pela professora Ludhmila Abrahão Hajjar, da Faculdade de Medicina da USP —, o acúmulo de dados padronizados e anonimizados deve permitir, mais adiante, o uso de inteligência artificial para identificar padrões associados à piora clínica antes que ela se agrave. Essa etapa, no entanto, ainda é uma expectativa: os resultados dependerão da avaliação do desempenho do sistema ao longo do tempo.
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