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Diário de Notícias

DN.

Tensão no Estreito de Ormuz não arrefece — Irã e EUA mantêm impasse e petróleo opera em alta

O impasse entre Irã e Estados Unidos no Estreito de Ormuz entrou em mais uma semana sem sinal de solução. O principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que a passagem não será reaberta enquanto Washington não implementar os compromissos previstos no protocolo firmado em junho, desdobramento da trégua assinada em 8 de abril entre os dois governos. O bloqueio da via marítima começou em 28 de fevereiro e já se aproxima do sexto mês.

Na prática, o Irã não interrompeu totalmente a navegação, mas impôs um regime de controle: embarcações precisam solicitar autorização prévia e pagar tarifas de trânsito para cruzar o estreito, por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Negociações intermediadas por Omã sobre rotas autorizadas seguem em andamento, sem acordo fechado. Teerã condiciona a normalização à suspensão do bloqueio naval americano, ao descongelamento de ativos iranianos no exterior, ao fim do embargo às exportações de petróleo e à interrupção das operações militares em curso.

Do outro lado, o presidente Donald Trump confirmou que o bloqueio naval americano permanece ativo e voltou a pressionar o governo iraniano a se render, mencionando o custo político que o encarecimento dos combustíveis lhe impõe internamente. Trump também ameaçou atacar Omã caso o país crie obstáculos às negociações, declaração que gerou desconforto entre aliados regionais e complica o papel de mediador que Mascate vinha exercendo desde abril.

O efeito imediato aparece no mercado. Com a expectativa de reabertura adiada mais uma vez, o barril do Brent acumulou nesta semana sua quarta sessão consecutiva de valorização, sustentado pelo receio de que qualquer incidente na região interrompa fisicamente o fluxo. Analistas avaliam que, enquanto não houver gesto concreto de nenhum dos lados, o prêmio de risco embutido no preço do petróleo deve permanecer, com repercussão direta sobre inflação, câmbio e política monetária em países importadores, o Brasil entre eles.

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