A jogadora Tifanny Abreu se manifestou publicamente contra a nova política de elegibilidade aprovada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), que restringe a disputa de competições femininas a atletas designadas com o sexo biológico feminino ao nascer. A mudança foi anunciada na sexta-feira, 14 de agosto, e classificada pela atleta como “um enorme retrocesso”.
Pela nova norma, a participação em torneios femininos passa a exigir a apresentação de resultado negativo para o gene SRY. O critério substitui o modelo anterior, que autorizava a competição de atletas trans desde que mantivessem os níveis de testosterona abaixo de um limite determinado. Segundo a entidade, a alteração busca alinhar o regulamento nacional às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Voleibol.
Aos 41 anos, Tifanny é a primeira atleta trans a disputar a Superliga brasileira e se tornou, em 2025, a primeira a conquistar o torneio nacional. Em suas redes sociais, afirmou que a decisão inviabiliza a continuidade de sua carreira: “A CBV está tirando tudo o que eu tenho, que é o amor pelo voleibol e a profissão que eu venho exercendo todos esses anos.”
O caso reacende um debate que divide o esporte mundial. Defensores da restrição argumentam que o critério busca preservar a competitividade na categoria feminina; entidades de direitos humanos e parte da comunidade esportiva sustentam que regras desse tipo excluem atletas que já cumpriam todos os protocolos vigentes. A repercussão deve seguir nas próximas semanas, com a temporada de competições nacionais se aproximando.
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