O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, em entrevista ao El País, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "está jogando um jogo muito errado". Segundo o petista, Trump "acha que o poder econômico, militar e tecnológico dita as regras do jogo", mas ele prefere "ser um líder respeitado, e não temido".
"(Trump) está jogando um jogo muito errado. Parte da premissa de que a força econômica, militar e tecnológica americana determina as regras do jogo. Mas não pode ser, porque, no fundo, acaba criando problemas para os Estados Unidos. Quando decidiu atacar o Irã, não sei se percebeu que o preço do combustível iria aumentar e quem pagaria seria o povo", disse o presidente.
Lula repetiu críticas que tem feito há anos sobre o Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas. Disse que "incomoda muito" que o conselho, "criado para manter a paz, faça a guerra", referindo-se ao fato de que vários países que são membros permanentes do conselho estarem em conflito, como os Estados Unidos e a Rússia, por exemplo.
O líder brasileiro Cobrou mudanças nas Nações Unidas e disse que "os senhores da paz se transformaram nos senhores das guerras" e que "é como se o mundo fosse um navio à deriva". Também cobrou o fim do direito de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança e falou que "a geopolítica de 1945 não vale para 2026". Falou que uma eventual terceira guerra mundial "seria dez vezes mais devastadora que a segunda".
"Trump não tem o direito de levantar-se de manhã e ameaçar um país. Não foi eleito para isso e a sua constituição não permite isso. É fundamental que os poderosos tenham mais responsabilidade em manter a paz", afirmou, reforçando que Trump precisa definir "que tipo de líder quer ser".
Lula também criticou o presidente norte-americano por causa das tarifas aplicadas sobre o Brasil no ano passado. Disse ter ficado "impressionado que os argumentos dele para impor as tarifas não eram verdadeiros". Fez um relato sobre uma das conversas que teve com o norte-americano que tem repetido em vários discursos: disse a Trump que "dois senhores de 80 anos deveriam conversar com maturidade" e que "não temos de estar de acordo ideologicamente".
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