O varejo brasileiro emendou o segundo mês consecutivo de crescimento em julho. As vendas avançaram 0,9% na comparação com junho e 4,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com o Índice de Varejo da Stone (IVS). O resultado reforça a leitura de que o consumo das famílias segue resiliente, ainda que em ritmo desigual entre os setores.
O mercado de trabalho aquecido é o principal sustentáculo desse movimento. A taxa de desemprego chegou a 5,4% em junho, o menor patamar já registrado para o mês na série histórica, e a renda dos trabalhadores continuou subindo. Com mais gente empregada e salários em recuperação, a demanda por bens de consumo cotidiano se manteve firme mesmo em um cenário de crédito caro.
Cinco dos oito segmentos acompanhados cresceram no mês. Farmácias lideraram, com alta de 2,5% ante junho e 5% no ano, seguidas por combustíveis e lubrificantes (2,1% e 9,1%) e supermercados e alimentos (1,6% e 7,4%). Na ponta oposta, vestuário e calçados registraram a maior queda, de 4,1% no mês e 5,6% no ano — o único grupo que ainda opera abaixo do nível de 2025. Móveis e eletrodomésticos recuaram 2,2% em julho, depois de dois trimestres de ganhos, mas seguem 0,8% acima de um ano atrás.
A distribuição geográfica também mostra fôlego: 24 das 27 unidades da federação cresceram na comparação anual, com Roraima liderando (18,2%) e a região Norte no topo do recorte regional (6,6%). O contraponto está no custo do dinheiro. Segundo o economista Guilherme Freitas, o ciclo de redução dos juros tende a contribuir para uma melhora das condições financeiras, mas os efeitos levam tempo para chegar à ponta. Enquanto isso, o endividamento recorde das famílias continua limitando justamente as categorias que dependem de parcelamento — o que explica o desempenho fraco de móveis, eletrodomésticos e vestuário.
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