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Copa está à venda? Entenda movimento da Fifa para capitalização da entidade e federações

A Fifa não recebe investimentos privados para gerir o futebol mundial. A nova ideia da gestão Infantino é criar a Fifa Forward Enterprise, uma empresa que teria esse papel. O projeto ainda depende de aprovação, mas já é visto com maus olhos pela Uefa, cujas integrantes já falam até em boicote à Copa do Mundo caso o plano se concretize.

O QUE É A FIFA FORWARD ENTERPRISE?

A FFE seria uma empresa privada controlada pela Fifa. Participações minoritárias seriam vendidas ao mercado privado, podendo gerar US$ 4,2 bilhões (R$ 21,4 bilhões). Segundo a entidade, como ela continuaria como sócia majoritária, permaneceria com o controle de governança do futebol.

POR QUE A UEFA CRITICA A IDEIA?

A entidade europeia já se mostrou contra. A Uefa já vive em rota de colisão com o presidente da Fifa, Gianni Infantino. "A alma e a governança do futebol não são ativos para negociar - especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo", disse em comunicado.

Algumas federações europeias discutem um boicote à Copa do Mundo de 2030 caso a proposta seja aprovada, segundo a emissora britânica Sky News. Uma reunião de emergência vai debater a articulação da oposição à ideia.

Como tudo ainda depende de aprovação, não há oficialmente interessados em investir na FFE. A Fifa, porém, já coloca a Thrive Eternal, uma holding de capital permanente, como líder do grupo de investidores. A companhia é de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump.

Há um temor de que os investidores possam ter influência nos torneios, como a Copa do Mundo. Uma forma de isso acontecer seria uma imposição para aumento de seleções.

Infantino, responsável por aumentar os participantes de 32 para 48 em 2026, já sinalizou a ideia de 64 times. Aumentar o número de participantes é uma maneira de conquistar apoio entre associados da Fifa.

O presidente da Fifa está no segundo mandato, até 2027. Se for reeleito mais uma vez, terá seu último triênio permitido no estatuto. Entretanto, nada impediria que Infantino atuasse na FFE e, na prática, com poder na entidade.

O QUE É PRECISO PARA QUE A FFE TENHA A CRIAÇÃO APROVADA?

Quem aprova a proposta é o Conselho da Fifa e as 211 federações nacionais. A Fifa propõe pagar US$ 10 bilhões (R$ 51,1 bilhões) pela aprovação. Cada associada receberia pagamentos em ciclos, financiados pela FFE.

Imediato e opcional: US$ 20 milhões para projetos especiais por meio do novo Fifa Fast Forward Programme (FFFP).

2027 a 2030: US$ 20 milhões em verba, aumento de US$ 12 milhões em relação ao orçado atualmente

2031 a 2034: US$ 22 milhões

2035 a 2038: US$ 24 milhões

O MODELO JÁ É USADO EM OUTROS ESPORTES?

A proposta não tem um precedente exato entre entidades sem fins lucrativos. Há modelos semelhantes em outros esportes. Um exemplo é a Fórmula 1, que tem o investimento externo liderado pela Liberty Media desde 2017. O CEO da companhia na época da compra, Greg Maffei, tem sido consultor comercial da Fifa na elaboração da FFE.

A Liberty Media atrai capital e negocia os direitos de transmissão das corridas. Outra forma de capitalização é como a Fifa pretende fazer, com investidores que comprem participações minoritárias de equipes (o chamado "private equity").

A gestora de ativos Ares Management, gestora de ativos, tem participações no GP de Miami de Fórmula 1. A empresa também comprou 10% dos Miami Dolphins, da NFL. Esse último negócio só foi possível porque a liga de futebol americano passou a permitir o private equity em 2024.

No primeiro ano, três empresas ingressaram como parceiras de franquias da liga, incluindo a Ares Management. Essa possibilidade, porém, também aqueceu as propostas feitas por pessoas físicas e grupos familiares. Na época, os New York Giants valorizaram 34%, saltando da quarta para a terceira franquia mais valiosa, atingindo US$ 10,5 bilhões, sem private equity.

O rúgbi também serve como paralelo ao projeto da Fifa. O Six Nations, principal torneio da modalidade, tem suas ações divididas em sete partes. As federações de Inglaterra, França, Irlanda, Itália, Escócia e País de Gales têm, juntas, 6/7. A última participação é da CVC, gestora de private equity, que pagou, em 2021, 365 milhões de libras pelo negócio.

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