De herói do western a grande autor

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No começo dos anos 1970, Clint Eastwood era o durão de Hollywood que as feministas de todo o mundo amavam odiar. A par de ter sido o protagonista da trilogia do Estranho Sem Nome, que consolidou Sergio Leone, na Itália, como grande nome do spaghetti western, ele voltara aos EUA para se converter em astro nos filmes de Don Siegel. Surgiram Meu Nome É Coogan, Os Abutres Têm Sede e o primeiro Dirty Harry, Perseguidor Implacável. Em 1971, o próprio Clint converteu-se em diretor.

Antes cabe dizer que ele foi à Itália porque se tornara conhecido com uma série de western na TV, Rawhide, e ainda custava barato para os produtores. Diretor, fez um thriller psicanalítico (Perversa Paixão), uma retomada, na América, do personagem de Leone (O Estranho Sem Nome) e o romântico Interlúdio de Amor.

Clint não estava só satisfazendo um capricho, como outros astros que também viraram diretores - Burt Lancaster, Kirk Douglas, John Wayne. No Dicionário de Cinema, Jean Tulard inicia seu verbete sobre ele com uma observação pertinente.

Quem iria imaginar que o herói mal barbeado e fumando a eterna cigarrilha dos spaghetti westerns de Leone se transformaria num dos mais importantes autores do seu tempo? Pois foi o que ocorreu.

Na direção, Clint volta e meia pagou tributo ao western. Considerado o gênero por excelência do cinema americano, o popular bangue-bangue esculpiu uma visão idealizada da conquista do Oeste. O imbróglio de Portal do Paraíso, de 1980, quando Michael Cimino foi acusado de levar a United Artists à bancarrota, tornou o western maldito. Foi transferido para as estrelas - na série Star Wars. Raros autores insistiram em percorrer as trilhas do Wild West, atores/diretores como Clint e Kevin Costner, que ganhou os Oscars de filme e direção de 1990, por Dança com Lobos. Clint também recebeu seus primeiros Oscars - de filme e direção - por um bangue-bangue, Os Imperdoáveis, de 1992. Entre 1972 e 92, fez também o barroco Josey Wales, o Fora da Lei e O Cavaleiro Solitário, recriando o imortal Shane do western clássico de George Stevens, Os Brutos Também Amam.

O próprio Clint parecia haver desistido do western. Cry Macho marca um retorno. Não é um bangue-bangue legítimo, mas se inscreve na tradição do gênero, e nisso é primo-irmão de outro Clint, de 1980, contemporâneo da monumental extravagância de Cimino. Bronco Billy está mais na essência dos espetáculos itinerantes do lendário William Cody (e que Robert Altman transformou em Buffalo Bill e os Índios/West Selvagem, de 1976). Um circo itinerante, um velho mocinho bêbado e o toldo que reproduz a bandeira remendada dos EUA. Nesse picadeiro, o republicano Clint mostra a diversidade que fez a grandeza da América e acolhe até o desertor da Guerra do Vietnã. Cry Macho, na fronteira mexicana, é sobre a tradição - no cinema e na vida. O velho astro de rodeios, o garoto rebelde e a mexicana de coração grande que os acolhe. Nonagenário, Clint acredita cada vez menos no próprio mito. Como sempre que ele se volta para o universo do western, é para dar lições críticas sobre os EUA.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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A produtora 3LM Entretenimento anunciou nesta quinta-feira, 9, o cancelamento de quatro shows da turnê Acústico 20 Anos, da banda Ira!, nas cidades de Caxias do Sul, Jaraguá do Sul, Blumenau e Pelotas.

Segundo a empresa, a motivação foram os diversos pedidos de cancelamento de ingressos adquiridos e desistência de patrocinadores para as apresentações nestas cidades, após polêmica envolvendo o cantor Nasi ocorrida em show do grupo em Contagem, no dia 29 de março.

O Estadão solicitou um posicionamento por meio da assessoria do artista sobre os cancelamentos, mas não obteve retorno até o momento.

Na ocasião, segundo relato publicado no X, antigo Twitter, um grupo da plateia começou a vaiar em direção ao palco após Nasi gritar "sem anistia!", manifestando-se em relação aos ataques antidemocráticos ocorridos em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023. Diante disso, o vocalista declarou que muitas pessoas vão aos shows sem que entendam o posicionamento do grupo, e pediu para que essas pessoas se retirassem.

"A vocês que estão vaiando, eu vou falar uma coisa para vocês. Tem gente que acompanha o Ira! mas que nunca entendeu o Ira!. Tem gente que acompanha a gente e é reacionário, tem gente que acompanha o Ira! e é bolsonarista. Isso não tem nada a ver, gente. Por favor, vão embora, vão embora da nossa vida! Vão embora e nunca mais voltem em show, não comprem nossos discos, não apareçam mais. É um pedido que eu faço", disse o artista de 63 anos.

Pouco mais de um ano depois de deixar a direção de Pânico 7, Christopher Landon explicou sua decisão de se demitir da produção. Em entrevista à Vanity Fair, o cineasta afirmou que recebeu uma série de ameaças à sua vida e à de sua família após a demissão de Melissa Barrera, desligada do filme por criticar as ações de Israel contra a Palestina.

"Eu não a demiti", reforçou Landon na entrevista. "Muita gente acha que teve dedo meu na decisão, mas não foi por minha causa. Não tinha nenhum controle sobre a situação. Acho que na falta de pessoas que entendam como Hollywood funciona, fãs pensaram 'foi esse cara' e vieram para cima de mim com facas nas mãos."

A situação se agravou ao longo de novembro de 2023, quando Landon começou a receber mensagens ameaçando ele e sua família - ele é casado com Cody Morris, com quem tem dois filhos de cinco e oito anos de idade. "O FBI se envolveu [no caso]. Recebia mensagens falando 'vou encontrar seus filhos e matá-los porque você apoia a morte de crianças. A segurança de vários estúdios e o FBI tiveram que analisar as ameaças. Foi muito agressivo e assustador."

Landon lembra que o estúdio tentou mantê-lo no projeto mesmo após as saídas de Barrero e Jenna Ortega, que deixou o projeto em apoio à colega. "A quantidade de abuso com a qual eu tive que lidar - decidi que não queria continuar assim. Para mim, não valia a pena."

"No meio de todo aquele caos, eu fiquei de luto pela perda de um dos meus trabalhos dos sonhos", seguiu o cineasta. "Passei por todas as fases [do luto] - fiquei chocado, triste e então fiquei bravo. [Queria] fazer parte deste legado. Foi muito difícil desistir", concluiu, dizendo que só agora sente que consegue falar sobre o assunto.

Barrera foi demitida de Pânico 7 pela Spyglass em novembro de 2023, após acusar Israel de "genocídio e limpeza étnica" pelos ataques do país ao povo palestino em retaliação ao atentado do Hamas em 7 de outubro. Um dia depois, o estúdio anunciou a saída de Ortega do filme, afirmando "problemas de agenda".

Recentemente, Ortega negou que conflitos de calendário tenham feito ela deixar Pânico 7, reiterando que largou a produção por causa da demissão de Barrera. "Não teve nada a ver com agenda ou salário", disse a atriz ao The Cut. "As coisas com a Melissa estavam acontecendo e tudo estava desmoronando. Se Pânico 7 não fosse com os diretores [Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett] e com as pessoas por quem eu me apaixonei, parecia não ser a melhor coisa para a minha carreira naquele momento."

Pânico 7 tem estreia marcada para fevereiro de 2026, agora sob direção de Kevin Williamson, roteirista do filme original de Wes Craven. O elenco conta com o retorno de Neve Campbell, intérprete da protagonista Sidney Prescott, que ficou de fora do sexto longa.

Gracyanne Barbosa, ex-participante do BBB 25, contou na tarde desta quarta-feira, 9, que está tendo dificuldade em retomar os treinos pesados após o confinamento. No reality, a musa fazia exercícios todos os dias, mas não na mesma intensidade na qual está acostumada. Em sua rede social, a musa escreveu que está sendo muito desafiador voltar a treinar e não lembrava como era sentir essa dor.

"Vocês não têm noção da dor que eu estou sentindo. Quando a gente está destreinada é uma m... Parece que tem uma faca entrando no meu bumbum. Eu não consigo nem ficar sentada na cadeira abdutora porque está doendo muito", disse em um vídeo.

Ela continuou o relato: "É o meu primeiro treino de glúteo de verdade, que consegui colocar um pouco mais de carga e com menos descanso, mas está insuportável".

A musa também lembrou os apertos para tomar banho no confinamento. "Além da dificuldade de tomar banho de biquíni, que parecia que não limpava direito, também não podia tomar vários banhos. Só pode tomar um banho por dia e tem dia que não dá para lavar a cabeça, como quando tá no Tá Com Nada", lembrou.

Gracyanne revelou ainda que perdeu um encontro na noite de ontem, 8, por conta do atraso em uma sessão de fotos. A musa está solteira desde o fim do seu relacionamento com Belo, em 2024.