'Pequeno manual antirracista' vira peça de teatro; veja onde assistir

Geral
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
A filósofa e escritora Djamila Ribeiro gosta de dizer que seu livro Pequeno Manual Antirracista "furou a bolha" ao ser lido e estudado em escolas, empresas e virar até presente de amigo secreto. A obra agora ganha outra linguagem e novas perspectivas ao se transformar em uma peça de teatro.

O espetáculo Pequeno Manual Antirracista - A peça chega ao Centro Cultural São Paulo após uma bem-sucedida temporada em Salvador (BA), com todas as sessões esgotadas. Por aqui também é preciso correr - as reservas online do ingresso já acabaram; os bilhetes só estão disponíveis na bilheteria física.

Com texto e direção do ator, diretor e dramaturgo Aldri Anunciação, o espetáculo é uma adaptação livre do texto vencedor do Prêmio Jabuti de Ciências Humanas e que se tornou quase obrigatório quando se fala de educação antirracista no País.

"Fico muito feliz quando outras linguagens se interessam pelo Pequeno Manual porque acho que conseguimos comunicar e tocar as pessoas de outra forma. Acredito que o teatro tenha esse poder da narrativa, de levar as pessoas para uma reflexão em outro lugar que muitas vezes nós, escritores de não ficção, não conseguimos", diz Djamila.

Anunciação revela que a obra começou a cativá-lo logo a partir do título. "O que me estimulou a mergulhar especificamente no Pequeno Manual Antirracista, transformando essa obra não ficcional numa ficção, foi justamente o componente irônico desse título", explica um dos roteiristas do filme "Medida Provisória", de 2020. "Precisarmos de um manual para fazer com que as pessoas se relacionem no Brasil é de uma crítica social imensa".

O diretor conta que a peça é uma confluência de suas vivências pessoais e trechos das biografias de Djamila e da atriz Luana Xavier, protagonista do espetáculo. "O processo de escrita foi baseado na pesquisa sobre as motivações que levaram a autora original a escrever o livro, misturando aspectos da minha vida pessoal, pedaços biográficos também da Djamila, assim como da atriz Luana Xavier".

Trata-se de um monólogo onde a professora de ensino médio Bell vê sua aula interrompida por causa de uma manifestação fora da escola. Confinada na sala, a educadora fala com sua turma - a plateia - sobre racismo estrutural, negritude, branquitude e, sobretudo, a luta antirracista.

Bell é vivida por Luana Xavier, neta da atriz Chica Xavier e uma das apresentadoras do programa Saia justa, do canal GNT, em 2022. "Pequeno Manual Antirracista apareceu num momento em que eu precisava retornar ao teatro. Teatro é a minha base. Meu desabrochar foi no teatro. É o lugar onde eu realmente me reconecto", aponta a atriz, que esteve em obras como "Dona Flor e seus dois maridos" e "Sessão de Terapia". "Podendo fazer ativismo através da minha arte encontrei a ferramenta que eu precisava para existir e para resistir", diz Luana, que vive seu primeiro monólogo no teatro.

Produção e controle das narrativas negras

O espetáculo é um projeto do Ministério da Cultura por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura com patrocínio do Instituto Cultural Vale e co-realização da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, Prefeitura de São Paulo e Centro Cultural São Paulo.

A produção é da Melanina Acentuada Interactions, fundada pelo próprio Aldri Anunciação para fomentar e produzir "ideias narrativas a partir da criação de criadoras e criadores negros". Atualmente desenvolve seu primeiro projeto de série para streaming.

"Os segmentos identitários, indígenas, negros, negras, mulheres, estão cada vez mais promovendo as produções de suas narrativas. É importante que a gente tome controle mesmo. O surgimento da Melanina Acentuada vem com esse objetivo de fazer com que a gente não terceirize mais nossas histórias e a gente crie, escreva e produza as nossas próprias narrativas".

Para dar visibilidade a essas narrativas, Aldri criou também a Melanina Digital, portal que cataloga as narrativas dramatúrgicas negras. "Ali, você consegue perceber que tem uma série de escritores ficcionistas negros em diversos níveis e momentos de sua carreira. Esse é o objetivo: difundir e divulgar os trabalhos da Melanina Acentuada e também catalogar outros criadores que estão conduzindo suas narrativas sempre no segmento da negritude".

* Este conteúdo por produzido em parceria com a produtora Melanina Acentuada Interactions, voltada para fomentar narrativas dramatúrgicas de criadores negros e negras

Serviço

Pequeno Manual Antirracista - A Peça"

Temporada São Paulo: 4 a 14 de abril de 2024

Sessões: 4 a 7 de abril, quinta a domingo às 20h

11 e 12 de abril, quinta e sexta às 20h

13 e 14 de abril, sábado e domingo às 16h e 20h

Local: Teatro do CCSP (Centro Cultural São Paulo)

Endereço: Rua Vergueiro, 1000 - Liberdade, São Paulo

Ingressos: gratuitos

Como retirar os ingressos: esgotados (no site) - Entrega somente na bilheteria presencial, enquanto houver disponibilidade.

Horário da bilheteria física: Terça a sábado das 13h-22h / Domingos e feriados 12h-21h

Classificação: 12 anos

Em outra categoria

Helen Mirren e Pierce Brosnan reacenderam o debate sobre a forma como a franquia 007 retrata as mulheres. Em entrevista ao jornal The London Standard, Mirren criticou a saga de espionagem britânica, afirmando que a história de James Bond é "encharcada de sexismo" e que nunca foi fã do personagem. Apesar de admirar atores que já viveram o espião, como Brosnan e Daniel Craig, a atriz reforçou que preferiria ver novas histórias de espiãs no cinema, em vez de uma reformulação feminina do agente secreto.

"As mulheres sempre foram uma parte importante e incrivelmente importante do Serviço Secreto, elas sempre foram. E muito corajosas. Se você ouvir sobre o que as mulheres fizeram na resistência francesa, elas são incrivelmente, inacreditavelmente corajosas. Então eu contaria histórias reais sobre mulheres extraordinárias que trabalharam naquele mundo", argumentou Mirren.

Pierce Brosnan, que interpretou James Bond entre 1995 e 2002, surpreendeu ao concordar, ainda que parcialmente, com a crítica da colega. Em entrevista à revista People, o ator admitiu que há espaço para discutir o sexismo na franquia, mas destacou que a narrativa segue os moldes estabelecidos pelo criador da saga, Ian Fleming.

"Sim, há um certo acordo aí, mas também há um mundo e um espaço definidos dentro do arco que Ian Fleming construiu. Então, sempre haverá conflito", afirmou Brosnan, sugerindo que, apesar das críticas, a franquia mantém sua identidade original.

Preta Gil usou as redes sociais nessa quarta-feira, 2, para agradecer ao apoio dos amigos após ser internada no Rio de Janeiro. A cantora, que passa por um tratamento oncológico, destacou a importância da rede de apoio que tem estado ao seu lado nos últimos dois anos.

Em um vídeo publicado nos stories, Preta registrou a troca de acompanhantes no hospital. "Ela está passando o bastão do plantão", brincou, enquanto mostrava a interação entre Gominho e Jude Paula. A cantora ainda fez questão de expressar sua gratidão aos amigos e legendou: "Dois anos eles cuidando de mim e não cansam. Obrigada, meus amores, Jude Paula, Gominho, Malu Barbosa, Soraya Rocha e Julia Sampaio."

Minutos depois, Francisco Gil, filho de Preta, também apareceu no quarto e a cantora brincou: "Os meninos se sentiram meio… É que eu falei das meninas que são minhas cuidadoras e não falei de vocês. E tem os meninos também. Não podemos arrumar confusão com ninguém."

A assessoria da artista confirmou que a internação foi necessária para a realização de exames e administração de uma medicação que exige ambiente hospitalar. Apesar disso, a cantora deve receber alta ainda nesta semana.

Preta Gil foi diagnosticada com câncer no intestino em janeiro de 2023 e, desde então, vem passando por tratamento contra a doença. No domingo, 30, a filha de Gilberto Gil participou do Domingão com Huck, e revelou que viajará para o exterior para dar continuidade ao tratamento. "No Brasil, já fizemos tudo o que podíamos, agora minha chance de cura está no exterior, e é para lá que eu vou."

No ar em Vale Tudo como Heleninha, Paolla Oliveira passou por uma preparação intensa para o papel. Para interpretar a artista plástica que luta contra o alcoolismo - interpretada por Renata Sorrah na trama original - a atriz frequentou reuniões do Alcoólicos Anônimos.

A organização voluntária realiza encontros para que pessoas compartilhem experiências sobre o processo de superação da dependência, ajudando umas às outras a manter a sobriedade.

"Fui muito bem recebida tanto em reuniões gerais, como as exclusivas para mulheres", contou Paolla em entrevista ao jornal Extra. "Há 30 anos, já era moderno tratar o alcoolismo do ponto de vista de uma mulher. Hoje, esse assunto ainda toca muito. Porque o estigma é ainda maior para a mulher, para as mães, e como elas sofrem mais que os homens. A moral da sociedade pesa mais para elas", acrescentou a atriz.

A expectativa de Paolla é que o remake de Vale Tudo seja uma oportunidade de ampliar o debate sobre a dependência. "Nos dias de hoje, conseguimos ver como uma doença. Temos uma consciência de que não é piada determinada situação. Ficarei feliz se a personagem conseguir levantar essas questões", avalia.

A atriz continua: "Estamos vivendo uma era com muitos transtornos psicológicos, uma busca por aliviar desconfortos do mundo, e cada vez aparecem mais formas para isso... O álcool é uma dessas opções e é uma droga tão presente e próxima de todos nós. Vai ser interessante aproximar de todos essa discussão."

A preparação empenhada por Paolla também incluiu o auxílio de preparadores de interpretação e aulas de pintura, já que a personagem, filha da vilã Odete Roitman, é artista. Foi Paolla quem procurou a direção da emissora e pediu para fazer o teste para Heleninha. "Talvez sirva de incentivo para as pessoas irem atrás dos sonhos. Eu nunca sou pensada como primeira opção para nada. Vi como um desafio, o teste veio e estou aqui. Acho que valeu a pena arriscar", disse ao Extra.