Presidente turco pede apoio a cessar-fogo e diz que operações de Israel equivalem a 'genocídio'

Internacional
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O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu nesta sexta-feira, 20, que todos os Estados e organizações internacionais apoiem "sinceramente" as iniciativas para estabelecer um cessar-fogo humanitário em Gaza o mais rapidamente possível. Em pronunciamento, o líder reiterou o apelo à administração israelense para que não alargue o âmbito dos seus ataques contra civis, e para que pare imediatamente as suas operações em Gaza, que, segundo Erdogan equivalem a "genocídio".

"Em vez de voltar atrás face ao seu erro e agir com razão de Estado, a administração israelense está agindo como uma organização instigada por atores não-regionais", disse. "A nossa região precisa ser salva o mais rapidamente possível desta insanidade, encorajado pelos países ocidentais e no qual os meios de comunicação ocidentais competem para a legitimar", acrescentou.

"Acreditamos que a nossa região alcançará uma estabilidade permanente com o estabelecimento de novos mecanismos que garantirão a segurança dos muçulmanos, judeus, cristãos e de todos os que vivem nestas terras", afirmou o presidente. Segundo ele, a Turquia continuará a fazer a sua parte para evitar que mais sangue inocente seja derramado, para evitar mais tragédias humanitárias e para resolver os conflitos na Palestina antes que cheguem a um ponto sem retorno.

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes aplicou uma nova multa de R$ 15 mil ao blogueiro Allan Lopes dos Santos por violar medidas cautelares impostas pela Corte. Mesmo foragido da Justiça e com contas bloqueadas por decisão judicial, Allan voltou a publicar conteúdos nas redes sociais, incluindo na plataforma X (antigo Twitter). Ele está nos Estados Unidos.

"As condutas do investigado, que insiste em desrespeitar as medidas cautelares impostas nestes autos, revelam seu completo desprezo pelo Poder Judiciário, comportamento verificado em inúmeras ocasiões durante o trâmite deste procedimento e que justificaram a fixação de multa diária para assegurar o devido cumprimento das decisões desta Corte, afirmou o ministro na decisão.

Na decisão, Moraes menciona que, desde 2021, foram determinadas a suspensão de perfis ligados a Allan dos Santos em plataformas como YouTube, Instagram, Facebook e Twitter. Mesmo assim, Allan criou novas contas e manteve publicações que, segundo Moraes, fazem parte de uma estratégia coordenada de ataques ao Estado Democrático de Direito, ao STF, ao TSE, ao Senado e a autoridades públicas.

No último mês, ele fez postagens com acusações falsas e comentários jocosos contra Moraes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, o ministro Gilmar Mendes e o presidente da Câmara, Hugo Motta.

Os conteúdos foram publicados em uma conta verificada no X, seguida por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), como o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).

Allan dos Santos é investigado pelos crimes de organização criminosa, contra a honra, incitação, preconceito e lavagem de dinheiro. Ele é alvo no inquérito das fake news e das milícias digitais.

A Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com um recurso nesta sexta-feira, 4, contra a decisão da 17ª Vara Federal de Brasília que condenou o governo federal a pagar uma indenização ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro por danos morais após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusá-los de sumir com os móveis do Palácio do Planalto.

A AGU alegou que as declarações do petista ocorreram "no contexto do exercício de sua função constitucional e com o objetivo de resguardar o patrimônio público". O órgão afirmou ainda que "por se tratar de uso, conservação e posse de bens públicos, faz-se necessária toda publicidade a inconsistências eventualmente verificadas".

As declarações de Lula e da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, foram feitas no início de 2023, logo após a posse. À época, o casal alegou que o Palácio da Alvorada estava em mau estado de conservação e que diversos objetos teriam desaparecido após a saída de Bolsonaro e Michelle.

Dez meses depois, os 261 itens inicialmente dados como ausentes foram localizados dentro da própria residência oficial. Antes da descoberta, o casal presidencial comprou peças de luxo, justificando a aquisição pela ausência dos objetos

No recurso, a AGU alegou que "foi relatado, simplesmente, o mau estado de conservação de móveis e do ambiente, além da não localização de inúmeros itens, fato constatado pela equipe inventariante ainda sob a gestão do governo anterior".

A AGU também sustentou que "em nenhum momento, a ação proposta apontou, concretamente, uma fala do atual presidente da República por meio da qual ele imputaria diretamente aos autores qualquer conduta criminosa".

Em viagem à Aldeia Piaraçu no Parque do Xingu, no Mato Grosso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi cobrado nesta sexta-feira, 4, pelo cacique Raoni Metuktire sobre apontar um sucessor que continue o "trabalho de proteger os povos indígenas".

No encontro, a liderança indígena destacou que convidou Lula três vezes antes para que ele fosse visitar o território, na Bacia do Rio Xingu, e disse não querer "entrar em contradição" com o presidente.

"Quero pedir ao senhor para pensar no seu sucessor, que tem que ser o próximo presidente da República, para continuar seu trabalho de proteger os povos indígenas e o nosso território", disse em discurso traduzido por um intérprete.

Raoni também advertiu Lula sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, deixando claro que é contra a atividade. "Estou sabendo que lá na foz do rio Amazonas, o senhor está pensando no petróleo debaixo do mar. Penso que não. Essas coisas, na forma que estão, garantem que a gente tenha o meio ambiente e a terra com menos poluição e aquecimento."

No encontro, o presidente concedeu a Ordem Nacional do Mérito no grau Grã-Cruz ao líder indígena, "em razão dos relevantes serviços prestados em defesa dos direitos dos povos indígenas, da Floresta Amazônica e do meio ambiente", segundo consta de decreto publicado no Diário Oficial da União (DOU).

Lula disse que o dia era de homenagem, mas também de "escuta para encaminhamento das soluções". "Sabemos que há muito a ser feito, mas nossas políticas convergem no sentido de assegurar integralmente os direitos indígenas", afirmou.

O cacique fez parte do grupo de pessoas que subiu a rampa do Palácio do Planalto ao lado do presidente na posse do terceiro mandato dele na Presidência.

Lula foi ao território indígena acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e dos ministros Carlos Fávaro, da Agricultura e Pecuária; Marina Silva, do Meio Ambiente; Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário; e Sônia Guajajara, dos Povos Indígenas. Segundo o Planalto, a ideia é a comitiva ouvir as demandas locais sobre a ampliação de programas para os povos indígenas do Xingu.