Israel expande operações no sul de Gaza e agrava crise humanitária na região

Internacional
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times
Forças israelenses expandiram suas operações militares na cidade de Khan Younis, no sul da Faixa de Gaza, intensificando esforços para matar a liderança do Hamas, agravando a situação de crise humanitária no enclave palestino. Enquanto isso, agências de ajuda internacionais alertam que as áreas para as quais os palestinos foram orientados por Israel a se deslocar estão cada vez mais lotadas e com poucos recursos.

Uma delegação política do Hamas dirigiu-se ao Cairo nesta sexta-feira para discutir um acordo proposto pelo Egito para acabar com a guerra, um plano com o qual nenhum dos lados concordou até agora, de acordo com autoridades egípcias. Israel disse que as negociações sobre o acordo, que libertaria os reféns detidos pelo Hamas, estavam em andamento.

Nos últimos dias, Israel intensificou as operações em campos de refugiados densamente povoados no centro do enclave palestino, onde seus militares dizem que os militantes do Hamas estão abrigados em túneis subterrâneos com décadas de existência.

Ao assumir o controle do centro da Faixa de Gaza, Israel criaria uma linha contínua de controle entre as tropas terrestres no norte e as operações em Khan Younis, que Israel diz ser a sede de uma das mais importantes brigadas militares do Hamas.

Os militares israelenses disseram ter matado dezenas de militantes em Khan Younis nos últimos dias, usando ataques aéreos, drones, franco-atiradores e tanques. Além disso, Israel afirmou que concentra seus esforços para localizar os principais líderes do Hamas, incluindo seu líder, Yahya Sinwar, e Mohammed Deif, chefe do braço armado do grupo, que se acredita estarem escondidos em uma extensa rede de túneis sob Khan Younis.

As ordens de retirada dos militares israelenses e um novo fluxo de pessoas deslocadas em direção ao extremo sul da Faixa de Gaza aumentaram a pressão sobre os escassos recursos e o excesso de lotação de uma área que já era a mais densamente povoada do enclave, com cerca de 12 mil pessoas por quilômetro quadrado, segundo as agências humanitárias.

Em outra categoria

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) disse na segunda-feira, 31, que a direita brasileira está organizada e articulações para que ela assuma o protagonismo nas próximas eleições já começaram no Congresso Nacional. Em encontro com investidores promovido pela Legend Invest no auditório do BTG Pactual, ele afirmou que "o eleitor está pronto para migrar" e que "o governo [Lula] já deu o que tinha que dar".

Para Nogueira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) perdeu a capacidade de dialogar e a conexão com sua base eleitoral, e a resposta do Planalto a problemas econômicos e institucionais tem sido ineficaz.

"O governo reage com aumento de gasto público e slogans reciclados. Tudo é 'nova' farmácia popular, 'novo' Minha Casa Minha Vida, mas ninguém diz que tem uma nova avó. É um governo velho", afirmou.

Ao falar sobre as decisões econômicas do governo federal, o senador comparou o atual cenário com o que antecedeu o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), e negou que existam condições para o impedimento de Lula.

"A Dilma foi tirada porque ela tinha 7% [de aprovação]. O Lula ainda tem o peso de 30 [%], não tem como você decretar o impeachment do presidente. Não vai haver rompimento institucional, mas o Congresso vai segurar, funcionar como um dique".

A contenção, explicou ao Estadão, diz respeito a frear medidas de taxação. Durante o evento, ele fez referência às propostas de tributação progressiva que miram faixas mais altas de renda. "É um governo que só pensa em arrecadar, e o Congresso Nacional não pode permitir isso", disse à reportagem.

Nas palavras de Ciro Nogueira, a direita tem uma estratégia traçada para as eleições presidenciais, que, ressaltou, "vai ser o candidato do Lula contra o candidato do Bolsonaro".

Caso o "escolhido" para enfrentar o presidente nas urnas seja o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador acredita que o pleito "já está ganho". "A força do Bolsonaro está na transferência. Ele aprendeu com os erros e vai fazer uma campanha diferente", afirmou.

O senador esclareceu à reportagem que a ideia é "lutar pela candidatura até o fim". "Caso ele não possa ser candidato, ele vai escolher seu representante. O governador Tarcísio seria um ótimo representante, mas tem outros nomes colocados. A definição será do presidente Bolsonaro", contou.

Divulgação da pesquisa Genial/Quaest nesta quarta-feira, 2, apontou a subida da desaprovação de Lula de 49% em janeiro para 56% em março. A aprovação, por sua vez, caiu de 47% para 41%, a pior desde o início do mandato.

Por outro lado, levantamento desta quinta-feira, 3, indica que mais eleitores brasileiros (44%) temem o retorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). 41% têm receio de uma vitória do presidente Lula em 2026.

Em pesquisa de intenção de voto da Genial/Quaest, o presidente Lula lidera a disputa contra todos os potenciais candidatos da direita em cenários de segundo turno. Contra Bolsonaro, que está inelegível até 2030, o petista está em vantagem, mas empatado no limite da margem de erro, que é de dois pontos porcentuais.

Além da inelegibilidade decretada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele responde a processo por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ex-presidente e sete aliados se tornaram réus no Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada e, se condenados, podem encarar penas de até 43 anos de prisão.

Até o momento, quando perguntado sobre um outro nome viável da direita para 2026, Bolsonaro tem repetido que não vai apontar um "sucessor" ou apoiar outra pessoa. "Só depois de morto", disse em uma das ocasiões. Tarcísio, por sua vez, disse ter intenção de concorrer à reeleição em São Paulo.

O deputado Chiquinho Brazão (sem partido) alega que perdeu mais de 21 quilos desde que foi preso, em março de 2024, e pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para ser colocado em prisão domiciliar para cuidar da saúde.

A defesa afirma que o quadro dele é grave e que os cuidados atuais no presídio são insuficientes. "Não se desconhece que corriqueiramente internos perdem peso ao ingressarem em estabelecimento prisional, contudo, há que se convir que a perda de peso do postulante foi muito significativa e tem sido progressiva", alegam os advogados.

Um laudo médico da penitenciária federal de Campo Grande atesta que o deputado tem "alta possibilidade de sofrer mau súbito com risco elevado de morte".

Segundo o documento, Chiquinho Brazão tem alto risco cardiovascular, alta possibilidade de evolução do quadro para insuficiência renal e "oscilações importantes" causadas por diabetes.

O deputado está sob os cuidados da equipe médica da Divisão de Saúde da penitenciária. Também tem acesso a consultas por telemedicina.

Os advogados pediram a prisão domiciliar humanitária. "Não se desconhece que a concessão de regime domiciliar é excepcional, contudo, no presente caso, como ficou demonstrado, o postulante é portador de doenças graves que estão nitidamente fora de controle, de modo que é muito elevado o risco de eventos cardíacos graves, de perda súbita da capacidade renal e de morte."

Cabe ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, avaliar o pedido.

Chiquinho Brazão é réu em um processo criminal por suspeita de mandar executar a vereadora Marielle Franco. Ele nega ter sido o mandante do crime.

A advogada Tatiana Medeiros (PSB), vereadora de Teresina (PI), foi presa pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira, 3, por suspeita de ligação com facção criminosa. A prisão preventiva faz parte da segunda fase da Operação Escudo Eleitoral. A vereadora também foi afastada do cargo.

O advogado Edson Araújo, que representa a vereadora, afirmou que a defesa ainda não obteve acesso aos autos da investigação. O defensor diz ainda estar "surpreso" com o cumprimento do mandado de prisão, por não ver configurados "nenhum dos requisitos que autorizem uma medida tão radical".

Segundo a PF, uma investigação identificou vínculo entre Tatiana e um "expoente de facção criminosa violenta com grande atuação no Estado". "Há indícios de que a campanha eleitoral da parlamentar foi custeada com recursos ilícitos oriundos de facção criminosa, bem como de desvios de recursos públicos de uma instituição não governamental", afirma a Polícia Federal.

O instituto citado pela PF é o "Vamos Juntos", fundado por Tatiana em 2010. A Justiça Eleitoral determinou a suspensão das atividades da ONG.

Servidores afastados

Além de Tatiana, foram alvos da operação servidores em cargos em comissão da Câmara Municipal de Teresina, da Assembleia Legislativa do Estado e da Secretaria de Saúde do Estado. A reportagem buscou contato com os órgãos públicos e aguarda retorno.

Oito mandados judiciais foram cumpridos, sendo dois de prisão preventiva, três de afastamento de função pública e três de busca e apreensão, em endereços em Teresina e em Timon, no Maranhão.

Partido acompanhará as investigações

O PSB, em nota, afirma acompanhar a prisão da vereadora "com a máxima atenção". "Até o momento, não tivemos acesso ao conteúdo do inquérito policial", disse a sigla. "Para que possamos nos pronunciar de forma adequada e responsável, é imprescindível que tenhamos acesso ao referido inquérito. A esse respeito, ressaltamos que o partido formalizou o pedido de informações sobre o inquérito policial ainda no dia 27 de dezembro de 2024 e seguimos aguardando as autoridades competentes".

A legenda afirma ainda que acompanhará as investigações de modo a tomar as medidas cabíveis. Em março, o diretório municipal do PSB afastou Tatiana da função de secretária-geral.

Tatiana foi eleita para a Câmara de Teresina em 2024 com 2.925 votos. Antes, havia tentado o cargo em 2020, pelo DEM (hoje, União Brasil), mas não se elegeu.