Congresso instala comissão mista de inteligência após denúncia sobre ação hacker da Abin

Política
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

O Congresso Nacional instala nesta quarta-feira, 2, a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência. O retorno do colegiado ocorre dois dias depois de denúncia sobre uma suposta condução da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de operação hacker contra instituições do governo do Paraguai.

A comissão é responsável pela fiscalização de atividades de inteligência e contrainteligência praticadas por órgãos e entidades da administração pública federal, tais como a Abin, as Forças Armadas e a Polícia Federal.

O colegiado pode convocar autoridades e solicitar informações sobre as ações dos órgãos, como controle externo sobre os órgãos de inteligência, com acesso a documentos, estruturas e operações.

O presidente da comissão neste ano é o deputado federal Filipe Barros (PL-PR) e o vice-presidente, senador Nelsinho Trad (PSD-MS). Pela resolução que criou o colegiado, os presidentes das comissões de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e Relações Exteriores do Senado se alternam no comando da comissão mista, com mandatos de um ano.

O documento define como atividades de inteligência ações voltadas à obtenção e análise de dados e informações com potencial de influenciar ações do Estado ou a segurança da sociedade. Já os atos de contrainteligência buscam prevenir, detectar, obstruir e neutralizar ameaças à proteção de dados e informações estratégicas do País.

Entre as competências do colegiado estão:

- Apurar denúncias de violações de direitos fundamentais cometidas por órgãos de inteligência;

- Realizar o controle e a fiscalização externos das atividades dos órgãos do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin);

- Emitir parecer sobre propostas legislativas que envolvam temas sigilosos ou atividades de inteligência;

- Propor alterações à Política Nacional de Inteligência;

- Convocar ministros de Estado ou titulares de órgão diretamente subordinado ao presidente da República para prestar esclarecimentos, em que a ausência sem justificação adequada implica em crime de responsabilidade.

Em janeiro do ano passado, a União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin (Intelis) afirmou, em carta aberta à sociedade, que o grupo tem se mostrado "pouco atuante". Em 2024, a comissão se reuniu apenas duas vezes, uma para deliberar propostas e outra para falar sobre orçamento. Em 2023, participou das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro.

Denúncia de operação hacker

Um servidor da Abin relatou à Polícia Federal que a direção da agência autorizou ataques cibernéticos a sistemas e extração de dados de autoridades paraguaias, ligadas ao Congresso e à Presidência.

O objetivo era subsidiar a decisão no Brasil sobre as negociações relativas à tarifa de energia da Itaipu Binacional e ao Anexo C do tratado, que passou por revisão após 50 anos para estabelecer as condições de uso da energia e a venda do excedente paraguaio ao País.

O caso foi revelado pelo UOL na segunda-feira, 31. Segundo a reportagem, a operação teve autorização expressa do atual diretor-geral da Abin, Luiz Fernando Corrêa, e do diretor interino Saulo de Cunha Moura, que comandou a agência entre março e maio de 2023.

O governo do Paraguai convocou o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho, para prestar esclarecimentos nesta terça-feira, 1.º. O gesto é uma forma de demonstração de repúdio diplomático. O governo Santiago Peña também suspendeu as negociações relativas ao Anexo C do Tratado de Itaipu até que "tudo seja esclarecido".

O governo Lula reconhece o caso de espionagem, mas diz que ele ocorreu durante o governo de Jair Bolsonaro e foi interrompido após a atual diretoria da Abin tomar posse, em março de 2023.

Em outra categoria

A Hungria informou nesta quinta-feira, 3, que iniciará o procedimento de retirada do único tribunal global permanente do mundo para crimes de guerra e genocídio.

"A Hungria se retirará do Tribunal Penal Internacional", escreveu Gergely Gulyás, chefe de gabinete do Primeiro-Ministro Viktor Orbán, em uma breve declaração. "O governo iniciará o procedimento de retirada na quinta-feira, de acordo com o arcabouço constitucional e legal internacional."

O anúncio foi feito no momento em que o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, chegou à capital húngara, Budapeste, apesar de um mandado de prisão internacional contra ele por sua conduta na guerra na Faixa de Gaza.

O governo da Hungria, liderado por Orbán, estendeu o convite a Netanyahu em novembro, depois que o TPI, sediado em Haia, Holanda, emitiu o mandado acusando-o de crimes contra a humanidade.

Orbán, um aliado próximo de Netanyahu, chamou o mandado de prisão de "escandalosamente insolente" e "cínico". Os países-membros do TPI, como a Hungria, são obrigados a deter suspeitos que enfrentam um mandado se eles pisarem em seu território, mas o tribunal não tem como fazer cumprir isso e depende dos estados para cumprir suas decisões.

Além de enfrentar novas tarifas e de aparecer no topo da lista de "maus atores" do presidente Trump no seu anúncio tarifário, a China tem outro motivo para estar irritada: Taiwan foi listado como um país.

Mesmo antes de Pequim ter opinado oficialmente sobre a tarifa de 34% anunciada por Trump, o seu embaixador em Washington publicou um lembrete severo de que a China considera a ilha democrática de Taiwan parte do seu território. Está entre as maiores proibições diplomáticas no livro de Pequim sugerir que Taiwan é independente do domínio chinês. Mas Taiwan foi listado em quarto lugar sob o título "país" no painel tarifário que Trump ergueu em sua cerimônia na Casa Branca.

"#Taiwan é Taiwan da China", escreveu o embaixador Xie Feng no X depois da fala de Trump e incluiu um discurso em vídeo do líder chinês Xi Jinping alertando contra testar a determinação de Pequim. O embaixador não comentou as novas tarifas, incluindo 32% para Taiwan.

O CEO da Tesla, Elon Musk, chamou de "fake news" a informação de que deve se afastar, já nas próximas semanas, de suas funções à frente do Departamento de Eficiência Governamental (Doge), como informou o Politico.

Musk compartilhou em seu perfil no X a publicação da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que já havia negado que o presidente Donald Trump tenha reforçado a seus aliados que o bilionário deixaria o cargo público em breve.