'A vacina será o principal ativo do PSDB para 2022'

Política
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Depois de 27 anos no DEM, o vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, assina nesta sexta-feira, 14, sua filiação ao PSDB, ao lado do governador João Doria. O gesto representa o primeiro passo na estratégia de unificar a legenda em torno de uma eventual candidatura de Garcia ao Palácio dos Bandeirantes, ano que vem, caso Doria deixe o cargo, em abril, para disputar a Presidência. "A vacina será o principal ativo do PSDB em 2022", diz o neotucano.

Esse ativo valeria tanto para a campanha estadual quanto para a federal, embora Doria apareça entre os últimos colocados nas pesquisas à sucessão presidencial e sua gestão enfrente desgastes por causa das medidas mais duras de isolamento social no enfrentamento à pandemia. Nesse cenário, mesmo diante do risco de Doria desistir da corrida ao Planalto e tentar a reeleição - hipótese que já admitiu ao Estadão -, Garcia avisa que nada muda sua decisão de migrar para o ninho tucano. "O meu projeto será o projeto do PSDB."

O vice-governador era um dos quadros de destaque do DEM, mas tem histórico de proximidade com os tucanos. Foi secretário adjunto na gestão Mário Covas, secretário no governo Geraldo Alckmin e presidente da Assembleia Legislativa com apoio do PSDB.

Nesta entrevista exclusiva ao Estadão, Garcia se mostrou não apenas afinado com a estratégia de Doria para se viabilizar presidenciável, mas comprometido a manter o DEM integrado a esse projeto. Tanto que, ao contrário da debandada esperada no DEM fluminense, com a saída do prefeito do Rio, Eduardo Paes, e do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, o vice-governador não tem tentado levar outros prefeitos e deputados do partido para o PSDB. A seguir, leia os principais tópicos da entrevista.

SAÍDA PACÍFICA

"Não me sinto mudando de lado, mas fazendo uma transferência para um partido do mesmo território e preservando a força do DEM em São Paulo para que ele possa continuar ajudando o PSDB a governar o Estado. A ideia é que eu faça essa filiação e os parlamentares e prefeitos do DEM continuem no partido." Para Garcia, a legenda não vive uma crise de identidade e o presidente ACM Neto "vai saber reorganizar o DEM". Além disso, ele acredita que o partido "vai fazer parte do centro democrático, que é o lugar onde sempre esteve nos últimos anos".

CENTRO DEMOCRÁTICO

Garcia insiste que é possível manter DEM e PSDB como aliados nas campanhas estadual e federal em 2022. "Vou trabalhar para isso. Compreendo o momento difícil que o DEM vive por me perder e a outros quadros (como Eduardo Paes e Rodrigo Maia), mas acredito que o partido estará no centro democrático no ano que vem." Segundo ele, a identidade entre as siglas evoluiu nas últimas décadas. "A social democracia vai prevalecer nos próximos anos no Brasil pelo momento que estamos vivendo. A convivência dos dois partidos (PSDB e DEM, ex-PFL), desde o governador Mário Covas e o presidente Fernando Henrique com Marco Maciel, fez os tucanos ficarem mais liberais na economia e os democratas mais social democratas."

PRÉVIAS

"Acredito que a eleição em São Paulo a gente trata em ano par. Na hora certa o partido vai tomar sua decisão sobre 2022 e criar as regras. Não tratei ainda e não vou tratar agora deste assunto. Já em relação às prévias nacionais, eu penso diferente. Uma candidatura nacional precisa de tempo para ser consolidada. Defendo que as prévias (presidenciais) do PSDB ocorram no dia 17 de outubro deste ano. Temos já dois candidatos em campanha. Se o PSDB quiser ter protagonismo, precisa escolher seu candidato no dia 17 de outubro."

Garcia evita se manifestar sobre a tensão interna do PSDB em torno da definição dos nomes do partido para a sucessão paulista.

São citados nessa disputa, além do ex-governador Geraldo Alckmin, o deputado estadual Cauê Macris, o secretário Marco Vinholi e os prefeitos Orlando Morando (São Bernardo do Campo) e Duarte Nogueira (Ribeirão Preto).

"Vou me submeter às regras que o partido criar. Defendo que a discussão sobre o candidato em São Paulo seja depois da escolha do candidato à Presidência. A prioridade deve ser a candidatura nacional."

O vice-governador defende o modelo de prévias com eleição direta dos filiados, o que favorece Doria na disputa interna, pois São Paulo tem o maior número de filiados cadastrados no País.

CANDIDATO PRÓPRIO

Ele descarta a hipótese de o PSDB abrir mão de uma candidatura própria à sucessão de Bolsonaro, apesar do fraco desempenho de Doria nas pesquisas de intenção de voto até aqui. No último levantamento do instituto Datafolha, o tucano aparece com 3% das intenções de voto, em sexto lugar, atrás de Luciano Huck (4%); do ex-ministro Ciro Gomes (6%); do ex-juiz Sergio Moro (7%); do presidente Jair Bolsonaro (23%) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem ampla vantagem, com 41%.

"O PSDB sempre foi um partido programático, não pragmático. Disputou todas as eleições e deve continuar oferecendo nomes e projetos para o Brasil. Entro no PSDB com essa expectativa: que a gente tenha um candidato à Presidência da República. Meu candidato é João Doria."

Segundo ele, o fato de o atual governador vir a se afastar do cargo para tentar a Presidência (a exemplo do que fez ao abrir mão da Prefeitura para tentar o governo, fato que lhe causou desgaste à época), não deve prejudicar as pretensões de Doria. "Não será o primeiro nem o último a fazer isso. Ele é contra a reeleição. É legítimo buscar uma nova eleição em 2022."

Garcia também relativiza o desempenho fraco de Doria nas pesquisas de intenção de voto. "Hoje não tem intenção de voto, mas nível de conhecimento. As pessoas não vão parar no meio de uma pandemia para dizer em quem votar. Doria tem ativos para apresentar."

VACINA

"Tenho certeza que a vacina será o principal ativo (nas eleições), na medida que as pessoas creditem ela a São Paulo e ao esforço do governador João Doria. Ela se soma a outros ativos de boa gestão. Terá peso quando for 'linkada' com a volta da normalidade. A pandemia mudou o mundo e a expectativa da volta da normalidade, que vai acontecer com a vacina, terá um peso muito forte no consciente das pessoas."

ISOLAMENTO

"O gestor público é criticado por qualquer decisão que tome. Quando a decisão é pela restrição, a crítica é de quem não quer restringir. E vice-versa. Existe uma divisão de opinião no Brasil. A única forma de combater a pandemia durante muito tempo foi a restrição, e agora a vacina. São os dois instrumentos para enfrentar a pandemia. A compreensão da sociedade sobre isso é cada vez maior."

PROMESSAS A CUMPRIR

"Teremos todas as grandes obras em andamento em 2022. Algumas não serão entregues por conta da pandemia, que nos obrigou a olhar para dentro. Saímos na frente criando a Bolsa do Povo, que é um programa de proteção social. Essa não era uma agenda que estava colocada em 2018, mas pela pandemia foi colocada em 2021."

GERALDO ALCKMIN

Interessado em disputar mais uma vez o cargo, Alckmin já dialoga com outros partidos para se manter na disputa caso o PSDB atenda aos interesses de Doria e confirme Garcia como candidato à sucessão estadual. Mas o vice-governador quer paz com o antigo chefe. "Tenho um grande respeito pelo Geraldo e fui secretário dele por 8 anos. Espero que a gente esteja junto em 2022." Ele insiste ainda que não é hora de pensar na eleição. "Recebi um convite unânime das bancadas. Dialoguei com os 200 prefeitos do partido e senti acolhimento. Não foi um convite, foi uma convocação. Não estamos discutindo eleição, mas filiação. Como filiado vou buscar conquistar o partido."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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A Casa Branca demitiu nesta quinta-feira, 3, diversos assessores do alto escalão do Conselho de Segurança Nacional, segundo fontes familiarizadas com o caso. A ação acontece um dia após o presidente Donald Trump se reunir com a ativista de extrema direita Laura Loomer, que teria apresentado uma lista com nomes de pessoas que ela acredita serem desleais a ele.

O número exato de demitidos é desconhecido. O jornal americano The New York Times afirma que seis funcionários foram cortados. O The Washington Post diz que foram ao menos três.

Um dos porta-vozes da Casa Branca, Brian Hughes, disse que o Conselho não comenta sobre o assunto.

As demissões também ocorrem uma semana após o escândalo que envolveu a inclusão por engano de um jornalista em um grupo de autoridades no aplicativo de mensagens Signal que discutia planos de guerra dos EUA. O jornalista, Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista The Atlantic, teria sido convidado a entrar no grupo pelo conselheiro de segurança nacional, Michael Waltz.

Os demitidos incluiriam Brian Walsh, diretor de inteligência e ex-diretor de equipe do Comitê de Inteligência do Senado; Thomas Boodry, diretor de assuntos legislativos; e David Feith, diretor de tecnologia e segurança nacional que atuou no Departamento de Estado.

Segundo fontes ouvidas pelo NYT, Waltz teria se juntado a reunião entre Trump e Loomer para defender parte de seus funcionários, mas não foi suficiente. O vice-presidente J.D. Vance e outros funcionários do alto escalão do governo também teriam participado do encontro, ocorrido no Salão Oval da Casa Branca.

EUA proíbem funcionários do governo de ter relações íntimas com chineses

Medida visa evitar que espiões obtenham informações sensíveis através da aproximação com diplomatas; método foi comum na Guerra Fria

Os Estados Unidos proibiram os funcionários do governo e pessoas ligadas a estes de manterem relações românticas ou sexuais com cidadãos chineses, segundo informou a agência de notícias Associated Press nesta quinta-feira, 4.

De acordo com quatro fontes familiarizadas com o assunto e ouvidas pela AP, a política foi implementada pelo ex-embaixador dos EUA na China Nicholas Burns, em janeiro, seu último mês no cargo.

Embora algumas agências americanas já tivessem regras estritas sobre relações íntimas, não se sabia de uma política geral de "não confraternização", como é conhecida, desde a Guerra Fria. Não é incomum que diplomatas americanos em outros países namorem com cidadãos locais e até se casem com eles.

Uma versão mais limitada dessa política foi implementada no ano passado, quando os funcionários da Embaixada dos EUA na China foram proibidos de manter relações com cidadãos chineses que trabalhavam em funções de apoio, como guarda, na embaixada e nos consulados. Em janeiro, dias antes de Donald Trump assumir a presidência, Burns expandiu a proibição para qualquer cidadão chinês.

Segundo duas das fontes ouvidas, a nova política foi sugerida pela primeira vez no ano passado, depois que membros do Congresso expressaram a Burns preocupação com as relações íntimas dos funcionários do governo, que não eram consideradas rigorosas. A Comissão da Câmara sobre o Partido Comunista Chinês não respondeu ao comentário.

A nova política abrange os diplomatas dos Estados Unidos na China continental, como a embaixada em Pequim e os consulados em Guangzhou, Xangai, Shenyang e Wuhan, e o consulado americano na ilha de Hong Kong. Não se aplica aos americanos fora da China.

A única exceção é para os funcionários americanos que já tinham relações com cidadãos chineses. Eles devem solicitar isenções e, se a isenção for negada, precisam terminar a relação ou deixar o cargo, informaram as fontes. Qualquer funcionário que viole a política receberá ordem de deixar a China imediatamente.

A política foi comunicada verbalmente e eletronicamente ao pessoal americano na China em janeiro, mas não foi anunciada publicamente.

O Departamento de Estado disse que não comenta sobre assuntos internos. O Conselho de Segurança Nacional encaminhou as perguntas para o Departamento de Estado. Burns, o ex-embaixador, não respondeu a um pedido da AP enviado ao seu endereço de e-mail.

Um retorno à Guerra Fria

Os serviços de espionagem de todo o mundo usam há muito tempo homens e mulheres atraentes para obter informações sensíveis, em uma prática comum durante a Guerra Fria.

O Departamento de Estado e outras agências americanas com escritórios na China têm há muito tempo requisitos estritos para relações íntimas dos funcionários, assim como há regras em outros países considerados rivais dos EUA, como Rússia e Cuba.

Segundo documentos desclassificados do Departamento de Estado, em 1987 o governo americano proibiu funcionários que estavam na União Soviética e na China de manter amizade, namorar ou ter relações sexuais com cidadãos locais depois que um fuzileiro naval americano em Moscou foi seduzido por uma espiã soviética. Essas restrições foram relaxadas após o colapso da União Soviética em 1991, segundo reportagens da época.

Na China, nenhuma medida semelhante foi aplicada durante muitos anos. Até a nova proibição em janeiro, os funcionários americanos na China eram obrigados a relatar qualquer contato íntimo com cidadãos chineses a seus supervisores, mas não eram proibidos de ter relações sexuais ou românticas.

Diplomatas e especialistas em inteligência dos Estados Unidos dizem que Pequim usa a espionagem através de seduções. Antes de serem enviados, os funcionários participam de uma apresentação que exibe exemplos de espionagem chinesa através de sedução e são advertidos que dezenas de espiões chineses podem ser designados para seguir os diplomatas.

Pouco se sabe sobre as políticas de não confraternização do governo dos Estados Unidos em outros lugares, já que são consideradas classificadas. Não se sabe o quão restritivas são tais políticas em outros países.

Aumento das tensões, controles mais estritos

Nos últimos anos, as tensões entre Washington e Pequim escalaram por causa da competição comercial, tecnológica e geopolítica.

Segundo Peter Mattis, ex-analista da CIA e presidente da The Jamestown Foundation, um grupo de especialistas com sede em Washington, houve pelo menos dois casos em que agentes de Pequim seduziram diplomatas americanos na China. Ele ressaltou, no entanto, que não lembra de casos semelhantes nos últimos anos.

Mattis acrescentou que outro problema é que a segurança estatal chinesa não coleta inteligência apenas através de espiões, mas também pressionando cidadãos chineses comuns para obter informações, muitas vezes através de ameaças ou intimidação. Isso, disse Mattis, significa que qualquer cidadão chinês que namore um diplomata americano pode ser vulnerável à coerção.

"O MSS está disposto a aproveitar qualquer conexão humana que tenha um alvo para coletar inteligência", disse Mattis, usando um acrônimo para o Ministério da Segurança do Estado chinês. "Esta mudança de regra sugere que o MSS se tornou muito mais agressivo em tentar acessar a embaixada e o governo dos Estados Unidos".

O Ministério das Relações Exteriores da China não comentou sobre a proibição. "(É) mais apropriado perguntar aos Estados Unidos sobre esta questão", disse em um comunicado.

A China também tem endurecido os controles sobre o pessoal no exterior, de acordo com regulamentos chineses, notícias e fontes familiarizadas com a burocracia da China.

Pequim começou a aplicar rigorosamente regulamentos que proíbem promoções para funcionários públicos chineses com cônjuges que adquiriram cidadania estrangeira e impedem que diplomatas passem um período prolongado de tempo em um país, o que força o retorno de alguns à China.

O Ministério das Relações Exteriores da China e muitos outros órgãos governamentais proíbem seus funcionários e pessoal de terem relações sexuais ou românticas com cidadãos estrangeiros. Membros do exército ou da polícia chinesa geralmente são proibidos de sair da China completamente sem a aprovação expressa de seus supervisores.

A União Europeia (UE) e o Japão vão realizar seu segundo encontro para Diálogo Estratégico para discutir fortalecimento das relações bilaterais nas áreas de segurança e defesa, além de endereçar desafios globais como a guerra na Ucrânia e a situação no Oriente Médio. A reunião acontecerá na sexta-feira, 4, em Bruxelas, às 9h45 (de Brasília).

A reunião será liderada pela chefe de Relações Exteriores da UE e vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, e pelo ministro de Relações Exteriores do Japão, Takeshi Iwaya.