Bolsonaro repete que não pode tirar fundão, mas que vetará o que exceder lei

Política
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Nesta manhã, após um apoiador sugerir ao presidente Jair Bolsonaro que vetasse de forma integral o fundo eleitoral, o chefe do Executivo voltou a declarar que não poderia fazer isso sob pena de cometer um crime de responsabilidade. Ele garantiu de novo, no entanto, que todo o valor que exceder a lei de 2017 de reajuste ao projeto será vetado. Bolsonaro já havia dito que vetaria apenas o "excesso" do fundo, que, nas contas dele, seria algo em torno de R$ 2 bilhões, citando uma projeção incorreta para a inflação e distorcendo informações sobre a lei que regulamenta o financiamento de campanhas.

"Tudo que exceder a lei de 2017 vai ser vetado, tudo. Vai ser 2, 3, 4, 5, 6 bi, vai ser o que exceder. Eu sou obrigado a cumprir a lei, e a lei diz, no caso do fundão, que o valor no ano seguinte é o que houve em anos anteriores mais inflação, e eu sou obrigado a sancionar isso daí, porque tenho que cumprir a lei", declarou o presidente, tentando se antecipar à eventual decisão que possa contrariar sua base de eleitores. Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovado pelo Congresso prevê o aumento do Fundo Eleitoral de R$ 2 bilhões para R$ 5,7 bilhões.

Apesar da justificativa utilizada por Bolsonaro, não há obrigação por parte da Presidência da República de reajuste mínimo do fundão pela inflação. Se o presidente confirmar o veto à regra aprovada na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o valor ficará em aberto. Segundo determina a legislação, o governo e os parlamentares deverão estabelecer o gasto com as campanhas no ano que vem de acordo com o seguinte cálculo: usar o valor dos impostos arrecadados com o fim da propaganda partidária, calculado em R$ 803 milhões no ano que vem, mais um porcentual não definido da reserva destinada às emendas parlamentares de bancada, cuja somatória deve chegar a R$ 8 bilhões no próximo ano.

Conforme informou o Broadcast Político, o valor do fundão ajustado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) projetado para 2021 e 2022 seria, portanto, de R$ 2,197 bilhões, bem inferior aos "quase R$ 4 bilhões" estimados pelo presidente. O cálculo, realizado por técnicos do Congresso Nacional, tem como base os R$ 2,035 bilhões a que os partidos tiveram direito no ano passado para as eleições municipais.

Eleições, Barroso e live

Bolsonaro voltou a criticar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, e ironizou o "poder de convencimento" do ministro. O presidente continuou a fazer acusações contra Barroso de que, depois da visita do ministro ao Congresso, líderes partidários trocaram os integrantes da comissão especial da Câmara que discute a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do voto impresso para que votassem contra a matéria. "Todos nós queremos ter o poder de convencimento dele Barroso para dentro do Parlamento", disse o presidente.

Segundo o chefe do Executivo, a articulação de Barroso não foi por meio de "pessoas humildes que viram encanto só por você ser autoridade, mas foi para dentro do Congresso Nacional". "Eles não querem o voto democrático (voto impresso), eles são contra a democracia", disse.

Bolsonaro reforçou o convite para a população assistir à transmissão semanal ao vivo em suas redes sociais hoje, às 19h, quando ele promete mostrar "inconsistências" sobre as eleições e, segundo ele, "algumas coisas inacreditáveis".

Em outra categoria

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o silêncio sobre o fato de que a Rússia mata crianças com mísseis balísticos é errado e perigoso. "Isso só encoraja a escória em Moscou a continuar a guerra e continuar ignorando a diplomacia", disse o líder ucraniano em postagem no X neste sábado, 5.

"Este ataque é um dos capítulos mais sombrios para Kryvyi Rih", afirmou o líder ucraniano.

Um ataque com míssil russo na sexta-feira na região central da Ucrânia deixou pelo menos 18 mortos, incluindo nove crianças, segundo o governador regional Serhii Lysak.

"A fraqueza nunca acabou com uma guerra. É por isso que sou grato a todos os países cujos representantes se manifestaram - líderes, ministros das Relações Exteriores, embaixadas", disse.

Opositores do presidente Donald Trump e do bilionário Elon Musk se reuniram nos Estados Unidos neste sábado, 5, para protestar contra as ações do governo em relação à redução de pessoal, à economia, aos direitos humanos e outras questões.

Mais de 1.200 manifestações "Hands Off!" foram planejadas por mais de 150 grupos, incluindo organizações de direitos civis, sindicatos, defensores LGBTQ+, veteranos e ativistas eleitorais.

Os locais de protesto incluíram o National Mall, em Washington, DC, capitais estaduais e outros locais em todos os 50 Estados.

Os manifestantes atacaram as medidas do governo Trump como as demissões de milhares de funcionários federais, fechamentos de escritórios de campo da Administração da Previdência Social e agências inteiras, deportações de imigrantes, reduções das proteções para pessoas transgênero e cortes no financiamento federal para programas de saúde .

Musk, um conselheiro de Trump que é dono da Tesla, SpaceX e da plataforma de mídia social X, desempenhou um papel fundamental na redução do tamanho do governo como chefe do recém-criado Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês). Ele diz que está economizando bilhões de dólares para os contribuintes.

Kelley Robinson, presidente do grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Campaign, discursou no protesto em Washington, criticando o tratamento dado pelo governo Trump à comunidade LGBTQ+. "Os ataques que estamos vendo não são apenas políticos. Eles são pessoais, pessoal", disse.

Milhares de pessoas marcharam no centro de Manhattan, em Nova York. Em Massachusetts, outros manifestantes se reuniram no Boston Common segurando cartazes incluindo "Tirem as mãos da nossa democracia", "Tirem as mãos da nossa Previdência Social" e "Diversidade, igualdade, inclusão torna a América forte. Tirem as mãos!"

Centenas de pessoas também se manifestaram em Palm Beach Gardens, Flórida, a algumas milhas do campo de golfe de Trump em Jupiter, onde ele passou a manhã no Senior Club Championship do clube.

Questionada sobre os protestos, a Casa Branca disse em uma declaração que "a posição do presidente Trump é clara: ele sempre protegerá a Previdência Social, o Medicare e o Medicaid para beneficiários qualificados". "Enquanto isso, a posição dos democratas é dar benefícios da Previdência Social, Medicaid e Medicare para estrangeiros ilegais, o que levará esses programas à falência e esmagará os idosos americanos." Fonte: Associated Press

Manifestantes voltaram às ruas em toda a Espanha neste sábado, 5, irritados com os altos custos de moradia, diante da ausência de alívio no curto prazo. Milhares marcharam na capital, Madri, em Barcelona e em mais outras 30 cidades em uma manifestação organizada por ativistas de moradia e apoiada pelos principais sindicatos da Espanha.

A crise imobiliária atingiu particularmente a Espanha, onde há uma forte tradição de propriedade e escassa oferta habitual de imóveis públicos para alugar.

Os aluguéis foram impulsionados pelo aumento da demanda. Comprar uma casa se tornou inacessível para muitos, com as pressões do mercado e a especulação elevando os preços, especialmente em grandes cidades e regiões costeiras.

Uma geração de jovens diz que precisa permanecer na casa dos pais ou gastar muito apenas para dividir um apartamento, com pouca chance de economizar o suficiente para a compra de uma casa. Os altos custos de moradia significam que mesmo aqueles com empregos, tradicionalmente, bem pagos lutam para sobreviver.

A maior iniciativa do governo central para conter o custo da moradia é um mecanismo de teto de aluguel oferecido às autoridades regionais, com base em um índice de preços estabelecido pelo Ministério da Habitação.

Mas tais medidas não foram suficientes para impedir os protestos nos últimos dois anos. Especialistas dizem que a situação, provavelmente, não vai melhorar tão cedo.

"Este não é o primeiro, nem será o último, (protesto habitacional) dada a gravidade da crise habitacional", disse Ignasi Martí, professor da escola de negócios Esade e chefe do Observatório de Moradia Digna, em um e-mail.

"Vimos isso com a crise financeira (de 2008-2012) quando (um movimento de protesto) durou até que houvesse uma certa recuperação econômica e uma redução na tensão social", acrescentou Marti. Fonte: Associated Press