Correção: Apartamento de sindicalistas é incendiado em Curitiba

Política
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

O título do texto ateriormente publicado continha um erro. Segue versão corrigida.

Um incêndio destruiu um apartamento alugado por duas sindicalistas no bairro Abranches, em Curitiba, na terça-feira, 3. As moradoras, que tinham viajado a Brasília para a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não estavam no imóvel. Entre as suspeitas para a motivação, estão os crimes de intolerância política e homofobia. A polícia também investiga furto qualificado, já que um veículo e duas televisões foram levados do local, e incêndio criminoso.

Documentos, livros, bandeiras e outros objetos que faziam referência ao Partido dos Trabalhadores (PT), à luta sindical e a movimentos progressistas foram amontoados e queimados dentro do apartamento das dirigentes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismuc), Loide Ostrufka e Juliana Mildemberg. Uma perícia no imóvel apontou previamente sinais de arrombamento e de incêndio causado por ação humana.

"Queimou tudo, tudo que tinha no meu quarto se perdeu. Todas as roupas, livros, materiais, documentos de pesquisa. No quarto da Loide também muita coisa se perdeu, algumas roupas dela ainda ficaram pelo caminho. O importante é que estamos bem. O que é material a gente constrói novamente", afirmou Juliana em uma rede social. As sindicalistas estão organizando uma vaquinha virtual para ajudar com o prejuízo.

De acordo com o delegado Geraldo João Celezinski, do 4º Distrito Policial de Curitiba, responsável pela investigação, há indícios consistentes de motivação política e homofobia.

"Por que só queimar fotografias pessoais em que estavam uma das moradoras e a companheira dela e não as outras? Por que queimar bandeira? Independentemente da posição política do autor, estamos considerando essas hipóteses (de motivação política e homofobia)", explicou o delegado ao Estadão. Ele contou que o veículo levado era da companheira de uma das sindicalistas, que não mora no local.

Celezinski disse que o incêndio não teve proporções maiores porque alguém na vizinhança percebeu a fumaça e acionou o Corpo de Bombeiros. "Ainda não temos detalhes sobre as causas do incêndio. O Instituto de Criminalística tem 30 dias para mandar o laudo. A priori é para ser criminoso, tanto que estamos investigando com essa natureza. Também temos 30 dias para concluir a investigação, mas se não conseguirmos até lá vamos pedindo prazo para conseguir mais pistas", afirmou.

Ainda conforme o delegado, os investigadores chegaram até imagens de câmeras de segurança do entorno do imóvel incendiado e estão trabalhando para tentar identificar possíveis suspeitos e precisar o horário em que ocorreu o incêndio. As moradoras não relataram ter sofrido ameaça recente.

Em nota, o PT informou que está adotando medidas jurídicas sobre o incêndio no apartamento das diretoras sindicais, que são filiadas ao partido. O comunicado trata o caso como "provável crime de intolerância política". "É inadmissível que esse tipo de violência e intolerância sejam realizadas por uma parcela da população que defende atos antidemocráticos e a instauração de um golpe no País. Esse tipo de crime deve ser investigado e os responsáveis devem ser punidos". Também em nota, o Sismuc repudiou o caso e afirmou que está prestando amparo às vítimas.

U

Em outra categoria

A chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou nesta quinta-feira, 3, que a Rússia será uma "ameaça de longo prazo" e reforçou que a única forma de evitar uma guerra ainda maior no continente europeu é a UE se preparar.

Durante coletiva de imprensa após reunião entre ministros da Defesa da UE, Kallas pontuou que o bloco econômico possui "muitas ferramentas à disposição" para pressionar os russos a encerrar o conflito com a Ucrânia, e mencionou a possibilidade de ampliar sanções contra o país liderado por Vladimir Putin como um dos caminhos.

"Podemos aumentar o financiamento de armas ou o treinamento de soldados para a Ucrânia", destacou, também para impor pressão à Rússia. "Todos concordamos que nós precisamos aumentar o nosso apoio à Ucrânia para a guerra terminar", disse Kallas.

A chefe de Relações Exteriores da UE pontuou que o bloco aumentará investimentos em tecnologias militares, drones, inteligência artificial e cibersegurança. "Aumentar nossa capacidade melhorará nossa aliança. Vamos ter uma sessão exclusiva amanhã sobre defesa. Os desafios de segurança hoje são muito grandes para qualquer país lidar sozinho", destacou. Kallas mencionou que a França deve investir cerca de 2 bilhões de euros e a Alemanha outros 12 bilhões de euros, mas ressaltou que deixará cada país fazer seu próprio anúncio de investimentos à Ucrânia.

A mensagem de comprometimento dos Estados Unidos com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é "positiva", segundo a chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas. Durante coletiva de imprensa após reunião entre ministros da Defesa do bloco europeu nesta quinta-feira, 3, ela pontuou que o pedido dos americanos para que a aliança militar amplie seus gastos com defesa "é de longa data".

"Os países da Otan estão trabalhando no aumento de gastos. Mas é importante que a Europa faça mais" do que já vem fazendo, reforçou Kallas. Para ela, é preciso trabalhar mais para "ter independência em defesa, incluindo em satélites", destacou, dizendo que as habilidades de defesa do continente europeu têm "bastante relação" com sistemas de satélites.

Kallas elogiou a fala do secretário de Estado americano, Marco Rubio, de que os EUA não planejam sair da Otan e disse que o país é "um forte aliado". "EUA têm sido bem claros" sobre a necessidade de aumento de gastos com defesa do continente europeu, "e nós ouvimos essa mensagem".

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, negou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha reforçado a aliados que Elon Musk, chefe do Departamento de Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês), deve se afastar nas próximas semanas, como publicado mais cedo pelo Politico. "Trump já disse publicamente que Elon deixará o serviço público depois de terminar seu incrível trabalho no Doge", escreveu Leavitt no X.

Mais cedo, uma pesquisa apontou que 58% dos entrevistados desaprovam a gestão de Musk à frente do Doge, enquanto 41% a aprovam - a menor taxa registrada desde o início do novo mandato de Trump.

O próprio Musk já havia afirmado que suas empresas estavam "sofrendo" por sua presença no governo, referindo-se aos ataques contra a Tesla e à queda das ações da companhia. O bilionário também mencionou que esperava concluir os cortes no Doge até o fim de maio.