'A ficção é uma verdade que, às vezes, ainda não aconteceu', diz autora de 'Tudo é Rio' na Flip

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Os diversos caminhos que levam à criação de um romance inspiraram a última mesa da 22ª Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, na manhã deste domingo, 13. Carla Madeira, Silvana Tavano e Mariana Salomão Carrara encontraram algumas semelhanças, mas muitas distinções em seus processos criativos.

"Começo sempre por uma fagulha, algo que vai me direcionar porque não penso em como será trama. Eu me transformo em um corpo que se coloca muitas perguntas", comentou Madeira, atualmente o nome nacional com as maiores vendagens de livros.

Pelo mesmo caminho segue Mariana, que é inspirada por uma frase que, por sua vez, inspira outra e o processo se desenvolve. "O curioso é que, para escrever, é preciso ser uma pessoa sincera até encontrar a verdade da história que, por ser ficção, não passa de uma mentira", comentou. Silvana lembrou que o início pode vir de um sonho, de algo que alguém contou ou mesmo de um documentário - foi o que ocorreu com seu livro Ressuscitando Mamutes.

"Existe muita pesquisa genética sobre esse assunto apontando como uma das soluções para os problemas climáticos. Isso me intrigou porque, em minha obra, o tempo sempre me inquieta. É buscar no passado uma solução para o futuro.

Sobre o conceito de verdade que ronda a ficção, algo aparentemente improvável, as escritoras responderam com originalidade. "A ficção é uma verdade que, às vezes, ainda não aconteceu. Portanto, é algo que precisa ser contado", ponderou Carla, cujo pensamento foi acompanhado por Mariana ("A linguagem serve para nos desarmar") e também Silvana ("As palavras nomeiam o invisível").

Outro tema levantado pela mediadora Adriana Couto foi a escolha dos narradores. Autora de A Árvore Mais Sozinha do Mundo, no qual a história é narrada por um casaco, um espelho, um carro e também por uma árvore, Mariana disse que opção surgiu ao decidir manter a narração em primeira pessoa, mas não a partir de seres humanos. "São objetos que apresentam um olhar muito particular de seus donos, algo que talvez uma pessoa não pudesse apresentar.

O espelho, por exemplo, é cínico, enquanto a árvore tem uma devoção ao ser humano", disse. Já Carla Madeira aponta esse como maior desafio de um autor: qual voz escolher? "Busco personagens que, mesmo não tendo algo novo para contar, se apresentam com menos poeira na sua trajetória, o que lhe permitem ver as coisas com mais frescor. Afinal, é a palavra que vai permitir a construção de todo tipo de liberdade", diz ela, seguida no mesmo raciocínio por Silvana, para quem o tempo é o principal aliado. "Como não é real, palpável, ele se transforma no principal personagem das minhas obras", disse.

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Passageiros enfrentam transtorno na Linha 3-Vermelha do Metrô de São Paulo na manhã desta quinta-feira, 3, na capital paulista. A interferência foi registrada pouco antes das 7 horas da manhã.

De acordo com a companhia, os trens estão circulando com velocidade reduzida e maior tempo de parada nas estações em razão de uma falha em um equipamento na via na Estação Tatuapé, na zona leste. No entanto, o problema já provoca efeito também em outras estações, conforme relatos feitos nas redes sociais.

O Metrô afirma que equipes ainda trabalhavam, por volta das 8h, para resolver o quanto antes a situação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou lei que institui o "Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)". O texto sancionado está no Diário Oficial da União (DOU). O atendimento odontológico será garantido, prioritariamente, em clínicas e hospitais públicos ou conveniados ao SUS.

De acordo com a nova lei, o programa pretende assegurar o tratamento odontológico necessário à plena recuperação bucal das vítimas, incluídos procedimentos de reconstrução, próteses, tratamentos estéticos e ortodônticos, entre outros serviços.

"Para acesso ao Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, a mulher deverá apresentar documentos que comprovem a situação de violência, conforme regulamentação", cita a norma. "O Poder Executivo deverá regulamentar esta lei para definir os critérios de acesso ao Programa de Reconstrução Dentária para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, detalhar os procedimentos de atendimento odontológico e estabelecer parcerias com instituições de ensino e pesquisa, sempre que necessário, a fim de aprimorar a prestação de serviços odontológicos", acrescenta.

O encaminhamento das obras de extensão da Avenida Marquês de São Vicente, na zona oeste da capital, poderá levar à desativação do Viaduto João Goulart, conhecido como Minhocão, de acordo com o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB). O viaduto liga a região da Praça Roosevelt, no centro da cidade, ao Largo Padre Péricles, na Barra Funda.

A declaração de Nunes foi dada à imprensa nesta quarta-feira, 2. O chefe do Executivo disse que está encaminhado um estudo da SPUrbanismo, empresa pública vinculada à Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), que prevê a extensão da Avenida Marquês de São Vicente até o bairro do Tatuapé, na zona leste.

O prolongamento da via faz parte do plano de metas da Prefeitura, divulgado na última terça. A administração diz que o futuro corredor terá 6,9 quilômetros e vai conectar as avenidas Sergio Tomás até a Salim Farah Maluf, "desativando o posterior do Elevado Presidente João Goulart".

De acordo com o prefeito, a extensão vai trazer melhorias para a mobilidade da capital. "Tem um estudo da SPUrbanismo que, com a extensão da (Avenida) Marquês até o (bairro) Tatuapé, a gente vai poder desafogar bem o trânsito e fazer uma ligação entre as zonas oeste e leste - obviamente passando pelo centro. Dando certo, vai possibilitar que a gente desative o Minhocão", disse Nunes.

O prefeito diz que ainda não é possível saber se vai reaproveitar o espaço do viaduto para transformá-lo e ser ocupado de outra forma, ou se vai demolir o elevado. "Agora, se a gente vai desativar o Minhocão com demolição ou fazer um High Line, a gente tem de discutir com a sociedade. É um tema polêmico", afirmou. O High Line, citado pelo prefeito, é uma espécie de parque suspenso.

Nunes diz que a Prefeitura encomendou um projeto de túnel para ligar as zonas oeste e leste da cidade, mas que a ideia não foi adiante por causa do alto custo. E explicou, ainda, que a extensão da Marquês de São Vicente está "bem trabalhada".

"A gente tinha feito a encomenda de um projeto de fazer um túnel. A hora que chegaram os estudos, a gente viu que era inviável pelo custo", disse Nunes. "Agora, essa proposta de extensão da Marquês de São Vicente está bem trabalhada, pronta para a gente fazer as desapropriações - que não são tantas - e poder ter mais essa via na cidade", disse Nunes.

Construído em 1971, o Minhocão foi erguido com a proposta de dar vazão ao fluxo de veículos na capital paulista, que crescia na época. Com o tempo, o viaduto - cuja extensão passa pelos bairros República, Santa Cecília e Barra Funda - passou a receber críticas, seja por provocar desvalorização dos imóveis nas proximidades ou acentuar a deterioração urbana da região.

Atualmente, o Minhocão é usado para veículos de segunda a sexta até 20h. Deste horário até 22h, o elevado é fechado para uso de pedestres, que aproveitam o espaço para praticar atividades físicas. Aos finais de semana e feriados, o viaduto também fica fechado para veículos e aberto ao público, das 7h até 22h.