'Os Arrependidos' revela como guerrilheiros foram obrigados a se retratar em 1970

Geral
Tipografia
  • Pequenina Pequena Media Grande Gigante
  • Padrão Helvetica Segoe Georgia Times

1970, auge da repressão da ditadura militar no Brasil. Cinco militantes presos vão à televisão e aos jornais para declarar seu arrependimento de terem se envolvido com a luta armada. Pouco depois, Massafumi Yoshinaga se apresenta voluntariamente. A partir daí, entre 1970 e 1975, a ditadura transforma os chamados arrependimentos em propaganda, fazendo com que mais de 30 combatentes presos e torturados "confessem" seu remorso por pegar em armas contra o regime. A história, que ficou esquecida no tempo, é recuperada no documentário Os Arrependidos, dos jornalistas Armando Antenore e Ricardo Calil, apresentado nesta quinta, 15, às 21h, no Festival É Tudo Verdade.

Antenore primeiro tomou contato com a história dos arrependimentos num artigo de Persio Arida, publicado em 2011 na revista piauí. "Fiquei impressionado porque nunca tinha ouvido falar", disse, em entrevista ao Estadão. Numa pesquisa na internet, viu uma entrevista antiga de Yoshinaga. Depois, topou com a dissertação de mestrado de Alessandra Gasparotto, editada como livro, O Terror Renegado.

Numa conversa com Ricardo Calil, jornalista, crítico de cinema e diretor de filmes como Uma Noite em 67 e Narciso em Férias, ambos em parceria com Renato Terra, os dois decidiram que dava um documentário. "Foi um filme muito difícil de fazer", explica Calil ao Estadão.

Do primeiro grupo de cinco arrependidos, Antenore e Calil conseguiram entrevistar os três que estão vivos: Marcos Vinício Fernandes, Rômulo Romero Fontes e Marcos Alberto Martini. A família de Massafumi Yoshinaga, que morreu em circunstâncias trágicas em 1976, não participou. Da segunda parte de arrependidos, os diretores conversaram com Celso Lungaretti, Gustavo Guimarães Barbosa e com Graça Lago, viúva do militante Manuel Henrique Ferreira.

A recusa a falar sobre o tema, mais de 40 anos depois, explica por que foi deixado para trás na narrativa sobre aquele período. "É algo que envergonha, em certo sentido, todos os lados", disse Antenore. É verdade que, à provável exceção de Yoshinaga, todos sofreram tortura, tanto os que se arrependeram voluntariamente como os que se arrependeram forçosamente. "Mas nenhum deles se orgulha propriamente desse gesto", explicou Antenore. "Para a esquerda, não deixa de ser um fato vexaminoso porque seriam traidores, e a esquerda os tratou como tal, mas, ao mesmo tempo, são traidores que sofreram tortura. E, para a direita, nenhum interesse também em contar essa história até porque havia uma farsa. Os arrependimentos eram forjados, eram propaganda política falsa."

Ricardo Calil acrescenta que existe um dado incômodo nesses personagens. "Eles são muito difíceis de classificar", disse. "Como a gente vê essas pessoas? E como a gente vê a atitude delas? Como é possível encará-las sem condená-las como aconteceu nos anos 70, sem cancelá-las, que é um termo que a gente usa hoje? E cada caso de arrependimento é um caso diferente. É complexo demais, é espinhoso demais." A abordagem dos dois sempre foi de não julgamento. "A gente tentou se colocar no lugar dessas pessoas muito jovens, numa situação muito difícil, sob pressão, presas, torturadas, e aí cada um encontra uma saída para si", disse Antenore.

Os Arrependidos desfaz qualquer percepção monolítica sobre quem eram os militantes da luta contra a ditadura. As motivações para a entrada no movimento são muito diferentes. As origens sociais, também. "Cada um tem uma história pessoal, um destino posterior e foi afetado por aquele episódio de forma diferente", afirma Calil. "O grupo que entrevistamos é uma amostragem dos caminhos e descaminhos de quem participou da luta armada dos anos 1970."

Um dos poucos traços em comum é que todos eram muito jovens. Num dos depoimentos, Gustavo Guimarães Barbosa se lembra de sair na rua com a arma caindo pela calça. Outro é que ninguém se deu exatamente bem depois de "se arrepender". No começo, os cineastas até pensaram que o processo poderia ser parecido com a delação premiada. "Mas eles não ganharam nada com isso", disse Antenore. Todos continuaram presos, muitos foram até mais torturados. Quando saíram da prisão, carregavam a culpa ou a pecha de traidores. "Isso ficou marcado na vida deles e ouso dizer que, no caso de alguns, destruiu a própria vida - no caso do Massafumi, com certeza", completa. Se há um vilão na história, para os diretores é a ditadura em si. "É por causa do regime autoritário que esses personagens vivem uma trajetória trágica", diz Antenore.

Os dois acreditam que as discussões em torno de Os Arrependidos ganharam relevância com os pedidos cada vez mais frequentes de volta da ditadura e intervenção militar. Aquela época precisa ser debatida a sério. "Agora, a gente tem um presidente que defendeu um torturador no voto do impeachment. Mas o que era a tortura e o que era capaz de fazer? O filme fala disso", disse Calil. "A gente está falando de um filme em que a propaganda política da ditadura, por meio desses arrependimentos, era baseada numa total mentira." O filme escancara também os reflexos daquele período sombrio não só na vida particular dos arrependidos, mas também do País. Sem conhecer o passado, é impossível entender o presente.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Em outra categoria

Com as indicações históricas para Ainda Estou Aqui no Oscar, que acontece o próximo domingo, 2, o carnaval dos brasileiros será um pouco diferente este ano. E a premiação será exibida, também, em um dos destinos mais populares da festa: Salvador -- mais especificamente, no Pelourinho, no centro histórico da cidade.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira, 24, pelo governador Jerônimo Rodrigues durante um podcast sobre as ações do estado no feriado. Além da transmissão do Oscar, haverá um show surpresa.

"Vamos transmitir ao vivo à noite. Um telão será instalado. Aguardem, pois em breve divulgaremos mais detalhes. É uma surpresa", disse.

O anúncio também foi compartilhado pela Secretaria de Cultura da Bahia nas redes sociais.

"Hollywood, não! Pelourinho! A festa e a torcida pelo cinema brasileiro se encontrarão em uma celebração única durante o nosso Carnaval do Pelô! Vamos torcer juntos pelo Brasil, pela atriz Fernanda Torres e vibrar nessa noite mágica em que o cinema e o carnaval da Bahia se unem rumo à vitória", diz a publicação.

Ainda Estou Aqui concorre nas categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Fernanda Torres, que interpretou Eunice Paiva no longa, está na disputa pelo troféu de Melhor Atriz.

*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais

Uma conversa entre Diogo, Vilma e Aline levantou questões sobre a relação do ator e da mãe com Vinícius. O diálogo ocorreu nesta terça-feira, 25, no BBB, e teve como ponto central a forma como Vinícius interage com Diogo e Vilma.

Diogo afirmou que sente falta de empatia por parte de Vinícius. Segundo ele, mesmo quando tenta puxar algum assunto, não percebe reciprocidade. "Tem um movimento com ele, às vezes puxar algum assunto e tal, mas eu não vejo isso comigo. Isso é não ter empatia comigo", explicou.

Vilma concordou com Diogo e destacou uma percepção semelhante. "Se nós estamos na roda, ele pula nós dois, ele não olha, não fala", relatou.

Aline discordou da interpretação do termo empatia, defendendo que Vinícius não é obrigado a interagir, embora reconheça que ele responde quando abordado. "A pessoa não é obrigada a interagir com quem ela não está bem relacionada na casa", pontuou.

Diogo ainda acusou Vinícius de ter dito que Vilma era "insignificante" e que "não valia a pena ele chamar ela para uma conversa". Aline rebateu, dizendo conhecer o amigo: "Ele não falaria isso. Talvez tenha sido a sua compreensão", afirmou.

O ator John Lithgow confirmou que interpretará Alvo Dumbledore na nova série da saga Harry Potter, atualmente em desenvolvimento pela HBO. Aos 79 anos, ele é conhecido por trabalhos em The Crown, Dexter e, mais recentemente, no filme Conclave, que concorre ao Oscar 2025.

No início de fevereiro, o portal Deadline disse o experiente ator vencedor de 6 prêmios Emmy estaria em fase final de negociações para ser contratado. Agora, ele revelou ao ScreenRant que o papel foi oferecido em janeiro e que, após pensar bastante, resolveu aceitá-lo.

"É verdade, foi uma surpresa para mim. Eu recebi a ligação quando estava no Festival de Cinema de Sundance divulgando outro filme e não foi uma decisão fácil porque vai me definir pelo último capítulo da minha vida", disse o ator.

"Mas estou muito animado. Algumas pessoas incríveis estão virando sua atenção de volta a Harry Potter", completou.

Em seguida, o repórter perguntou se ele estava pronto para gravar a série por sete temporadas, e Lithgow afirmou que, justamente por isso, "foi uma decisão muito difícil". "Terei cerca de 87 anos na festa de encerramento, mas eu disse sim", completou.

A produção da série de Harry Potter vai começar entre junho e agosto. Francesca Gardiner está confirmada como roteirista-chefe, enquanto Mark Mylod irá dirigir múltiplos episódios. Ambos são vencedores do Emmy pela aclamada Succession.

A série será uma "adaptação fiel" da obra de J.K. Rowling, e contará com um novo elenco para uma nova geração de fãs.