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O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não há "grandes novidades" de receitas no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, apresentado nesta sexta-feira, 29.

Segundo Durigan, a novidade de 2026 é o projeto de lei complementar (PLP) que vai fazer o corte linear de benefícios fiscais. Estão previstas receitas de R$ 19,76 bilhões com a revisão de benefícios fiscais. "É importante porque o texto vai se tornar conhecido agora. A gente já tem trabalhado com as lideranças do Congresso", afirmou.

O secretário também destacou que estão previstos R$ 27 bilhões de receitas com o Programa de Transação Integral (PTI) da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), em modelo mais avançado. Este programa oferece soluções consensuais para litígios tributários, permitindo acordos individuais e a resolução de processos de alta complexidade e valores.

Durigan explicou que a PGFN e a Receita Federal trabalham com previsões basicamente atualizadas de um ano para o outro. A PGFN projeta cerca de R$ 69 bilhões provenientes das transações que seguem no fluxo, enquanto a Receita estima entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões das transações recorrentes. "Do lado extraordinário, estamos retirando receitas da Receita, como já disse há algum tempo. E mantemos para 2026 o programa de transação PTI", esclareceu.

Veja principais pontos do projeto de redução de benefícios apresentado por José Guimarães

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 182/2025, apresentado nesta sexta-feira, 29, pelo deputado e líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), impõe corte linear de incentivos tributários federais e cria responsabilidade solidária para terceiros envolvidos com apostas de quota fixa sem autorização.

A medida busca elevar a arrecadação e coibir a operação irregular de casas de apostas. O PLP 182/2025 tenta, simultaneamente, ampliar a base de arrecadação mediante a limitação de benefícios fiscais e endurecer o combate às apostas ilegais. Veja os pontos principais:

1. Redução de incentivos e benefícios

- O texto determina queda uniforme de 10% em todos os incentivos ou benefícios relacionados a seis tributos federais: PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL, contribuição previdenciária patronal (incluindo CPRB), Imposto de Importação e IPI.

- A regra vale tanto para isenções quanto para alíquotas reduzidas, créditos presumidos e regimes especiais (como lucro presumido e REIQ).

- No regime de lucro presumido, o acréscimo só incide na parcela de receita que superar R$ 1,2 milhão por ano-calendário.

2. Sistema padrão de comparação

A referência de "sistema padrão" considera as alíquotas cheias dos tributos: lucro real para IRPJ/CSLL, TIPI sem reduções para IPI, e alíquotas gerais de 0,65%/3% (regime cumulativo) ou 1,65%/7,6% (não cumulativo) para PIS/Cofins.

3. Exceções expressas

O corte não alcança imunidades constitucionais, itens da cesta básica, incentivos já concedidos mediante investimento até 31/12/2025, entidades sem fins lucrativos, programa Minha Casa Minha Vida, benefícios com teto global de concessão e alíquotas ad rem.

4. Responsabilidade solidária nas apostas

- Bancos, instituições de pagamento e empresas que processem transações com sites de apostas sem licença federal responderão solidariamente pelo recolhimento dos tributos devidos.

- A mesma regra se aplica a pessoas físicas ou jurídicas que façam publicidade para operadores irregulares.

- A Receita Federal regulamentará o mecanismo de cobrança.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envia nesta sexta-feira, 29, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026 ao Congresso Nacional. A proposta traz todos os gastos da União e a previsão de arrecadação com impostos e outras fontes de receita.

O governo enviou o projeto com uma previsão de superávit de R$ 34,5 bilhões nas contas públicas (a meta fiscal é de R$ 34,3 bilhões), ou seja, 0,25% do PIB. Mas, na prática, há uma margem de tolerância que permite déficit zero. O arcabouço fiscal tem uma margem de tolerância de 0,25 ponto porcentual do PIB para mais ou para menos.

Além disso, algumas despesas estão fora dessa contabilidade, como parte do pagamento de precatórios (dívidas judiciais da União). Considerando todos os gastos e receitas, haverá um déficit real de R$ 23,3 bilhões no ano que vem, de acordo com as projeções do governo.

O salário mínimo será de R$ 1.631 em 2026, conforme os parâmetros do Orçamento. O valor representa um aumento de 7,44% em relação ao piso atual, de R$ 1.518. A quantia impacta no pagamento de aposentadorias e benefícios assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O programa Bolsa Família terá R$ 158,6 bilhões.

O PLOA do próximo ano prevê despesas de R$ 1,110 trilhão com benefícios previdenciários em 2026. Esses gastos têm crescido como reflexo da nova política de valorização do salário mínimo e da ação de zerar as filas de espera pelos benefícios - o que mostrou, também, subestimação do governo em relação a essa rubrica.

O Pé-de-Meia, que voltará para o Orçamento, após o Tribunal de Contas da União (TCU) condenar os gastos paralelos do programa de incentivo à permanência escolar, tem uma previsão de R$ 12 bilhões em despesas.

O Auxílio Gás foi proposto com R$ 5,1 bilhões em gastos. O valor não contempla a ampliação do programa anunciada pelo governo Lula, de atender 17 milhões de famílias - que custaria mais de R$ 10 bilhões. A equipe econômica ainda não apresentou um fórmula para colocar o programa turbinado no Orçamento.

Os investimentos públicos vão totalizar R$ 83 bilhões em 2026, de acordo com a proposta. Só do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), são R$ 52,9 bilhões - um aumento de 6,4% em relação aos R$ 49,7 bilhões previstos para este ano.

As emendas parlamentares somarão R$ 40,8 bilhões, mas o valor diz respeito apenas às emendas impositivas (obrigatórias), indicadas pelos deputados e senadores (individuais) e pelos grupos estaduais do Congresso (bancada).

O governo reservou R$ 1 bilhão para o fundo eleitoral, que bancará os candidatos na eleição de 2026, valor menor do que os R$ 5 bilhões destinados nas eleições de 2022 e 2024. Se o Congresso quiser aumentar a cifra, deverá cortar das emendas de bancada, como prevê a legislação.

O Congresso deverá incluir as emendas de comissão, herdeiras do orçamento secreto, esquema revelado pelo Estadão. Para isso, terá que cortar despesas do Poder Executivo para abrigar os recursos.

O gasto com pessoal deve alcançar R$ 427,2 bilhões no próximo ano.

Pela proposta orçamentária, serão destinados R$ 245,5 bilhões para cumprimento do piso da Saúde, o equivalente a 15% da Receita Corrente Líquida (RCL), e R$ 133,7 bilhões para o piso da Educação, que corresponde a 18% da Receita Líquida de Impostos (RLI). (COLABORARAM FLÁVIA SAID, GIORDANNA NEVES E CÍCERO COTRIM)

A Associação Brasileira de Banking as a Service (ABBAAS) divulgou nota na noite desta sexta-feira, 29, apoiando as operações da Polícia Federal e da Receita Federal que investigam o uso indevido de serviços financeiros por organizações criminosas, mas ressalta que é preciso evitar generalizações.

"As empresas investigadas são exceções e não representam o setor fintech, que atua com inovação e inclusão, dentro da legalidade", destaca nota da ABBAAS, ressaltando que as fintechs são um "ecossistema essencial à transformação financeira do Brasil".

"O setor financeiro brasileiro é robusto, seguro e inovador, com papel crucial na inclusão financeira de milhões de brasileiros", destaca a nota. O texto observa que a ampla maioria das instituições do setor segue "rígidos padrões de compliance, sob fiscalização do Banco Central".

"A ABBAAS considera acertada a instrução normativa da Receita Federal que exige das fintechs o reporte de informações. É fundamental seguir com o aprimoramento de regras de integridade e monitoramento".

Para manter o avanço na inovação financeira, o texto observa que é essencial "equilibrar segurança e inovação, com regulação responsável".