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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fez um discurso repleto de referências bíblicas nesta sexta-feira, 29, durante a inauguração de uma praça em São Bernardo do Campo (SP). O possível presidenciável falou em missão divina e alegou que "Deus deu para cada um (de nós) um dom. Deu para os vereadores um dom, para os secretários um dom. Se a gente não usar este dom, vamos estar pecando".

"A gente não sabe por que Deus nos coloca em determinada posição em determinado momento para cumprir determinada missão. E às vezes - isso acontece com todo mundo - a gente acha que não tá pronto, que não dá conta. Quem aqui já achou que não estava pronto? Que o fardo é muito pesado? Mas se Deus deu esse fardo, se Deus deu essa missão... É porque Deus vai dar condição de superar", disse o governador.

Apesar de dizer que não pensa em candidatura presidencial, Tarcísio tem se firmado como possível representante da direita na corrida ao Planalto em 2026, uma vez que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está inelegível até 2030, condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Com a impossibilidade do ex-presidente concorrer, a direita começa a se organizar em torno dos nomes viáveis para 2026 e apoiadores passam a se movimentar cada vez mais ao redor de Tarcísio. Bolsonaro, no entanto, sustenta que irá se candidatar à Presidência ano que vem, mesmo inelegível. O ex-presidente ainda não indicou o seu sucessor e seus filhos criticam movimentos para definir uma outra candidatura que não seja a do pai.

Tarcísio, durante o seu discurso nesta sexta, contou a história de Abraão e Moisés, personagens bíblicos que hesitaram, mas atenderam o chamado de Deus. "Ele (Deus) deu essa missão para um pastor, e sabe o que Moisés respondeu? 'Quem sou eu, para libertar seu povo?' Olha o que Deus respondeu para ele: 'Eu estou contigo. Vai'. Isso é o que eu chamo de obediência ousada".

O governador ainda complementa: "A gente tem que estar ciente de que Deus dá a missão, mas também dá a força. A gente tem que estar ciente de que Deus vai dar a capacidade para suportar. Deus vai mandar os anjos passarem junto para não deixar a peteca cair". Ele finaliza o discurso dizendo que "vai ter pedra no caminho, vai ter espinho, vai ser difícil, mas persevera na oração" e que a vitória virá.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) disse nesta sexta-feira, 29, que ele e sua família podem deixar o Partido Liberal (PL) se o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), migrar para a sigla. A afirmação foi feita ao portal Metrópoles, durante entrevista em que ele se queixou de um processo de "apagamento" dos Bolsonaros.

O ex-presidente Jair Bolsonaro e seus quatro filhos são filiados ao PL: Eduardo (SP), o senador Flávio (RJ) e os vereadores Carlos (RJ) e Jair Renan (SC).

"De fato, é algo que a gente pensa (deixar o PL), porque, da maneira que as coisas estão caminhando, existe um direcionamento para apagar a família Bolsonaro do cenário político", disse.

Segundo Eduardo, se o governador de São Paulo fosse eleito presidente em 2026, seria difícil que ele e sua família tivessem participação em seu governo. "Qual é o secretário bolsonarista que existe no governo Tarcísio? Não tem. Mas tem pessoas ali que são ligadas ao PSOL. Eu tentei colocar o secretário de Cultura. O nome não foi aceito, e foi colocada uma pessoa que já foi secretária de cultura do governo de Fernando Haddad (PT)", disse.

O deputado afirmou não se tratar de uma crítica a Tarcísio: "É uma pessoa de caráter íntegro, que não está metida em corrupção, um excelente gestor. Mas eu acredito que exista espaço para você tentar uma candidatura à direita". Ele mesmo cogita sair candidato, apesar de estar residindo nos Estados Unidos. "Talvez, a primeira campanha virtual da história do País", disse.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Bolsonaro mostram Eduardo xingando o pai e criticando gestos feitos por Bolsonaro a Tarcísio.

Ele também afirmou que o governador paulista nunca ajudou em nada na interlocução com o Supremo Tribunal Federal (STF), em que Bolsonaro será julgado nas próximas semanas, e que Tarcísio "está de braço cruzado vendo vc se f…. e se aquecendo para 2026".

Na segunda-feira, 25, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o governador vai se filiar à legenda caso concorra à Presidência da República.

Já o presidente do Republicanos, durante evento de 20 anos do partido, declarou: "Quem sabe, se a conjuntura dos acontecimentos permitir, teremos um candidato a presidente, não é Tarcísio?".

Dois dias depois, na quarta, Valdemar mudou o discurso: "Nosso candidato a presidente da República é Jair Bolsonaro ou quem ele, e só ele, escolher", escreveu o dirigente partidário em rede social.

Sem citar nominalmente o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o parlamentar "defendeu o crime organizado" no episódio do vídeo viral lançado por Nikolas em janeiro, em que faz especulações sobre uma suposta taxação do Pix.

"Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs, e agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado", afirmou o presidente em entrevista à Rádio Itatiaia nesta sexta-feira, 29.

O deputado postou em seu perfil do X (antigo Twitter) o trecho da entrevista, afirmando que Lula cometeu "canalhice" ao fazer a afirmação, que categorizou como "mentira torpe, criminosa e irresponsável". "Irei à Justiça para que responda por essa difamação assim como farei com todos os demais - estou compilando tudo", prometeu o deputado.

O Palácio do Planalto foi procurado para comentar a manifestação, mas não respondeu até a publicação deste texto.

Lula comentava sobre a megaoperação contra o crime organizado foi deflagrada nesta quinta-feira, 28, por diversos órgãos públicos em cooperação, contra a infiltração do crime organizado na economia formal. A ação foi a maior do tipo na história do País e mirou o setor de combustíveis e instituições financeiras sediadas na avenida Faria Lima, situada na capital paulista.

Só na região, principal centro financeiro do País, estão 42 alvos da operação, entre fintechs, corretoras e fundos de investimentos. A estimativa é que a organização criminosa, ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), tenha movimentado R$ 52 bilhões no período investigado, blindando os recursos por meio de 40 fundos de investimentos.

Em coletiva de imprensa sobre a ação, o secretário da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas, também não citou nominalmente o deputado, mas afirmou que as informações falsas propagadas por ele, de que o governo passaria a "taxar" o Pix, beneficiaram a rede criminosa.

"As operações de hoje (quinta) mostram que, independentemente das intenções, as pessoas que espalharam aquelas fake news, aquelas mentiras no início do ano, ajudaram o crime organizado", disse.

Em janeiro deste ano, o deputado publicou um vídeo que em pouco tempo viralizou, em que propagava informações enganosas e distorcidas sobre normativa da Receita Federal que passou a valer naquele mês. A regra, publicada em setembro do ano passado, ampliava o monitoramento de transações financeiras, estendendo às fintechs as mesmas obrigações de transparência e de prestação de informações que todas as instituições financeiras têm há mais de 20 anos no Brasil.

Ao longo do vídeo, Nikolas afirma que a norma da Receita era uma "quebra de sigilo mascarado de transparência", e omite informações sobre o Pix, o Imposto de Renda e o sistema de fiscalização da Receita. Na ocasião, a gravação alcançou mais de 300 milhões de visualizações. Veja a checagem do Estadão Verifica sobre o tema.

"O que aconteceu em janeiro, todos nós sabemos: a Receita Federal recebeu o maior ataque da história dela de mentiras e de fake news, dizendo mentirosamente que aquela instrução normativa tratava de tributação de meios de pagamento", disse Barreirinhas, afirmando que apesar de todo o esforço, não conseguiram "reverter essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava".

Com a repercussão negativa e uma enxurrada de críticas, o governo recuou e revogou a norma alguns dias depois. Petistas avaliaram na época que o deputado saiu como "herói" da história.

Sob a nova regulamentação, todas as movimentações de pagamentos instantâneos e de cartões de crédito que ultrapassassem os valores estipulados em um mês, acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e de R$ 15 mil para pessoas jurídicas, seriam reportadas à Receita. A medida permitia controle e fiscalização mais efetivos dessas transações, visando coibir sonegação.

Segundo a investigação que culminou na megaoperação desta quinta-feira, o crime organizado se aproveitava de "brechas" na regulação das fintechs.

"A utilização de fintechs pelo crime organizado objetiva aproveitar brechas na regulação desse tipo de instituição. Essas brechas impedem o rastreamento do fluxo dos recursos e a identificação, pelos órgãos de controle e de fiscalização, dos valores movimentados por cada um dos clientes da fintech de forma isolada", diz a Receita Federal.

A investigação mostra que transferências milionárias foram realizadas entre instituições investigadas, sem que seja possível identificar a origem e os destinatários dos recursos movimentados.