No Centro das Atenções
Pesquisadores do Pennington Biomedical Research Center (EUA), da Proteimax Biotechnology (Israel) e do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (Brasil) demonstraram que a ingestão de uma molécula sintética, Pep19, ajuda adultos com obesidade a reduzir a gordura visceral e a melhorar o sono.
O estudo, publicado na revista Diabetes Metabolism Research and Reviews, mostrou que o grupo que recebeu 5 miligramas da molécula teve uma redução de 17% na gordura visceral, sem alteração na massa corporal magra.
Os participantes foram divididos em grupos que receberam placebo, dois miligramas e cinco miligramas de Pep19, administrados por via oral em cápsulas uma vez ao dia antes de dormir; aqueles que receberam essa molécula em qualquer concentração apresentaram melhora na qualidade do sono, e nenhum efeito colateral foi observado.
"Podemos ver que o peptídeo foi capaz de transformar parte da gordura branca, que serve como reserva de energia para o corpo, em gordura marrom, que é usada para a produção de energia do corpo, aumentando a queima de calorias para gerar energia e calor, um processo que ocorre quando somos expostos a temperaturas muito baixas", disse a pesquisadora da Proteimax Biotecnologia, Andrea Heimann.
Essa descoberta é uma "excelente notícia" porque os problemas metabólicos são um dos "grandes males", com "poucas opções eficazes" para lidar com eles.
"Mais estudos estão em andamento e, se os resultados obtidos até agora forem confirmados, o Pep19 poderá se tornar uma solução revolucionária para melhorar a saúde metabólica e a qualidade de vida de milhões de pessoas", disse Emer Suaviinho Ferro, professor livre-docente do Departamento de Farmacologia do ICB-USP e chefe do Laboratório de Farmacologia de Peptídeos Intracelulares.
A molécula é uma versão sintética de um peptídeo naturalmente presente nas células humanas. Estudos anteriores em animais mostraram que o Pep19 tem efeitos antiobesidade e melhora indicadores como glicemia, colesterol e pressão arterial, devido ao seu efeito no sistema endocanabinoide, que desempenha um papel importante na regulação do metabolismo, apetite, lipólise e liberação de energia.
O estudo envolveu 24 voluntários com idades entre 46 e 59 anos, pesando entre 91 e 106 quilos e com índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 35 quilos por metro quadrado, que foram avaliados durante 60 dias em um ensaio clínico triplo-cego. Ao final do período, foram avaliados parâmetros como qualidade de vida, composição corporal, medidas antropométricas e marcadores bioquímicos.
Apesar desses resultados, os autores do estudo enfatizaram a importância de estudos clínicos maiores e de longo prazo.