Líder curdo pede ao PKK que deponha as armas para encerrar conflito separatista na Turquia

Internacional
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O líder curdo Abdullah Ocalan pediu ao seu grupo separatista PKK que baixe as armas e se dissolva. A mensagem enviada da prisão onde cumpre pena por traição é parte da nova tentativa de encerrar o conflito de quatro décadas com o Estado da Turquia.

"Convoquem seu congresso e tomem uma decisão. Todos os grupos devem depor as armas, e o PKK deve se dissolver", pediu Ocalan na mensagem por escrito que foi lida, primeiro em curdo depois em turco, por líderes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, mais conhecido pela sigla PKK.

O raro pronunciamento de Ocalan é parte dos esforços para encerrar o conflito que deixou dezenas de milhares de mortos. E pode ecoar além das fronteiras da Turquia, considerando a sua influência sobre os grupos curdos no Iraque, Irã e Síria.

Mas ainda não está claro quais serão os próximos passos do PKK - classificado como organização terrorista por Turquia e Estados Unidos. Especialistas afirmam que a liderança do grupo provavelmente seguirá qualquer chamado de Ocalan, embora algumas facções possam resistir.

No começo das negociações, o líder do Partido de Ação Nacionalista, Devlet Bahceli, um aliado do presidente Recep Tayyip Erdogan, sugeriu que Abdullah Ocalan poderia ser beneficiado com a liberdade condicional, caso o PKK renunciasse à violência e se dissolvesse.

Mais recentemente, em janeiro, Erdogan disse que o governo não havia oferecido concessões ao PKK, mas que o fim do conflito beneficiaria os dois lados: curdos e turcos. O objetivo das negociações era fazer com que "o grupo terrorista se dissolvesse e entregasse suas armas incondicionalmente", disse o presidente da Turquia em discurso para integrantes do seu partido.

Em entrevista publicada por agência de notícias ligada ao PKK, um representante do movimento curdo sugeriu, na semana passada, que muitas questões permaneciam em aberto. "Ninguém deve pensar que haverá uma negociação fácil na mesa, que serão feitas assinaturas e que tudo será resolvido", disse Duran Kalkan. "O outro lado quer eliminar o PKK".

Fundado por Ocalan, o PKK surgiu como grupo separatista que buscava criar um Estado independente para a minoria curda da Turquia. Agora, diz lutar para que o seu grupo étnico tenha mais direitos.

Desde os anos 1980, o PKK lidera uma insurgência, com ataques a delegacias, postos militares e atentados a bomba. O seu líder Abdullah Ocalan, de 75 anos, está preso na ilha de Imrali, perto de Istambul, desde 1999, após ser condenado por traição. Mesmo detido, ele continua exercendo grande influência sobre o movimento que criou.

Nas cidades de maioria curda de Diyarbakir e Van, no sudeste da Turquia, o anúncio do PKK foi exibido em telões. Na mensagem, Ocalan destacou os motivos que levaram à luta armada, citando a recusa do Estado em reconhecer a identidade curda, mas disse que não há mais razões para o conflito. "O consenso democrático é o caminho fundamental", disse.

O governo de Erdogan ainda não respondeu oficialmente ao anúncio.

Ao longo dos anos, a Turquia e o PKK tentaram resolver o conflito, mais recentemente por meio de conversações de paz iniciadas em 2011. As negociações, contudo, foram interrompidas em 2015, o que levou a uma fase ainda mais violenta.

A nova tentativa ocorre em meio aos esforços de Erdogan para mudar a Constituição, que o impede de concorrer a novo mandato - ele tem sido o homem forte da Turquia desde 2003, como primeiro-ministro e agora presidente.

Para isso, Erdogan deve precisar dos votos do Partido da Igualdade e Democracia do Povo (D.E.M) no Parlamento. A sigla pró-curdos há muito tempo pede mais direitos para o grupo étnico e melhores condições para Ocala na prisão.

Mesmo com os recentes esforços de paz, o governo de Erdogan tem intensificado a repressão à oposição, com prisões de jornalistas e políticos. Vários prefeitos curdos eleitos foram destituídos e substituídos por administradores nomeados pelo Estado. (Com agências internacionais).

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"Muitas plataformas de mídia social aplicam globalmente um único conjunto de políticas de moderação. Com isso, leis de censura mais restritivas podem, na prática, se tornar padrões globais, mesmo sem ameaças diretas de autoridades estrangeiras. Ou seja, pode haver uma corrida global para o fundo do poço no que diz respeito à liberdade de expressão", afirmou Jordan.

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