ONU adverte que bloqueio em Gaza pode reduzir muito ajuda humanitária

Internacional
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A agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para refugiados palestinos advertiu nesta quarta-feira, 25, que, sem entregas imediatas de combustível, ela terá de reduzir fortemente as operações de ajuda na Faixa de Gaza. A zona tem sido bloqueada pelos devastadores ataques aéreos israelenses desde que militantes do Hamas lançaram um ataque a Israel, há mais de duas semanas.

O alerta é feito no momento em que hospitais em Gaza lutam para tratar muitos feridos com recursos diminuindo, e autoridades de saúde no território controlado pelo Hamas dizem que o número de mortes dispara, enquanto aviões de Israel continuavam a atacar o território na madrugada desta quarta-feira.

Os ataques aéreos mataram mais de 750 pessoas em Gaza entre terça-feira, 24, e quarta-feira, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, onde o Hamas controla o governo. Os dados não especificam quantos seriam militantes entre as baixas. A Associated Press não tem como verificar de modo independente os números citados pelo Hamas, que atribui a informação a diretores de hospitais.

Os militares israelenses afirmam que seus ataques mataram militantes e destruíram túneis, centros de comando, estoques de armas e outros alvos militares, e acusam o Hamas de se esconder entre a população civil em Gaza. Militantes sediados em Gaza têm lançado foguetes contra Israel desde o início do conflito.

A ONU afirma que cerca de 1,4 milhão dos 2,3 milhões de moradores de Gaza são agora deslocados internos, com quase 600 mil em abrigos lotados da organização . Fonte: Associated Press.

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A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a indicação da deputada e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), para o comando da Secretaria de Relações Institucionais (SRI). Segundo lideranças no Congresso, o movimento indica uma "radicalização e isolamento" do Executivo e coloca "ideologia e interesses partidários acima do Brasil".

O líder da Oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que a nomeação de Gleisi mostra que o governo "dobra a aposta" num movimento de "radicalização e isolamento". Marinho disse ainda que o Executivo potencializa "erros do passado".

"A nomeação de ministros é uma prerrogativa de Lula, e a sinalização dada com a escolha da deputada indica radicalização e isolamento. O PT dobra a aposta e demonstra que não se esqueceu de nada, nem aprendeu com seus erros do passado, que são potencializados no presente e defendidos como dogmas de fé", afirmou Marinho.

Logo após a indicação ser oficializada por Lula nesta sexta-feira, 28, Marinho citou uma frase atribuída ao ex-imperador da França Napoleão Bonaparte (1769-1821) para dizer que o governo federal havia cometido um erro.

"Nunca interrompa seu inimigo, quando ele estiver cometendo um erro. Padrão PT", afirmou o líder da Oposição no Senado no X (antigo Twitter).

Em nota, o líder da Oposição na Câmara, Luciano Zucco (PL-RS), afirmou que a escolha de Gleisi para a SRI mostra que o governo Lula está "priorizando interesses partidários" e afirmou que o País corre o risco de também ter a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, como ministra da Casa Civil.

"A escolha de Gleisi Hoffmann demonstra que o governo continua priorizando interesses partidários em detrimento do bem comum. Se continuar assim, muito em breve, além da Gleisi na articulação política, corremos o risco de ter a Janja à frente da Casa Civil", disse Zucco em nota.

Pelo X (antigo Twitter), Zucco compartilhou uma notícia que associou a indicação de Gleisi com a alta do dólar que, nesta quinta-feira, 27, estava cotado em R$ 5,829 e passou para R$ 5,908 às 15h desta sexta.

"É isso que acontece quando o governo coloca ideologia e interesses partidários acima do Brasil. O resultado? Dólar sobe, bolsa cai, e a incerteza só cresce. Infelizmente, quem paga são os brasileiros", afirmou Zucco.

Gleisi tem um perfil mais combativo do que articulador. Ela está na presidência do PT desde 2017 e colecionou embates com políticos que hoje integram a oposição ao governo Lula.

Em uma reviravolta, Lula convidou Gleisi para comandar a Secretaria, estratégica para o governo. Ela já estava sendo cotada para integrar a Esplanada, mas para substituir Márcio Macêdo na Secretaria-Geral da Presidência.

Caberá a Gleisi, por exemplo, negociar os repasses das emendas parlamentares, pivô de uma crise entre Planalto, Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), desejaram sorte para a nova ministra. Enquanto Hugo destacou uma boa relação com Gleisi no Congresso, Alcolumbre estimou sucesso na "importante missão de dialogar com o parlamento".

Essa não é a primeira vez que Gleisi será ministra. Entre junho de 2011 e fevereiro de 2014, ela foi chefe da Casa Civil no primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, foi escolhida pelo presidente Lula para comandar a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta responsável pela articulação política do governo. Fiel às gestões petistas e peça-chave nas decisões internas do partido, Gleisi assume um papel estratégico no relacionamento entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional.

Natural de Curitiba, Paraná, Gleisi é formada em Direito e iniciou sua trajetória política através da militância no movimento estudantil. Em 1989 se filiou ao Partido dos Trabalhadores e consolidou-se como uma das figuras mais influentes da legenda.

Antes de presidir o partido, atuou como secretária nos governos petistas de Zeca (PT), no Mato Grosso do Sul, e de Nedson Micheleti (PT), em Londrina. Também integrou a equipe de transição do primeiro governo Lula e assumiu uma diretoria da Itaipu Binacional.

Em 2010, Gleisi foi eleita senadora pelo Paraná e, um ano depois, licenciou-se do cargo para assumir a Casa Civil no governo de Dilma Rousseff, tornando-se uma de suas principais aliadas. Esteve ao lado da ex-presidente durante o impeachment de 2016 e, no ano seguinte, assumiu a presidência do PT, liderando a sigla em um período turbulento, que incluiu a prisão de Lula, a Lava Jato e a eleição de Jair Bolsonaro (PL).

Além da vitória ao Senado, Gleisi já disputou cargos no Legislativo e Executivo. Em 1998, concorreu a deputada estadual no Paraná. Tentou uma vaga no Senado em 2006 e, em 2008, foi candidata à Prefeitura de Curitiba. Em 2014, disputou o governo do Estado. Já em 2018, elegeu-se deputada federal, sendo reeleita em 2022.

Apesar da lealdade ao governo, Gleisi não evita embates dentro da própria base aliada. Como presidente do PT, tem feito críticas a ministros da atual gestão, com destaque para as divergências públicas com Fernando Haddad, da Fazenda.

Em outubro do ano passado, como mostrou o Estadão, a presidente do PT também rebateu críticas de Alexandre Padilha, que deixou a SRI para assumir o Ministério da Saúde, sobre a condução do partido durante as eleições municipais de 2024.

Aliados de Gleisi apostam na relação construída com o novo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), como um dos trunfos dela no comando da SRI. Para correligionários, a escolha reflete a estratégia do governo Lula de entrar em "modo campanha" com foco na eleição de 2026.

O perfil combativo da presidente do PT, popular entre a militância, pesou na equação da reforma ministerial. Em meio às mudanças, Lula chegou a justificar a saída de Nísia Trindade do Ministério da Saúde afirmando que precisa de mais "agressividade na política".

O prefeito de Cariacica (ES), na região metropolitana de Vitória, afirmou que a Prefeitura não vai mais repassar verbas para a escola de samba Independente de Boa Vista. A nota de repúdio de Euclério Sampaio (MDB), publicada em seu perfil do Instagram, diz que a escola ter levado uma "ala do MST" para a avenida foi um "erro inadmissível".

A Independente de Boa Vista foi campeã do Carnaval de Vitória 2025 com um desfile que homenageou a carreira do fotógrafo Sebastião Salgado. Em um momento do desfile, uma ala faz referência ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), retratado em trabalhos do fotógrafo documental.

Segundo o prefeito de Cariacica, o desfile teria gerado uma "polêmica" que o motivou a se pronunciar. "A partir deste ano, não faremos mais qualquer repasse à escola. Não compactuo com homenagens a movimentos criminosos", escreveu.

Euclério também disse que não sabia que o MST seria mencionado na performance. "Esse erro é inadmissível. Vamos responsabilizar a escola da forma cabível", finalizou.

Já no perfil oficial da Prefeitura, o comunicado é de que "o processo de verbas de fomento à cultura seguirá os trâmites democráticos e republicanos, sem represálias". O Estadão entrou em contato com a Prefeitura de Cariacica, mas não houve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto

A escola Independente de Boa Vista também se manifestou por meio do Instagram. O pronunciamento afirma que a ala buscou homenagear o livro "Terra": "Essa obra retrata as lutas, os desafios e a dignidade dos trabalhadores rurais brasileiros em sua busca pela reforma agrária".

Segundo a agremiação, a representação no desfile tinha como objetivo "evidenciar a realidade de milhares de brasileiros" e promover reflexão sobre o tema. "Sabemos do coração bom de Euclério, por isso, ficamos na expectativa de uma reversão desse posicionamento", diz a nota.

Em vídeo, Sebastião Salgado classificou o desfile como uma "homenagem sublime" e elogiou a ala "Terra". "Respeito profundamente o 'Movimento Sem Terra', uma das maiores organizações sociais de toda a América Latina e talvez o maior plantador de árvores do Brasil", disse o fotógrafo.