TCU dá 5 dias para governo Lula explicar supostas irregularidades em 'marmitas invisíveis'

Política
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O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes deu cinco dias úteis para o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) e a ONG Mover Helipa apresentaram explicações sobre suspeitas de irregularidades na distribuição de marmitas. A decisão foi publicada na terça-feira, 18, atende a uma representação feita pelo partido Novo à Corte de Contas.

Ao Estadão, o Ministério do Desenvolvimento Social afirmou que suspendeu, no mês passado, a parceria com a ONG Mover Helipa. A pasta disse ainda que realiza procedimentos de averiguação e fiscalização junto à Controladoria-Geral da União (CGU).

"O Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome informa que as recomendações feitas pelo TCU foram adotadas antes mesmo da notificação do órgão e que os procedimentos de averiguação e fiscalização seguem junto a Controladoria Geral da União e MDS", afirmou a pasta em nota.

A ONG Mover Helipa, por sua vez, afirmou que não recebeu a notificação pelo TCU mas que, quando tiver contato com a determinação, vai adotar o "compromisso de colaborar com todo e qualquer processo de auditoria" (leia a nota completa no final da reportagem).

"Reafirmamos nosso compromisso inabalável com a transparência e com a ética no trato das parceiras com o poder público e a plena colaboração em todos os procedimentos de auditoria solicitados pelo poder público, com o objetivo de demonstrar a integridade e a lisura dos processos operacionais, como tem sido nossa postura desde o início de nossa atuação social", afirmou a ONG ao Estadão.

No mês passado, uma reportagem do jornal O Globo identificou que, após vencer editais da pasta, a ONG Mover Helipa subcontratou entidades ligadas a outros ex-assessores de parlamentares petistas, além de empresas com participação societária do próprio dono da entidade e de seus familiares. As ONGs subcontratadas apresentaram inconsistências nas entregas de refeições.

Em novembro de 2024, o Mover Helipa venceu um edital de chamamento público para o programa Cozinha Solidária, organizado pelo MDS. A iniciativa prevê a distribuição de refeições gratuitas a pessoas em vulnerabilidade.

Nardes quer que a pasta e a ONG se expliquem sobre os indícios de irregularidades. Caso as respostas não garantam que o programa vai continuar sem riscos ao erário, o magistrado vai determinar a paralisação da iniciativa, atendendo a um pedido de medida cautelar do Novo.

"O envio de alerta ao MDS e aos representantes da ONG Mover Helipa acerca da possibilidade de o TCU vir a conceder medida cautelar para a suspensão do ato ou procedimento impugnado, caso haja indicativo de afronta às normas legais e/ou possibilidade de ocorrência de prejuízos à Administração, bem como quanto à possibilidade de o TCU vir a determinar a correção dos procedimentos impugnados e a responsabilização dos agentes públicos envolvidos, caso confirmadas as irregularidades indicadas na representação", escreveu Nardes.

O Mover Helipa é comandado por José Renato Varjão, ex-assessor de parlamentares da família Tatto. Entre março de 2015 e novembro de 2018, Varjão integrou o gabinete do deputado estadual paulista Ênio Tatto (PT). Entre fevereiro de 2021 a janeiro de 2022, o líder da ONG foi assessor de Nilton Tatto (PT-SP) na Câmara dos Deputados. A entidade fechou a parceria com o programa Cozinha Solidária por R$ 5,6 milhões. A pasta ainda contratou a entidade, por R$ 5,2 milhões, para a promoção de cursos de capacitação a moradores de baixa renda.

Com a verba federal, a organização subcontratou uma empresa da qual o próprio dono é sócio, além de firmar contrato com uma firma que pertence a um sobrinho de Varjão. Ambas as práticas são proibidas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo a reportagem do jornal O Globo, após vencer os certames, o Mover Helipa subcontratou duas entidades de ex-assessores do vereador de São Paulo Arselino Tatto (PT) para a produção das refeições. Em dezembro de 2024, as duas ONGs assinaram recibos de entrega das refeições sem terem, de fato, cumprido com a oferta.

Uma semana após a veiculação da reportagem do jornal, o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, suspendeu a parceria de R$ 5,6 milhões com o Mover Helipa. Em nota na época, a pasta disse que estava antecipando uma "estratégia de monitoramento prevista para o acompanhamento da execução das parcerias" do Cozinha Solidária.

A representação enviada ao TCU foi assinada pelo senador Eduardo Girão (Novo-CE) e pelos deputados federais Adriana Ventura (Novo-SP), Marcel van Hattem (Novo-RS), Gilson Marques (Novo-SC) e Ricardo Salles (Novo-SP). Em nota, Girão disse que a medida da Corte de Contas é "fundamental para garantir a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos".

"A fiscalização rigorosa é essencial para impedir o desperdício de dinheiro público e garantir que os recursos cheguem a quem realmente precisa, sem interferências políticas ou desvios. Seguiremos acompanhando de perto esse caso", afirmou.

LEIA A NOTA DA ONG NA ÍNTEGRA

O Movimento Organizacional Vencer, Educar e Realizar (Mover Helipa) vem, por meio desta, informar que, desde a última segunda-feira (17), está recebendo a visita de uma equipe técnica do MDS ( Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome).

A equipe permanecerá em nossas dependências até esta sexta-feira (21), com o objetivo de realizar uma averiguação específica dos procedimentos internos da instituição, incluindo a análise dos processos burocráticos e de prestação de contas relacionadas às parcerias firmadas com o MDS.

A Mover Helipa reitera que não recebeu nenhuma notificação do TCU (Tribunal de Contas da União) até a presente data, contudo, caso haja alguma notificação, responderemos, mantendo nosso compromisso de colaborar com todo e qualquer processo de auditoria.

Reafirmamos nosso compromisso inabalável com a transparência e com a ética no trato das parceiras com o poder público e a plena colaboração em todos os procedimentos de auditoria solicitados pelo poder público, com o objetivo de demonstrar a integridade e a lisura dos processos operacionais, como tem sido nossa postura desde o início de nossa atuação social.

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O exército israelense anunciou que o sexto e último refém foi libertado pelo grupo terrorista Hamas na mais recente troca realizada neste sábado, 22, e que ele já chegou de volta a Israel. Os seis reféns libertados são os últimos vivos a serem soltos sob a primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza.

O refém não foi imediatamente identificado, mas espera-se que seja Hisham Al-Sayed, de 36 anos, um beduíno israelense com histórico de doença mental. Ele entrou sozinho em Gaza em 2015 e estava detido desde então.

Os cinco primeiros reféns foram libertados no sábado em cerimônias encenadas, que tanto Israel quanto a Cruz Vermelha já condenaram no passado. O último foi libertado separadamente na tarde de sábado, sem cerimônia. Ao todo, 25 reféns israelenses foram libertados na primeira fase do cessar-fogo.

Os cinco incluíam três homens israelenses que foram sequestrados enquanto participavam do festival de música Nova, além de outro refém que foi capturado enquanto visitava sua família no sul de Israel, quando militantes atravessaram a fronteira em 7 de outubro de 2023.

Na cidade central de Nuseirat, Omer Wenkert, Omer Shem Tov e Eliya Cohen foram colocados ao lado de combatentes em um palco. Shem Tov, sorridente, chegou a beijar um militante na cabeça e mandar beijos para a multidão. Eles foram então colocados em veículos da Cruz Vermelha e levados para as tropas israelenses.

Ao assistir à libertação, a família e os amigos de Cohen, em Israel, entoaram "Eliya! Eliya! Eliya!" e vibraram ao vê-lo pela primeira vez. A avó de Shem Tov gritou de alegria: "Omer, minha alegria! Minha vida!".

Erro do Hamas

As libertações, que serão seguidas pela soltura de centenas de palestinos presos por Israel, ocorrem após uma acirrada disputa nesta semana, quando o grupo terrorista Hamas inicialmente entregou o corpo errado no caso de Shiri Bibas, uma israelense mãe de dois garotos pequenos sequestrada pelos terroristas.

Os restos mortais entregues junto com os corpos de seus filhos na quinta-feira foram posteriormente identificados como pertencentes a uma mulher palestina não identificada. Em resposta, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu prometeu vingança, classificando o erro como "uma violação cruel e maliciosa", enquanto o Hamas afirmou que se tratava de um engano.

Na noite de sexta-feira, o pequeno grupo militante que se acredita ter mantido Bibas e seus filhos, as Brigadas Mujahideen Palestinas, entregou um segundo corpo. A família de Bibas informou que as autoridades forenses israelenses confirmaram que se tratava dela. "Por 16 meses buscamos certezas, e agora que ela chegou, não nos traz conforto, mas esperamos que marque o início de um fechamento", disse a família.

Negociações difíceis à frente para a próxima fase do cessar-fogo

O acordo de cessar-fogo suspendeu temporariamente a guerra, mas está chegando ao fim de sua primeira fase. As negociações para uma segunda fase, na qual o grupo terrorista Hamas libertaria dezenas de reféns em troca de um cessar-fogo duradouro e da retirada israelense, devem ser ainda mais complicadas.

Ainda no sábado, Israel deve libertar 620 palestinos presos. Desses, 151 cumpriam penas de prisão perpétua ou outras sentenças, sendo que cerca de 100 serão deportados para outros países, de acordo com o escritório de mídia dos prisioneiros palestinos.

Os libertados incluem 445 homens, 18 adolescentes entre 15 e 17 anos, cinco jovens entre 18 e 19 anos e uma mulher, todos capturados por tropas israelenses em Gaza durante a guerra, segundo o escritório de mídia.

O Hamas afirmou que também entregará mais quatro corpos na próxima semana, completando a primeira fase do cessar-fogo. Se isso for concretizado, o Hamas ainda manteria cerca de 60 reféns, dos quais cerca da metade ainda estaria viva.

O Hamas declarou que não libertará os reféns restantes sem um cessar-fogo permanente e a retirada total de Israel. Netanyahu, com total apoio da administração Trump, afirma estar comprometido em destruir as capacidades militares e governamentais do Hamas e em trazer todos os reféns de volta - objetivos amplamente vistos como incompatíveis.

A ofensiva militar israelense matou mais de 48 mil palestinos, a maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não distingue entre civis e combatentes. Israel afirma ter matado mais de 17 mil combatentes, sem fornecer provas.

A ofensiva devastou grandes áreas de Gaza, reduzindo bairros inteiros a escombros. No auge do conflito, 90% da população de Gaza foi deslocada. Muitos retornaram para suas casas apenas para encontrar ruínas e nenhuma perspectiva de reconstrução.

O Hamas entregou mais três reféns israelenses à Cruz Vermelha na mais recente troca realizada sob o cessar-fogo neste sábado, 22. Os três homens israelenses na faixa dos 20 anos - Omer Wenkert, Omer Shem Tov e Eliya Cohen - foram levados por combatentes mascarados e armados do Hamas para posar em um palco diante de centenas de palestinos na cidade central de Nuseirat.

Eles estavam vestidos com uniformes falsos do exército, embora não fossem soldados quando foram sequestrados. Shem Tov e Wenkert sorriram e acenaram para a multidão.

Assistindo à libertação, familiares e amigos de Cohen em Israel entoaram "Eliya! Eliya! Eliya!" e comemoraram ao vê-lo pela primeira vez. A avó de Shem Tov soltou um grito de alegria, exclamando: "Omer, minha alegria! Minha vida!" ao vê-lo. Os três foram colocados em veículos da Cruz Vermelha, que seguiram para Israel.

Mais cedo, outros dois reféns foram libertados na cidade de Rafah, no sul de Gaza. Um sexto refém, Hesham al-Sayed, de 36 anos, também deverá ser libertado neste sábado. Mais de 600 palestinos presos em Israel devem ser soltos em troca.

Cohen, Shem Tov e Wenkert foram sequestrados por combatentes do Hamas no festival de música Nova, quando militantes invadiram o sul de Israel em 7 de outubro de 2023, no ataque que desencadeou a campanha militar israelense de quase 16 meses em Gaza.

O Hamas libertou dois dos seis reféns israelenses que devem ser soltos neste sábado, 22, mesmo com a tensão crescente sobre o acordo de cessar-fogo.

Os dois reféns - Tal Shoham, 40, e Avera Mengistu, 39 - foram colocados em ambulâncias da Cruz Vermelha após serem levados para um palco por combatentes mascarados e armados do Hamas na frente de uma multidão na cidade de Rafah, no sul de Gaza. Logo depois, o exército israelense confirmou que os dois tinham sido levados para Israel.

A previsão é que os seis deste sábado sejam os últimos vivos a serem libertos pelo Hamas na primeira fase do cessar-fogo.

Mengistu, um etíope-israelense, estava detido em Gaza desde que entrou sozinho na área em 2014. Assistindo à transferência pela mídia israelense, a família de Mengistu começou a cantar uma canção hebraica, "Aqui está a Luz", ao vê-lo pela primeira vez em mais de uma década.

Shoham, da aldeia de Ma'ale Tzviya, no norte de Israel, estava visitando a família de sua esposa no Kibutz Be'eri quando militantes do Hamas invadiram a comunidade durante os ataques de 7 de outubro de 2023.

A família de Tal Shoham disse à mídia israelense que eles estavam "começando a respirar novamente" depois de vê-lo no palco. A esposa de Shoham, dois filhos pequenos e três outros parentes que foram sequestrados com ele foram libertados em uma troca em novembro de 2023.

Os outros a serem libertados incluem Eliya Cohen, 27; Omer Shem Tov, 22; e Omer Wenkert, 23. Todos os três foram sequestrados de um festival de música durante o ataque de 7 de outubro. Hisham Al-Sayed, 36, que cruzou a fronteira para Gaza sozinho anos atrás, também deve ser devolvido a Israel como parte do acordo.

Mais de 600 palestinos presos em Israel serão libertados em troca, informou o escritório de mídia dos prisioneiros palestinos na sexta-feira. Os prisioneiros definidos para libertação incluem 50 cumprindo penas perpétuas, 60 com sentenças longas, 47 que foram libertados sob uma troca anterior de reféns por prisioneiros e 445 prisioneiros de Gaza presos desde o início da guerra.