Alcolumbre atribui a Onyx influência sobre ex-diretor da Saúde investigado

Política
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O senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) sugeriu que foi o ministro Onyx Lorenzoni, hoje na Secretaria Geral da Presidência e ex-chefe da Casa Civil, quem exerceu influência sobre Roberto Ferreira Dias, ex-diretor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde, em atividades ligadas à pasta. Dias foi demitido após denúncias de corrupção na compra de vacinas.

"Ele (Dias) já disse que quem indicou ele foi o ex-deputado Lupion (Abelardo Lupion, do DEM-PR), quando trabalhava com o ministro Onyx. Senti falta de vocês falarem que ele trabalhava com o ministro Onyx. E não sei por quê. Só colocaram na conta de um ex-deputado", disse, ao Estadão.

A declaração liga um integrante do núcleo duro do presidente Jair Bolsonaro ao personagem que está no centro das principais denúncias de corrupção no Ministério da Saúde sob apuração da CPI da Covid.

Lupion trabalhou na gestão Mandetta. Antes, exerceu cargos de assessoria especial e de secretário na Casa Civil, quando a pasta era chefiada por Onyx Lorenzoni, de quem é bastante próximo. O ex-deputado Lupion tem se dedicado às propriedades rurais no Paraná.

Como mostrou o Estadão, Bolsonaro prepara mudanças ministeriais para acomodar mais lideranças do Centrão. O presidente do Progressistas, senador Ciro Nogueira (PI), deve ir para a Casa Civil, em substituição a Luiz Eduardo Ramos. Ramos, por sua vez, pode ser transferido para a Secretaria-Geral. A Onyx restaria a transferência para o Ministério do Trabalho, que seria recriado para recebê-lo. Nos bastidores, o nome de Alcolumbre também é ventilado como possível substituto de Onyx.

Apoiado pelo Centrão, Roberto Dias foi nomeado no início do governo Bolsonaro, ainda com o então ministro Luiz Henrique Mandetta. Ele foi uma indicação do ex-deputado Abelardo Lupion (DEM-PR), mas com o aval de Ricardo Barros (Progressistas-PP), líder do governo na Câmara.

Lupion e Dias trabalharam no governo de Cida Borghetti, no Paraná, esposa de Barros. Apesar da ligação com políticos do Paraná, militares e congressistas afirmam reservadamente que Davi Alcolumbre era um dos maiores fiadores da permanência de Roberto Dias no cargo.

O ex-diretor sobreviveu a quatro ministros e só caiu após o surgimento das denúncias. O ex-ministro Eduardo Pazuello chegou a pedir a demissão de Roberto Dias em outubro passado, mas Alcolumbre interveio junto a Bolsonaro para que a demissão não se concretizasse. A informação foi publicada pela Rádio CBN.

Ex-presidente do Senado, Alcolumbre afirmou que não se movimentou para defender Roberto Dias. "Fiz um movimento para ele ajudar todos os governadores, pedindo para eles respiradores, álcool em gel, máscara. Fiz para todos, para os 81 (senadores) que me pediram para salvar a vida das pessoas", frisou.

Roberto Dias é alvo de denúncias relacionadas ao contrato da Covaxin e às negociações com a empresa Davati, que se apresentou como intermediária da vacina Astrazeneca. No Brasil, a farmacêutica só tem parceria com a Fiocruz.

Ao prestar depoimento à CPI da Covid, o ex-diretor acabou preso em flagrante porque, segundo os senadores, cometeu crime de perjúrio por ter mentido ao responder perguntas. Alcolumbre agiu pessoalmente para pedir que o presidente do colegiado, senador Omar Aziz (PSD-AM), recuasse.

O servidor do ministério Luis Ricardo Miranda e o irmão dele, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), afirmam que Dias foi um dos membros do ministério que exerceram pressão para que fosse agilizado o processo de importação da Covaxin.

Já o cabo da Polícia Militar de Minas Gerais Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da Davati, afirma que Roberto Dias pediu propina de US$ 1 sobre cada uma das 400 milhões de doses que a empresa queria vender ao ministério.

Procurado por meio da assessoria do ministério sobre as declarações de Alcolumbre, Onyx não se manifestou.

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A Suprema Corte dos EUA rejeitou nesta quarta-feira, 5, o pedido de Donald Trump para congelar US$ 2 bilhões em ajuda externa, parte dos esforços do governo para cortar gastos. Foi a primeira grande decisão do tribunal contra a Casa Branca desde a volta do presidente ao poder. Isso ocorreu apesar de Trump ter indicado três dos nove juízes, formando uma maioria conservadora de 6 a 3.

Ontem, o recurso de Trump foi negado por 5 votos a 4 - os conservadores John Roberts e Amy Coney Barrett se juntaram às três magistradas progressistas para manter a decisão de uma instância inferior exigindo que o governo fizesse pagamentos em contratos que já foram concluídos, invalidando o decreto assinado em 20 de janeiro, que suspendia a ajuda internacional por 90 dias.

Na decisão, a Suprema Corte determina que o juiz federal Amir Ali, que ordenou o restabelecimento dos pagamentos pela Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) e pelo Departamento de Estado, esclareça "quais obrigações o governo deve cumprir".

"Um único juiz de um tribunal distrital, que provavelmente não tem jurisdição, tem o poder irrestrito de obrigar o governo dos EUA a pagar (e provavelmente perder para sempre) US$ 2 bilhões dos contribuintes?", argumentou o conservador Samuel Alito, na declaração dissidente, assinada pela minoria. "A resposta a essa pergunta deveria ser um enfático 'não', mas a maioria deste tribunal, aparentemente, pensa o contrário. Estou chocado."

Cortes de gastos

O governo suspendeu a ajuda externa no dia da posse de Trump. Beneficiários e ONGs entraram com duas ações judiciais contestando o congelamento dos fundos, alegando inconstitucionalidade - as dotações orçamentárias são um poder do Congresso e cabe ao Executivo apenas cumpri-las.

Os grupos que contestaram o governo argumentaram que os fundos congelados causariam uma série de crises, ameaçando cuidados médicos essenciais ao redor do mundo, deixando alimentos apodrecendo em armazéns, arruinando negócios, colocando em risco a propagação de doenças e causando instabilidade política.

"É devastador o impacto dessa conduta ilegal em empresas grandes e pequenas, forçadas a encerrar seus programas e demitir funcionários; em crianças famintas ao redor do mundo que ficarão sem nada; em populações ao redor do mundo enfrentando doenças mortais; e em nossa ordem constitucional", escreveram os advogados do Global Health Council, organização que representa grupos de saúde, em um dos processos.

O juiz Amir Ali, do Tribunal Distrital Federal em Washington, nomeado pelo presidente Joe Biden, emitiu uma ordem de restrição temporária, em 13 de fevereiro, proibindo funcionários do governo de suspender os pagamentos alocados antes de Trump assumir o cargo. Na decisão, ele disse que o governo não ofereceu nenhuma explicação para a suspensão total da ajuda que o Congresso havia determinado.

A Casa Branca alegou que tinha o direito de analisar caso a caso as doações e contratos de ajuda e interromper ou aprovar os gastos. Em uma decisão de 25 de fevereiro, o juiz Ali ordenou que o governo pagasse US$ 1,5 bilhão em trabalhos de ajuda já concluídos. Ele estabeleceu um prazo até meia-noite do dia seguinte. Em resposta, o Departamento de Justiça entrou com um recurso de emergência na Suprema Corte, alegando que o juiz havia excedido sua autoridade - argumento rejeitado ontem.

Campanha

O presidente está decidido a cortar gastos do governo federal com a ajuda do homem mais rico do mundo e maior doador de sua campanha, Elon Musk. Um dos seus objetivos é cortar a ajuda da Usaid, que tem programas de saúde e emergência em cerca de 120 países e é responsável por mais de 40% da ajuda humanitária mundial.

Em decreto assinado em 20 de janeiro, Trump suspendeu temporariamente milhares de programas para avaliar se eles estão "totalmente alinhados com a política externa do presidente dos EUA". No passado, ele já disse que a Usaid é "administrada por lunáticos radicais", enquanto Musk descreveu a agência como uma "organização criminosa". (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quarta-feira (6) que está trabalhando com o Partido Republicano da Câmara em uma resolução contínua para financiar o governo até setembro e dar o "tempo necessário" para trabalhar a agenda do governo.

"Os conservadores vão adorar esse projeto de lei, pois ele nos prepara para cortar impostos e gastos na conciliação, ao mesmo tempo em que efetivamente CONGELA os gastos neste ano e nos permite continuar nosso trabalho. Vamos aprovar esse projeto de lei!", escreveu Trump na rede Truth Social.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve assinar nesta quinta-feira, 6, um decreto com o objetivo de eliminar o Departamento de Educação. Um rascunho do documento, obtido pelo Wall Street Journal, ordena que a secretária de Educação, Linda McMahon, "tome todas as medidas necessárias para facilitar o fechamento do Departamento de Educação".

O fim do Departamento de Educação está em discussão desde a transição da gestão de Joe Biden para o governo Trump. Segundo especialistas, porém, a eliminação completa da pasta depende da aprovação do Congresso. Fonte: Dow Jones Newswires.